domingo, 17 de abril de 2011

O Pequeno Príncipe - O encontro com a Raposa

"O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry

O principezinho e a raposa


E foi então que apareceu a raposa:

- Bom dia, disse a raposa.

- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.

- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? perguntou o principezinho.

Tu és bem bonita.

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.

Não me cativaram ainda.

- Ah! Desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- O que quer dizer cativar ?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.

Significa criar laços...

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.

 
E eu não tenho necessidade de ti.

E tu não tens necessidade de mim.

Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...

Mas a raposa voltou a sua idéia:

- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.
 
E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...

A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:

- Por favor, cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!

Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.

Mas tu não a deves esquecer.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas

E voltou, então, à raposa:

- Adeus disse ele...

- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de lembrar.



A raposa


Fontes
Google Imagens

5 comentários:

  1. Antoine de Saint-Exupéry levou consigo uma grande responsabilidade, pois cativou com seus escritos todos aqueles que tiveram o prazer de lê-los, e que não foram poucos.

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  2. Obrigado pelas palavras Poeta Renato Douglas e pela visita. Seja sempre bem vindo.

    Abraço.

    André Ribeiro

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  3. Obrigado Marilene pela visita ao meu blog e pelo comentário. Realmente, Saint-Exupéry nos cativou para sempre e com isso temos que propagar a sua grande obra na minha opinião e com isso, fazer o bem.

    Volte sempre!

    Abraço.

    André Ribeiro

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  4. Gostei muito de reler esse texto. "O Pequeno Príncipe" é um dos meus livros de cabeceira. Não quero "crescer" nunca! Se Deus quiser! Afetuoso abraço!

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  5. Olá Clara Dawn, obrigado pela visita, pelo comentário e pelo "afetuoso abraço". Volte sempre!

    Abraço.

    André Ribeiro

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Olá, obrigado pela sua visita, espero que tenha gostado do meu Blog e do que encontrou nele e, retorne sempre que quiser, estou esperando você aqui de novo! Que tal deixar um recado!