Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de abril de 2018

CAVALO BABÃO

Fonte: André Ribeiro


Fonte da Memória, em forma de uma cabeça de cavalo, é um tributo aos imigrantes e tropeiros que vinham a Curitiba para comercializar seus produtos transportados por carroças e mulas. Os animais utilizavam o bebedouro, ainda existente, no Largo da Ordem. O monumento, que marca um ciclo da história da cidade, foi instalado na Praça Garibaldi em 1995. É um trabalho, em granito e bronze, do escultor curitibano Ricardo Tod (1963-2005).
Essa escultura é apelidada pela população de “Cavalo Babão”.


Fonte: Hipismo Eco disponível em http://www.hipismoeco.com.br/blog/cavalo-babao-de-curitiba/

sábado, 11 de março de 2017

FOTOS CHILE - Verano



O Chile é um país localizado na costa oeste da América do Sul que limita fronteira a leste, com a Argentina; a nordeste, com a Bolívia; e ao extremo norte, com o Peru. O território em questão encontra-se entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico. A extensão territorial no sentido norte-sul do país é de 4,3 mil km, em contrapartida, de leste-oeste possui somente 200 km. 

Segue algumas das centenas de fotos que tive a felicidade de registrar juntamente com meu querido Alejandro.


Cordilheira dos Andes

Cerro Santa Lucía

Vista de Santiago do Cerro Santa Lucía

Vista de Santiago do Cerro Santa Lucía

A cidade é cheia de belos parques abertos.

Plantação de uvas na Vinícola Conho & Toro

A Cordilheira dos Andes próximo a cidade de Santiago.


Pôr do Sol em Santiago

Ainda havia neve em parte da Cordilheira dos Andes.

Palácio La Moneda. Sede do governo do Chile


Vinícola Conho & Toro (sede da família)

Barril com os vinhos.

No topo das montanhas com as neve

Edifício Sky Costanera (Maior da América latina) e ao fundo a Cordilheira dos Andes com um pouco de neve.


Artesanato chileno

Artesanato chileno

Artesanato chileno



Fontes das Imagens
Acervo pessoal de André Ribeiro

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

DEZEMBRO, QUE MAIS POSSO DIZER...




(Autor: Antonio Brás Constante)

Chegamos ao mês de dezembro, onde o fim junta-se ao início, embalado em festas e comemorações. Bebedeiras e promessas. Este é o mês onde o novo anda lado-a-lado com o velho. Mesmo nos simbolismos podemos verificar as alusões de um bebê representando o ano vindouro chegando no colo de um ancião com a faixa do ano atual, ou das figuras do nascimento de Cristo junto à imagem do bom velhinho chamado de Papai Noel.

Dezembro vem carregado de celebrações e repleto de sentimentos, tais como a paciência, necessária para enfrentar as diversas filas nas lojas, mercados, shoppings, etc. Ou o sangue-frio, para assinar o contrato de doze prestações de um dos tão sonhados eletrodomésticos que faltam em sua casa. A esperança de conseguir comprar ao menos o mínimo necessário para celebrar as datas comemorativas e se possível presentear aqueles que amamos.

Outro sentimento bem-vindo é o do bom humor para você poder rir quando perceber que todas as coisas aumentaram sessenta por cento, mas que ganharam bons descontos de até trinta por cento (no cartão) e que justamente o modelo de mercadoria que você queria acabou em todas as lojas.

Se não faltam sentimentos natalinos, acaba faltando dinheiro para comprar tudo que nos é induzido como necessário para a chegada do natal e passagem do ano novo. Na dita lista não pode faltar: lentilhas, foguetes, arranjos de todos os tipos, roupas brancas (novas) para passar o ano novo, peru para uma ceia e porco para outra. Bebidas “nobres”, como champanhe (ou sidra), etc.

Para que seu décimo terceiro salário possa dar conta do recado, jogue ele todinho na Mega Sena e reze com fé, se não der certo vá reclamar com Deus ou com Papai Noel, aproveitando que neste mês os dois estão em alta.

Falando em arranjos, como é lindo e interessante ver as decorações elaboradas para o final de ano. Muitos pinheiros, muita neve, meias penduradas em lareiras, homens fantasiados com roupas que mais parecem pijamas de inverno, andando de trenó. Tudo muito bonito, porém nada combinando com nosso clima tropical.

