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terça-feira, 31 de julho de 2018

EMOÇÃO TAMBÉM ENVELHECE




Fonte: André Ribeiro

O envelhecimento é algo que te preocupa? Talvez você tenha medo de ficar sozinho, perder a mobilidade, surgirem rugas, aparecerem doenças, ter que diminuir o ritmo... Mas você sabia que emoção também envelhece?
Muitos sofrem de envelhecimento precoce, mas poucos se preocupam com o envelhecimento precoce da emoção. Apesar de não ser visível, ele traz consequências ainda mais graves do que os problemas físicos.
E como isso acontece? Como é possível ficarmos velhos no terreno da mente?
Uma mente turbulenta, descontrolada, que domina sua vida em vez de funcionar como sua aliada, é a responsável por esse envelhecimento.
Toda vez que hiperaceleramos os pensamentos, que alimentamos a mente hiperpensante, a emoção perde em qualidade, estabilidade e profundidade.
Aos poucos, começamos a apresentar alguns sintomas: reclamação frequente, irritabilidade diante de imprevistos, impaciência com quem pensa diferente, falta de disciplina para correr atrás dos sonhos...
Uma pessoa emocionalmente rica e jovem do ponto de vista psiquiátrico é capaz de contemplar o belo, curtir a vida, fazer das pequenas coisas um espetáculo aos olhos. Infelizmente, há jovens de 20 anos com idade emocional mais avançada do que muitos idosos de 90.
Essas pessoas têm um Eu engessado e autossabotador. São especialistas em criticar os outros, o que representa o sintoma mais evidente de uma emoção envelhecida. Querem tudo na hora. Perderam o vigor da vida.
Vários se encontram num asilo emocional. São miseráveis no território da emoção. São necessários cada vez mais estímulos, aplausos e reconhecimento para sentirmos migalhas de prazer. Passaram a mendigar o pão da felicidade.
Felizmente, a emoção humana pode e deve rejuvenescer, com a prática de estratégias inteligentes. Felizmente, podemos todos os dias relaxar e aprender a fazer muito do pouco.
E você? É um jovem ou um idoso no terreno da emoção?

Texto de Livia Teixeira
Master coach, analista comportamental e especialista em psicologia positiva.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

MOSAICO DA VIDA HUMANA



MOSAICO DE INFLUÊNCIAS

Fonte: google imagens


O mosaico é uma das mais antigas e mais belas expressões artísticas do homem. Nela, o artista compõe um minucioso e elaborado trabalho a partir de fragmentos que dão forma e beleza, possibilitando que uma imensidão de partes se tornem num todo.


Podemos fazer uma analogia do mosaico com o ser humano, pois semelhante ao mosaico, somos construídos cuidadosamente nas esferas biológica, psicológica, social e espiritual, a partir dos mais variados fragmentos de influências ao longo da nossa história de vida.


É a partir da ressignificação da nossa história pessoal que descobrimos todas as boas e más experiências vivenciadas. Descobrimos como elas nos moldaram e nos fizeram agir no mundo a partir da nossa subjetividade. É exatamente nesta perspectiva que gosto de comparar o ser humano a um “mosaico” que foi, e está sendo, cuidadosamente elaborado.


No momento presente trazemos em nós os fragmentos de cada etapa dessa delicada construção. Assim como num mosaico, somos construídos pelas mais variadas influências, algumas boas e outras nem tanto, mas que acabaram por nos modelar como indivíduos, configurando nossas crenças, nossos medos e nosso jeito singular de estar no mundo.


A boa notícia, é que no “Mosaico” da nossa vida, ele está em constante elaboração e quem dá os retoques finais e faz as correções necessárias, somos nós mesmos. Dessa forma, podemos rever nosso modo de estar no mundo, descartando nossas crenças e atitudes errôneas, avaliando de que maneira estamos respondendo às questões da vida, para assim adotar novos padrões de “beleza” em nosso comportamento.