Mas o que mais chama a atenção é ver como as pessoas nesta época, movidas pelo espírito do natal conseguem se emocionar com as músicas e filmes sempre comoventes (esquecendo a dura realidade a sua volta e ficando indiferentes a ela). Este é um dos períodos do ano que mais atraí as pessoas para as missas e celebrações. Shoppings e igrejas cheias de pessoas bem-aventuradas que extravasam todo seu sentimento natalino, de preferência bem longe da pobreza geral. Mesmo porque para muitos, natal e pobreza não combinam.

Caso Papai Noel aparecesse em uma favela, provavelmente suas renas virariam carne assada, pediriam um resgate por ele e usariam seu trenó no “se vira nos trinta” (puxado por alguma rena guardada para o abate no ano novo). Triste destino para o bom velhinho, mas quem sabe pelo menos os brinquedos não acabariam em mãos carentes e necessitadas.


Não quero criar polêmica, só quero encerrar dizendo que este também é um mês de reflexões, de sua sogra lembrar do ótimo genro (ou nora) que ela tem. De seu vizinho reconhecer a pessoa maravilhosa que você é. De seus filhos chorarem de felicidade pelos pais que possuem. Enfim, é ora de eu também agradecer por conseguir chegar ao final do texto, lhes desejando votos de um Feliz Natal e Prospero Ano Novo.




Fontes
Google imagens
 www.abrasc.pop.com.br e www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc

domingo, 28 de junho de 2015

MUDANDO PARADIGMAS DA EDUCAÇÃO


 Este animação foi adaptada de uma palestra dada na RSA por Sir Ken Robinson, um especialista em educação e criatividade de renome mundial e ganhador do Prêmio Benjamin Franklin da RSA .





IDIOTA

Origem da Palavra Idiota


Política para não ser um Idiota?




Originalmente, a palavra idiota não tinha o mesmo significado que atribuímos atualmente, pois assim como muitas outras palavras, seu significado tem se alterado do propósito inicial.

Esta palavra nasceu na antiga Grécia para nominar aquelas pessoas que não estavam
integradas na Polis grega, para aqueles que não se interessavam ou não participavam dos assuntos públicos (de grande importância naquela época) e só se ocupavam de si próprios. 

Desta concepção vem sua raíz "Idio", que significa próprio. Um exemplo de idiota era aquela pessoa que não assistia ao teatro, que naquela época era um meio muito importante de transmissão de valores e comportamentos (e cuja assistência se considerava muito importante e prioritária).

Apesar do passar do tempo e da invasão romana e sua imposição do latim como linguagem oficial, esta palavra sobreviveu e se instaurou não conservando seu significado. 

No século XII, esta palavra voltou a ressurgir e chegou a Espanha e França e com dois significado distintos. O primeiro se referia a aquela pessoa ignorante e o segundo (conservando em parte seu significado grego) se referia ao homem da rua, ao plebeu e ao particular. O primeiro destes significados teve importância na Europa medieval já que era com ele que se designavam aqueles monges que não conheciam bem o latim e se referia àquela pessoa que não conhecia bem a língua, cometendo erros ao falá-la ou escrevê-la (uma variante de ignorante). 

O sentido atual que outorgamos a idiota nasce a causa de seu estabelecimento como termo médico para referir-se a aquelas pessoas com deficiências mentais e baixo coeficiente intelectual.


Irresistível a comparação. Para os gregos da Antiguidade Clássica era “idiota” o sujeito que preenchendo as prerrogativas para participar da vida pública na polis, abdicava de fazê-lo. Hoje, muitas vezes, são rotulados de idiotas aqueles que, nas rodas de conversa, não se empolgam com assuntos sobre a vida privada das celebridades e insistem em colocar em pauta temas públicos, ou seja, assuntos políticos. Interessar-se por política, para muitos, não é normal. 

A polis era a unidade constitutiva indecomponível e a dimensão suprema da existência. No viver “político” e na “politicidade” os gregos viam não uma parte, ou aspecto, da vida, mas seu todo, sua essência. Inversa-mente, o homem “não-político” era um ser deficiente, um ídion um ser carente (significado original do nosso termo “idiota”, cuja insuficiência consistia justamente em ter perdido (ou não haver adquirido) a dimensão e a plenitude da simbiose com sua polis. Em breve, um homem “não-político” não era apenas um ser inferior, era menos-que-homem. 