Quando reformulamos nosso jeito de ser, podemos dar uma nova forma ao nosso “mosaico”, nos libertando dos fragmentos defeituosos, permitindo que fique em nós apenas aquilo que é belo, leve e harmonioso. Mas vale ressaltar que esse trabalho de revisão deve ser constante, pois na prática, o “mosaico humano” está em constante mutação.


A partir das correções e das novas configurações do mosaico do nosso “EU”, as pessoas notarão a nossa beleza interior (se for exterior, melhor ainda) e o seu mundo será um local mais belo e mais interessante para se viver. Seria como se artistas estivessem apresentando as suas melhores obras ao mundo.


Nessa perspectiva de influências recebidas e transmitidas, não poderia deixar de falar que você tem a chance de selecionar e carregar apenas os melhores fragmentos recebidos daquelas pessoas especiais que passaram por sua vida. Você também tem a oportunidade se eternizar a partir dos belos pedacinhos do seu “mosaico” que acabarão impregnados nas vidas de outras pessoas.


Sendo assim, elabore o seu mosaico da vida e seja você mesmo a sua melhor versão de si.


Texto de Pedro Leite.


Fonte: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/somos-um-mosaico-de-influencias/ 

sábado, 22 de abril de 2017

A IDADE DE SER FELIZ


tempo..


Existe somente uma idade para a gente ser feliz
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-los
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos

Uma só idade para a gente se encantar com a vida
e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer

Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida
à nossa própria imagem e semelhança
e sorrir e cantar e brincar e dançar
e vestir-se com todas as cores
e entregar-se a todos os amores
experimentando a vida em todos os seus sabores
sem preconceito ou pudor

Tempo de entusiasmo e de coragem
em que todo desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda a disposição de tentar algo novo,
de novo e de novo, e quantas vezes for preciso

Essa idade, tão fugaz na vida da gente,
chama-se presente,
e tem apenas a duração do instante que passa...
... doce pássaro do aqui e agora
que quando se dá por ele já partiu para nunca mais!



Geraldo Eustáquio de Souza


Fonte
Google Imagens
F

sábado, 11 de março de 2017

POEMA SOBRE SUPERAÇÃO

Ir mais além. 
Vencer um desafio,
Procurar a superação,
Escapar por um fio,
E torná-se campeão,

Superá-se em cada gesto,
Conquistar o infinito,
Ir mais alam do que o certo,
Ultrapassar o mais bonito,

Ir além da superação
E conquistar o impossível,
Ir além da imaginação
Para vencer o invencível.

Rômulo Raulino




Fonte
Google Imagens

domingo, 2 de outubro de 2016

POLÍTICA


Ainda é possível e vale a pena acreditar na política?


Certamente é possível acreditar na política e seguramente ainda vale a pena acreditar nela. Se assumirmos que política é fazer escolhas, e que uma vida plena para qualquer um de nós depende das consequências das escolhas que fazemos, seja na escolha de uma “roupa boa”, seja na escolha de um “candidato bom”, então certamente vale a pena.


É possível e vale a pena acreditar na política porque, a cada momento de nossas vidas, somos expostos ao nosso poder político, ou seja, à possibilidade de fazer escolhas. Essas vão desde escolhas momentâneas, com consequências apenas individuais e de curto prazo, como a roupa que vamos vestir, até escolhas planejadas, com consequências para a coletividade e de longo prazo, como a escolha das pessoas que vão nos representar na esfera pública. Por esse ponto de vista, até mesmo a própria opção de “não escolher” conscientemente (por exemplo, pegar a primeira roupa da pilha, votar no candidato do “santinho” que se viu jogado no chão) também é uma escolha e tem as suas consequências. E essas consequências vão nos afetar, seja individual seja coletivamente, seja na impressão que causaremos com nossa aparência, seja nos rumos que a cidade, o estado ou o país vão tomar. Então acredito que vale muito a pena refletir sobre isso e acreditar em nossas escolhas, que são o que define a política.