Fontes:



SARTORI, Giovanni. Que é a política?. In: _____ A Política: lógica e método nas Ciências Sociais.
Brasília: Editora UnB, 1981.




Outra definição da origem da palavra IDIOTA:

Ela vem do Grego IDIOS, “pessoal, privado”. IDIOTES queria dizer “indivíduo privado”, no sentido de que ele não exercia um oficio público. A partir daí a palavra passou a ter o sentido de “homem comum” – ou seja, sem especial distinção – e depois começou a indicar “sujeito ignorante, de pouca inteligência e pouca valia”, pois não era capacitado para ter cargo oficial.


Fonte:
http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/idiota/

sábado, 27 de junho de 2015

PÍLULAS DO GRANDE SERTÃO


Sertão


Coração de gente — o escuro, escuros.

Quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade.
Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal por principiar.
No sistema de jagunços, amigo era o braço, e o aço! 
Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios.
Ou — amigo — é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é. 
O amor? Pássaro que põe ovos de ferro. 
Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas. 
A colheita é comum, mas o capinar é sozinho.
O diabo é às brutas; mas Deus é traiçoeiro! 
O diabo na rua, no meio do redemunho.
O Arrenegado, o Cão, o Cramulhão, o Indivíduo, o Galhardo, o Pé-de-Pato, o Sujo, o Homem, o Tisnado, o Coxo, o Temba, o Azarape, o Coisa-Ruim, o Mafarro, o Pé-Preto, o Canho, o Duba-Dubá, o Rapaz, o Tristonho, o Não-sei-que-diga, O-que-nunca-se-ri, o Sem-Gracejos... Pois, não existe! E se não existe, como é que se pode se contratar pacto com ele?
Quem muito se evita, se convive. 
Julgamento é sempre defeituoso, porque o que a gente julga é o passado. 
O que lembro, tenho.
 Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende. 
Quem mói no asp'ro não fantaseia. 
Quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente. 
Vingar... É lamber, frio, o que outro cozinhou quente demais. 
Quem sabe do orgulho, quem sabe da loucura alheia?
Ser chefe — por fora um pouquinho amargo; mas, por dentro, é risonhas flores.
Um chefe carece de saber é aquilo que ele não pergunta.
Comandar é só assim: ficar quieto e ter mais coragem.
Toda saudade é uma espécie de velhice. 
Riu de me dar nojo. Mas nojo medo é, é não?
Um sentir é do sentente, mas outro é do sentidor. 
Tudo é e não é. 
Mocidade é tarefa para mais tarde se desmentir.
Sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado! 
O sertão é do tamanho do mundo. 
Sertão é dentro da gente. 
O sertão é sem lugar. 
O sertão não tem janelas, nem portas. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos governa. 
O sertão não chama ninguém às claras; mais, porém, se esconde e acena. 
O sertão é uma espera enorme. 
Sertão: quem sabe dele é urubu, gavião, gaivota, esses pássaros: eles estão sempre no alto, apalpando ares com pendurado pé, com o olhar remedindo a alegria e as misérias todas.
A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. 
A vida é muito discordada. Tem partes. Tem artes. Tem as neblinas de Siruiz. Tem as caras todas do Cão e as vertentes do viver. 
Manter firme uma opinião, na vontade do homem, em mundo transviável tão grande, é dificultoso.
Viver — não é? — é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver mesmo.
Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniões...
Feito flecha, feito fogo, feito faca.
Vi: o que guerreia é o bicho, não é o homem.
Até que, um dia, eu estava repousando, no claro estar, em rede de algodão rendada. Alegria me espertou, um pressentimento. Quando eu olhei, vinha vindo uma moça. Otacília. // Meu coração rebateu, estava dizendo que o velho era sempre novo. Afirmo ao senhor, minha Otacília ainda se orçava mais linda, me saudou com o salvável carinho, adianto de amor.




João Guimarães Rosa



Fonte
Google Imagens


segunda-feira, 22 de junho de 2015

O ÓDIO NOSSO DE CADA DIA

Texto do professor e historiador Leandro Karnal, publicado no Estadão em novembro de 2014.

Vale a pena ler!!!




Leandro Karnal 



Fontes:
Jornal Estadão
Google Imagem

sábado, 23 de maio de 2015

AS TRÊS PENEIRAS

Três Peneiras


Um rapaz procurou Sócrates e disse-lhe que precisava contar-lhe algo sobre alguém. 