Também acredito que é possível e vale a pena acreditar na política porque, em nossa sociedade democrática, em que os cidadãos têm o poder de escolher seus governantes e seus representantes, existem candidatos bons, interessados no bem-estar das pessoas e no progresso de nossa cidade, estado e país. Basta observarmos as campanhas eleitorais para perceber que a turma de candidatos renova de tempos em tempos, e aparecem pessoas que ainda não se queimaram com a opinião pública, que podem ser escolhidas como nossos representantes. Além disso, o poder que o cidadão passou a ter de fiscalizar as atividades dos servidores da esfera pública vem aumentando com a adoção de tecnologias para fins de transparência. Com esses recursos, o cidadão pode continuar a fazer política muito depois das eleições, e assim pode acompanhar a atuação dos eleitos, para conferir se eram mesmo “candidatos bons” ou até que ponto o serão. Basta fazer a escolha de acreditar na política.


Assim, entendo que política é fazer escolhas, e que uma vida plena depende das consequências de nossas escolhas, seja na escolha de uma “roupa boa”, seja na escolha de um “candidato bom”. Por isso, acredito que certamente é possível acreditar na política e seguramente ainda vale a pena acreditar nela.

Aline Malanovicz


Fonte:

http://www.recantodasletras.com.br/redacoes/4022615

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

É PRECISO SABER DESLIGAR

Desligar-se do mundo



Esqueça o trânsito caótico, a urucubaca política, o tal balancete no final do ano. Deixe de lado a cobrança interna, a dívida externa, a tão eterna dúvida.
Viver é assim.
Não há como negar.
Para ficar ligado é preciso saber desligar.

Fácil?
Nem tanto.

Descobrir qual é o seu tempo é tarefa nobre: exige um grande conhecimento sobre si mesmo.
Portanto, esqueça o relógio.
Seu tempo está dentro de você.
Chega de viver com a ansiedade no colo e o celular na mão.
Não deixe a agenda ocupar, sem querer - o lugar do coração.
Respeite sua hora.
Desacelere. TURN OFF.

Mais do que correr, é preciso saber parar.
Não adianta viver no piloto-automático e deixar de sorrir. Nem tirar folga e levar uma enorme culpa dentro da mala.
O mundo lá fora exige produtividade e imediatismo.
Aqui dentro, corpo e alma pedem menos, muito menos.
Como fazer, então, para conciliar tempos tão diferentes?

A resposta não está em livros.
Mas dentro de cada um.

Quer tentar?
Respire fundo.
Desencane.

Perca seu tempo com você!
É uma responsabilidade enorme desconectar-se, eu sei.
Mas vida ao vivo é pra quem tem coragem.
Coragem de arriscar.
Cuidado em saber a hora certa de parar.

Difícil?
Pode ser.

É um exercício diário que exige confiança e um amor incondicional por tudo o que somos e acreditamos.
Uma aceitação suave dos próprios defeitos, um rir de si mesmo, um desaprender contínuo, um aprender sem fim sobre o que queremos da vida.
Não importa se tudo parecer errado e o mundo virar a cara para você.

Esqueça.
Se esqueça.
Hora de se perdoar.
RENASÇA.

Eu sei pouca coisa da vida, mas uma frase eu sigo à risca: é preciso respeitar o próprio tempo.
E eu respeito!
Acredito no que diz o silêncio na hora em que a mente cala.
E meu silêncio - que não é mudo e também escreve - dita com voz desafiante: confie em si mesma.

Quebre a rigidez.
Ouse.
Brinque.
Viva com mais leveza.

E - por favor - desligue-se.
Só assim você vai transformar vida em letra e letra em vida.
E ter coragem e fôlego pra ser VOCÊ, no momento em que o mundo te atropelar sem licença e disser:
CHEGOU A HORA!


Fernanda Mello



Fontes:
Google Imagens
Texto O Pensador

sábado, 26 de dezembro de 2015

CONSTRUIR O CONHECER...





"Conhecemos os provincianos por seu modo de conhecimento... tem pessoas que não mudam, não querem mudar seu conhecimento... 