Sócrates ergueu os olhos do livro que estava lendo e perguntou:

- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?

- Três peneiras? - indagou o rapaz.

- Sim! A primeira peneira é a
VERDADE. O que você quer me contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer aqui mesmo. Suponhamos que seja verdade. Deve, então, passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo? Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta?


Arremata Sócrates:


- Se passou pelas três peneiras, conte!!! Tanto eu, como você e seu irmão iremos nos beneficiar.
Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos, colegas do planeta.



Sócrates



Fonte
Google Imagens


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

12 RAZÕES PARA SE TER VERGONHA NA CARA

12 Razões para se ter vergonha na cara


Todos nós reprovamos asperamente a corrupção (ao menos no plano do discurso, para a preservação da própria auto-imagem que criamos de nós mesmos – veja E. Giannetti, Vícios privados, benefícios públicos?). A premissa número um para atacá-la consiste em se sentir envergonhado por participar dela. É disso que temos que cuidar. A cultura atual favorece a corrupção (“A complexidade e anomia de nossas sociedades [atuais] proporcionam um pretexto para as atitudes pouco honestas dos administradores [dos políticos e das empresas]” (Gil Villa, La cultura de la corrupción: 116). Mas ela não é uma lei inevitável da física (como a lei da gravidade, por exemplo). O melhor antídoto é o sentimento de vergonha (que ao mesmo tempo é a preservação da honra). A educação, nessa área, tem que ser dirigida para essas metas. A vergonha (e a honra) esteve presente em todas as recentes revoluções morais (fim da escravidão, fim da amarração dos pés das chinesas, fim dos duelos etc.), tal como descreve o filósofo Kwame Anthony Appiah, O código de honra: como ocorrem as revoluções morais). Desta obra extraímos 12 razões (mais que satisfatórias) para se ter vergonha na cara (e não se envolver com corrupção, não massacrar as mulheres, sobretudo por distinção de gênero, não exterminar pessoas por suas orientações sexuais, não escravizar ninguém, não “roubar” o patrimônio alheio etc.). Sem necessidade de nenhuma lei nova ou decreto de quem quer que seja. Ter vergonha na cara só depende da decisão de cada um, que pode fazer isso agora (imediatamente). Seguem 12 razões para isso (veja Appiah, citado: p. 11 e ss.):

Primeira: a retidão e o patrimônio incalculável que nos proporciona a moralidade quando presente nos nossos comportamentos. A moral é prática (Kant). Ela importa nos atos que praticamos. Nenhuma das revoluções morais citadas aconteceu sem a transformação rápida nos comportamentos das pessoas. Não basta ter bonssentimentos morais. O relevante é como nos comportamos em cada ato, em cada instante, em cada decisão. Segunda: é preciso sentir vergonha do passado funesto. Impõe-se reprovar todos os que escravizaram os índios, os negros e os brancos pobres, os que mataram em duelos, os que amarraram os pés das chinesas, os que massacraram por razões de gênero suas mulheres, os que se corromperam e se enriqueceram ilicitamente etc. Dentro de poucos anos as futuras gerações dirão como foi possível a seus antepassados exterminarem a natureza e tantos seres humanos (execuções sumárias, presídios-campos de concentração etc.), proibirem mulheres de dirigir veículos (Arábia Saudita), matarem pessoas por suas escolhas sexuais, deixarem milhares morrerem de fome diariamente, se envolverem até o último fio de cabelo com a corrupção etc. Todos esses usos e costumes são vergonhosos, ofendem a honra. As gerações atuais serão duramente reprovadas por esses atos nefastos e desonrosos.

Terceira: todas as objeções (sobretudo na era da internet) contra todas as práticas que geram vergonha (corrupção, assassinatos sumários, massacre por razões de gênero das mulheres, mortes evitáveis no trânsito etc.) são conhecidas. Não precisamos de mais argumentos morais para mudar nosso comportamento. Muito menos de uma lei que diga isso. Tudo já está posto. Agora é a hora da revolução de cada um. Quarta: em todas as revoluções morais há uma proximidade impressionante entre a identidade da pessoa (identidade racial, étnica, sexual, nacional, religiosa etc.) e sua honra (a escravidão foi um ataque à humanidade do escravo, o duelo sempre foi irracional, a amarração dos pés das chinesas gerava uma deformação incapacitadora etc.). A honra faz parte do “viver uma boa vida humana”. Quinta: necessidade de reconhecimento(como explicou Hegel). Nós, seres humanos, “precisamos que os outros respondam apropriadamente ao que somos e ao que fazemos. Precisamos que os outros nos reconheçam como seres conscientes e percebam que nós também os reconhecemos assim” (Appiah, citado: 13). Temos uma profunda e constante preocupação com a posição social e o respeito. As pessoas sem vergonha na cara são desprezadas (não são reconhecidas). O reconhecimento é uma forte razão para nos comportarmos adequadamente.

Sexta: somente quem tem vergonha na cara sabe o que Aristóteles chamou de “eudaimonia”, que ele mesmo interpretou como ética. A palavra “eudaimonia” é traduzida por muitos como “felicidade”. Appiah diz que ela significa florescer para a arte de viver bem. Em suma: ser feliz por ser ético (entendendo a ética como a arte de viver bem humanamente, como afirma o filósofo espanhol Savater). A corrupção (assim como a escravidão) é uma questão moral. A moral é uma dimensão relevante da ética (a dimensão prática). A corrupção, consequentemente, tem tudo a ver com a ética e com a “eudaimonia”. Sétima: não basta apenas ser bom com seus semelhantes, mais que isso, devemos cumprir nossas obrigações frente aos outros. Isso também faz parte do viver bem humanamente. Não basta não praticar a corrupção, é preciso reconhecer nossas obrigações em relação às outras pessoas (denunciando-a, deplorando-a, fazendo com que se tenha vergonha disso; a participação em ações sociais é outra forma de cumprir nossas obrigações com os outros).
Oitava: quem tem vergonha na cara esforça-se para respeitar as outras pessoas, para ter o respeito dos outros e respeitar a si próprio, seu patrimônio honorífico. O respeito à nossa honra nos ajuda a viver bem humanamente, a cumprir nossas obrigações com as outras pessoas, a nos sentir bem. Quem respeita os outros e quem tem o respeito dos outros vive uma vida de melhor qualidade. A filosofia, por isso mesmo, não pode negligenciar a honra. Nona: quem tem vergonha na cara (quem é honrado) acredita em si mesmo. O que a honra (e o sentimento de vergonha) nos dá, desde logo, é a auto-confiança, que é, como disse Samuel Johnson, “o primeiro requisito para as grandes realizações.” A auto-confiança nos traduz segurança em relação à nossa dignidade, capacidade e poder. Quem é auto-confiante conta com forte senso de convicção e certeza em si mesmo. Exterioriza serenidade, tranquilidade e, ademais, é auto-consciente. Tudo isso pressupõe uma pessoa honrada (com vergonha na cara). Décima: quem tem vergonha na cara (quem é honrado) “olha o mundo direto nos olhos” e procura fazer a coisa certa. Não precisa ser petulante nem revelar ostentação. Só lhe basta não ter a necessidade de esconder a cara. Nem de ficar olhando para baixo. Norteia seus atos pelos códigos da arte de viver bem, ou seja, da arte de respeitar os outros para que os outros também o respeitem (e o reconheçam). Mas isso somente é possível em quem, desde logo, respeita a si próprio.

Décima-primeira: quem tem vergonha na cara (quem é honrado) anda de cabeça erguida. As pessoas capacitadas com o senso de honra (diz Appiah, citado: 17) “lembram que merecem respeito, andam literalmente com a cabeça erguida. Podemos ver o respeito próprio que têm, e elas podem senti-lo estufando o peito e endireitando as costas”. A humilhação, ao contrário, encurva a coluna, nos faz abaixar os olhos, usar disfarces, nos esconder. Décima-segunda: quem tem vergonha da cara nunca se cora de vergonha. O humano é o único animal que se cora quando sente vergonha por algo desonroso que fez. Quando está envergonhado não consegue olhar nos olhos. Expressões como “Seu rosto caiu”, “ficou sem cara”, “ficou com cara de tacho”, “tentou salvar a cara” revelam o quanto o sentimento de vergonha tem ligação com nossa cara. Quando afirmamos “joguei tudo na cara dele” isso significa que imputamos algo que possa envergonhar, que possa afetar a honra da pessoa. Mais: o ato de corar exterioriza uma involuntária revelação da vergonha. É pelo rosto que vemos o que os outros estão sentindo. Mas é preciso estar na presença de outras pessoas para que ocorra o ato de corar. Quando então o sangue sobe ao rosto. Isso, no entanto, não significa que devemos estar de cara com o mundo para sentir vergonha.