O HOMEM MIGRANTE ESTÁ ENTRE OS CONHECIMENTOS QUE ELE ABANDONA E AQUELES CONHECIMENTOS QUE NÃO ADQUIRIU AINDA... 

É governado pela pergunta. 

ELE HABITA O INTERVALO. 

O conhecimento MIGRATÓRIO lida com os SEGREDOS (aquilo que está por trás de uma pessoa). 

Qual o segredo?
O que faz migrar?

O poder de sedução de um segredo! Emissão de signos secretos que estão em volta dos segredos. Simpatia por... É o que move alguém a conhecer.



CONHECIMENTO MIGRATÓRIO é uma relação afetiva, de simpatia. É conhecer o que passa no interior e considerar o segredo uma interioridade que me escapa... um mundo  diferente do meu. 

Alinhando os afetos, posso ser um outro através do outro. Torno-me um outro por meio de outra pessoa. Nunca migramos sozinhos, sempre há alguém que simpatizamos. Conhecemos por intermédio do outro. Não me fusiono com esse outro, mas me torno um outro por meio dele e o outro se torna um outro por meu intermédio.

Afetação.
Uma ordem rítmica. 
Reencontrar o ritmo de outrem. 

Não conhecemos o outro por sua história, mas PELOS MOVIMENTOS QUE ELE PODE FAZER. Para CONHECER, o verbo é SEGUIR (algo que se produz). 

É a tonalidade, o tom, do outro em mim, não vibrando em uníssono, mas em eco. 

Por isso, seguir para conhecer. Simpatia, colocar-se no mesmo nível, mesmo plano do outro, comum entre nós, onde podemos nos compreender, um ritmo comum, mesma tonalidade, mesmo tom?

Em que registros o outro está atuando? 

Atmosfera... Que tonalidade você viveu sua vida? (Os celibatários de Henry James e o sistema do tarde demais...). 

O outro é um segredo. Tentar saber qual é o segredo.

Qual é o ponto de vista que está atrás do enunciado?

Para saber precisamos reunir outros signos... a partir de mim, em que nível em mim, há a variação de... Conhecer é traçar linhas em ziguezague,  de ambulantes, que ligam e podem criar novas realidades, novas verdades. 

A TRANSFORMAÇÃO SEMPRE VEM DO EXTERIOR E NUNCA DO INTERIOR... SE DÁ PELA AFETAÇÃO EXTERIOR.”






David Lapoujade, SESC/SP



Fonte
Google Imagens

METÁFORA DO ESCRITOR POR ELE MESMO

A incrível história do homem que entrou na sua própria cabeça


Ou a incrível metáfora do escritor por ele mesmo

Por Sergio Trentin
Posted: 21 Jun 2015 


Essa história se passa em uma floresta cheia de mágica. Ou em uma cidade caótica. Ou nos fundos de uma cafeteria. Ou na página em branco do jornal de ontem. É a metáfora dela mesma. A metáfora por si só. A metametáfora. Algo por aí, ou coisa parecida. É qualquer história. Acontece em qualquer ambiente. Pode ser o que (e como) preferir.

Essa é a incrível história do homem que descobriu como entrar na própria cabeça. Não no sentido contemplativo do ser, não durante uma meditação indiana onde abordou a excelência da alma, mas entrar na própria cabeça pelo simples fato de entrar na própria cabeça. Sem imaginar porta ou janela. Só entrando.

Mas vamos tornar as coisas mais claras. Apesar de tudo já ter começado, os fatos se desenrolaram assim:

Não abriu os olhos, mas tinha plena consciência: estava acordado. Outra vez aquele vazio no estomago o atingia às 3h da madrugada. Não era fome. Era como estar perdido em um texto com parágrafos irregulares, com certa falta de pontuação e — aparentemente — desconexo em si. Ainda de olhos fechados, imaginou-se entre uma frase curta e algumas reticências soltas.

Tentou abrir os olhos. E foi isso.