Conclui Appiah: “Zelar pela honra é querer ser digno de respeito. Ao perceber que fez alguma coisa que o torna indigno, você sente vergonha, mesmo que ninguém esteja olhando”. Tudo isso compõe a “teoria da honra” (e, consequentemente, da vergonha). Refletindo sobre as 12 razões para se ter vergonha na cara você agora sabe porque que os corruptos (dentre tantos outros malfeitores) não gostam de falar seriamente em “honra” e “vergonha”. As sociedades criam códigos que norteiam os padrões de comportamento. Quando esses padrões nos envergonham temos que seguir outros códigos, os que mostram como podemos ser respeitados e respeitar os outros (assim como a coisa pública, não fazendo dela La Cosa Nostra). A honra e a vergonha fazem parte da natureza humana, por mais que estejam desgastadas pelos novos tempos. Muitos saíram de dentro delas (das exigências da honra e da vergonha), mas nem a vergonha nem a honra saiu de dentro deles. Ter vergonha na cara não é o único antídoto contra a corrupção, mas é o primeiro e talvez o mais potente, porque só depende de cada um de nós.

P. S. Participe do nosso movimento fim da reeleição (veja fimdopoliticoprofissional. Com. Br). Baixe o formulário e colete assinaturas. Avante!


Luiz Flávio Gomes
Professor   •   São Paulo (SP)  
Jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). [ assessoria de comunicação e imprensa +55 11 991697674 [agenda de palestras e entrevistas] ]


Fonte:
Jusbrasil.com.br

domingo, 9 de novembro de 2014

CAIU O "MURO DA VERGONHA" - MURO DE BERLIM



Muro de Berlim (em alemão Berliner Mauer) era uma barreira física construída pela República Democrática Alemã (Alemanha Oriental - comunista) durante a Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental (capitalista), separando-a da Alemanha Oriental, incluindo Berlim Oriental. Este muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos ou partes: República Federal da Alemanha (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos; e a República Democrática Alemã (RDA), constituído pelos países comunistas sob julgo do regime soviético. Construído na madrugada de 13 de agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro era patrulhado por militares da Alemanha Oriental Comunista com ordens de atirar para matar (a célebre SchieBbefehl ou "Ordem 101") os que tentassem escapar, o que provocou, segundo dados do regime comunista, a morte a 80 pessoas, 112 feridos e milhares aprisionados nas diversas tentativas de fuga para o ocidente capitalista, além de separar, até sua queda, dezenas de milhares de famílias berlinenses que ficaram divididas e sem contato algum. Os números de mortos, feridos e presos é controverso pois os dados oficiais do fechado regime comunista são contestados por diversos órgãos internacionais de Direitos Humanos.



O Muro de Berlim foi o maior símbolo da divisão do mundo entre bloco ocidental e oriental. O primeiro, liderado pelos Estados Unidos, tinha o capitalismo como sistema econômico. Já o segundo, encabeçado pela antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), era adepto do socialismo.





A distinta e muito mais longa fronteira interna alemã demarcava a fronteira entre a Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental. Ambas as fronteiras passaram a simbolizar a chamada "cortina de ferro" entre a Europa Ocidental e o Bloco de Leste.





Antes da construção do Muro, 3,5 milhões de alemães orientais tinham evitado as restrições de emigração do Leste comunista e fugiram para a Alemanha Ocidental, muitos ao longo da fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental. Durante sua existência, entre 1961 e 1989, o Muro quase parou todos os movimentos de emigração e separou a Alemanha Oriental de Berlim Ocidental por mais de um quarto de século.






Durante uma onda revolucionária de libertação ao comando de Moscou que varreu o Bloco de Leste, o governo da Alemanha Oriental anunciou em 9 de novembro de 1989, após várias semanas de distúrbios civis, que todos os cidadãos da RDA poderiam visitar a Alemanha Ocidental Capitalista e Berlim Ocidental. Multidões de alemães orientais subiram e atravessaram o Muro, juntando-se aos alemães ocidentais do outro lado, em uma atmosfera de celebração. Ao longo das semanas seguintes, partes do Muro foram destruídas por um público eufórico e por caçadores de souvenirs. Mais tarde, equipamentos industriais foram usados para remover quase o todo da estrutura. A queda do Muro de Berlim abriu o caminho para a reunificação alemã que foi formalmente celebrada em 3 de outubro de 1990. Muitos apontam este momento também como o fim da Guerra Fria. O governo de Berlim incentiva a visita do muro derrubado, tendo preparado a reconstrução de trechos do muro. Além da reconstrução de alguns trechos, está marcado no chão o percurso que o muro fazia quando estava erguido.