Só isso. Ele não havia buscado estado de inconsciência, sequer pretendia divagar muito sobre qualquer coisa. Estava lá, analisando as paredes ósseas do seu crânio e os tecidos — sejam quais forem — que revestem o cérebro. Piscou com força.

Estava realmente dentro da própria cabeça. Era uma miniatura completa de si, analisando o interior de uma parte. Consciente do paradoxo, passou a mão pelos fios bagunçados de cabelo. Sacudiu-se. Afinal, sempre pode ser um sonho. Podia acordar a qualquer momento. Piscou com força. Depois da segunda piscada, o ambiente neural transformara-se em uma biblioteca.

Pulou. Mas pensando inteiramente no momento da queda. Quando, com seu peso e com o bater estrondoso e firme dos pés voltaria para sua cama.

Mas nada aconteceu. Conseguiu mesmo sentir o formigamento nos pés. Incrível.

Verificou a aliança e passou a mão no rosto. Percebeu que estava sem os óculos e enxergava normalmente. Aliviou-se. Nunca usava óculos nos sonhos. Viu, então, aquele livro grosso que gostava tanto. Não conseguia lembrar o nome ou o autor. Estava ali, bem no alto de uma das milhares de estantes que seu cérebro havia se tornado.

Pulou. Dessa vez visando o topo da estante. Queria alcançar o livro. Que deslizou para a sua mão e escorregou. Acertando o dedo. Bem o dedo mindinho. “Com certeza estou acordado”, refletiu sobre a dor. Só existia dor no mundo real.

A reação dolorida combinada ao estado confuso de irrealidade fez com que surgisse sua velha amiga, a raiva. Chutou, então, o livro pra longe. E notou que era mais leve do que o volume indicava. O objeto deslizou por um longo tapete acinzentado que tomava todo o chão. Pouco antes de parar, havia se transformado em outra coisa. Uma fita VHS! Aqueles sim eram bons tempos. Voltava a se agarrar na ideia de sonho.

Correu atrás da fita. Ela ficou parada esperando.

Pegou-a. Levou até o videocassete que surgiu na altura de seu peito, na estante bem em frente.

Aquele velho barulho da fita se assentando nas engrenagens pré-tecnológicas fez com que abrisse um sorriso como há tempos não fazia.

Apertou o botão de rebobinar. Esperou que o trabalho fosse feito.

Não havia televisão. A história começou em sua cabeça (ou metacabeça) antes de apertar o play.

Estava tudo bem. Imaginava a história que acontecia em uma floresta cheia de mágica. Ou em uma cidade caótica. Ou nos fundos de uma cafeteria. Ou em uma praia florida. Ou na página em branco do jornal de ontem.

E todos esses lugares eram seus. Por ora, isso bastava.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

DEZEMBRO, QUE MAIS POSSO DIZER...




(Autor: Antonio Brás Constante)

Chegamos ao mês de dezembro, onde o fim junta-se ao início, embalado em festas e comemorações. Bebedeiras e promessas. Este é o mês onde o novo anda lado-a-lado com o velho. Mesmo nos simbolismos podemos verificar as alusões de um bebê representando o ano vindouro chegando no colo de um ancião com a faixa do ano atual, ou das figuras do nascimento de Cristo junto à imagem do bom velhinho chamado de Papai Noel.

Dezembro vem carregado de celebrações e repleto de sentimentos, tais como a paciência, necessária para enfrentar as diversas filas nas lojas, mercados, shoppings, etc. Ou o sangue-frio, para assinar o contrato de doze prestações de um dos tão sonhados eletrodomésticos que faltam em sua casa. A esperança de conseguir comprar ao menos o mínimo necessário para celebrar as datas comemorativas e se possível presentear aqueles que amamos.

Outro sentimento bem-vindo é o do bom humor para você poder rir quando perceber que todas as coisas aumentaram sessenta por cento, mas que ganharam bons descontos de até trinta por cento (no cartão) e que justamente o modelo de mercadoria que você queria acabou em todas as lojas.