A importância da história do muro de Berlim foi retratada por diversos cineastas. Uma obra interessante sobre o assunto é o longa-metragem Adeus, Lênin, de 2003. Na história, uma mulher entra em coma poucos dias antes da queda do muro e acorda após a vitória do capitalismo na Alemanha. Seu filho, para evitar que os problemas da mãe piorem com a brusca mudança do cenário político, conspira com amigos e familiares com o objetivo de criar uma falsa realidade para a mulher, na qual o país continua separado.



Hoje se comemora os 25 anos da queda do Muro de Berlim. É inadmissível que haja a separação e segregação de pessoas e a privação de liberdade de ir e vir de um povo.


Fontes
Google Imagens

terça-feira, 21 de outubro de 2014

DESEJO AJUDAR...


Charles Chaplin


Desejo ajudar... 

 “Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. 
Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. 
Gostaria de ajudar, se possível, judeus, gentios, negros, brancos... 
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. 
Os seres humanos são assim. 
Desejamos viver para a felicidade do próximo, não para seu infortúnio. 
Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? 
Neste mundo há espaço para todos. 
A terra que é boa e rica, pode prover a todas as necessidades. 
Caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, nos extraviamos. 
A cobiça envenenou a alma das pessoas... 
Levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e a morte. 
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. 
A máquina que produz abundância, tem-nos deixado em penúrias. 
Nossos conhecimentos fazem-nos céticos; nossa inteligência em pessoas duras e cruéis. 
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. 
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. 
Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. 
Sem essas feições a vida será de violência e tudo será perdido. 
A aviação e o rádio aproximam-nos muito mais. 
A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade da pessoa humana, um apelo à fraternidade universal, à união de todos nós. 
Neste mesmo instante minha voz chega a milhões de pessoas por este mundo afora. 
Milhões de desesperados, homens e mulheres, criancinhas, vítimas de um sistemas que tortura seres humanos e encarcera inocentes. 


Cena do filme " O Grande Ditador"


Aos que me podem ouvir, eu digo: "Não se desesperem!" 
A desgraça que tem caído sobre nós não é mais produto da cobiça em agonia, da amargura de pessoas que temem o avanço do processo humano. 
As pessoas que odeiam desaparecerão. 
Os ditadores sucumbirão e o poder que do povo foi roubado há de retornar ao povo. 
E assim, enquanto morrem pessoas, a liberdade nunca perecerá. 
Companheiros, não vos entregueis a seres humanos brutais que vos desprezam, que vos escravizam, que arregimentam as vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas ideias, os vossos sentimentos! 
Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano, que vos utilizam como carne para canhão! 
Não sois máquinas! Pessoas é que sois! 
E, com amor da humanidade em vossas almas! 
Não odieis! 
Só odeiam os que não se fazem amar, os inumanos. 
Companheiros, não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! 
No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro de vós todos! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. 
O poder de criar felicidade! 
Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... e fazê-la uma aventura maravilhosa. 
Portanto, em nome da democracia, usemos deste poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom, que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê fruto à mocidade e segurança à velhice. 
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. 
Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. 
Jamais o cumprirão! 
Os ditadores liberam-se, porém, escravizam o povo. 
Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. 
Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à aventura de todos nós. 
Em nome da democracia, unamo-nos. 
Hannah, estás me ouvindo? 
Onde te encontres, levanta os olhos! 
Vês, Hannah? 
O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! 
Estamos saindo das trevas para a Luz! 
Vamos entrando num mundo novo. 
Um mundo melhor, em que as pessoas estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. 
Ergue os olhos, Hannah! 
A alma das pessoas ganhou asas e afinal começa a voar. 
Voar para o arco-íris, para a luz da esperança. 
Ergue os olhos Hannah! 
Ergue os olhos!”


Charles Chaplin
Extraído do filme O Grande Ditador 

Cena do Filme " O Grande Ditador"


Fonte
Google Imagens