Se não faltam sentimentos natalinos, acaba faltando dinheiro para comprar tudo que nos é induzido como necessário para a chegada do natal e passagem do ano novo. Na dita lista não pode faltar: lentilhas, foguetes, arranjos de todos os tipos, roupas brancas (novas) para passar o ano novo, peru para uma ceia e porco para outra. Bebidas “nobres”, como champanhe (ou sidra), etc.

Para que seu décimo terceiro salário possa dar conta do recado, jogue ele todinho na Mega Sena e reze com fé, se não der certo vá reclamar com Deus ou com Papai Noel, aproveitando que neste mês os dois estão em alta.

Falando em arranjos, como é lindo e interessante ver as decorações elaboradas para o final de ano. Muitos pinheiros, muita neve, meias penduradas em lareiras, homens fantasiados com roupas que mais parecem pijamas de inverno, andando de trenó. Tudo muito bonito, porém nada combinando com nosso clima tropical.

Mas o que mais chama a atenção é ver como as pessoas nesta época, movidas pelo espírito do natal conseguem se emocionar com as músicas e filmes sempre comoventes (esquecendo a dura realidade a sua volta e ficando indiferentes a ela). Este é um dos períodos do ano que mais atraí as pessoas para as missas e celebrações. Shoppings e igrejas cheias de pessoas bem-aventuradas que extravasam todo seu sentimento natalino, de preferência bem longe da pobreza geral. Mesmo porque para muitos, natal e pobreza não combinam.

Caso Papai Noel aparecesse em uma favela, provavelmente suas renas virariam carne assada, pediriam um resgate por ele e usariam seu trenó no “se vira nos trinta” (puxado por alguma rena guardada para o abate no ano novo). Triste destino para o bom velhinho, mas quem sabe pelo menos os brinquedos não acabariam em mãos carentes e necessitadas.


Não quero criar polêmica, só quero encerrar dizendo que este também é um mês de reflexões, de sua sogra lembrar do ótimo genro (ou nora) que ela tem. De seu vizinho reconhecer a pessoa maravilhosa que você é. De seus filhos chorarem de felicidade pelos pais que possuem. Enfim, é ora de eu também agradecer por conseguir chegar ao final do texto, lhes desejando votos de um Feliz Natal e Prospero Ano Novo.




Fontes
Google imagens
 www.abrasc.pop.com.br e www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A VIDA

Encerrando Ciclos


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. 

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? 

Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? 

A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. 

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

(Nota: o texto Encerrando Ciclos não é de Fernando Pessoa ou de Paulo Coelho)


Gloria Hurtado





Fonte
youtube


terça-feira, 21 de julho de 2015

AOS MEUS AMIGOS...




"Ei! Sorria... Mas não se esconda atrás desse sorriso...
Mostre aquilo que você é, sem medo.
Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu.
Viva! Tente! A vida não passa de uma tentativa.
Ei! Ame acima de tudo, ame a tudo e a todos.
Não feche os olhos para a sujeira do mundo, não ignore a fome!
Esqueça a bomba, mas antes, faça algo para combatê-la, mesmo que se sinta incapaz.
Procure o que há de bom em tudo e em todos.
Não faça dos defeitos uma distancia, e sim, uma aproximação.
Aceite! A vida, as pessoas, faça delas a sua razão de viver.
Entenda! Entenda as pessoas que pensam diferente de você, não as reprove.
Ei! Olhe... Olhe a sua volta, quantos amigos...
Você já tornou alguém feliz hoje?
Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?
Ei! Não corra. Para que tanta pressa? Corra apenas para dentro de você.
Sonhe! Mas não prejudique ninguém e não transforme seu sonho em fuga.
Acredite! Espere! Sempre haverá uma saída, sempre brilhará uma estrela.
Chore! Lute! Faça aquilo que gosta, sinta o que há dentro de você.
Ei! Ouça... Escute o que as outras pessoas têm a dizer, é importante.
Suba... faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo,
Mas não esqueça daqueles que não conseguem subir a escada da vida.
Ei! Descubra! Descubra aquilo que há de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente, eu também vou tentar.
Ei! Você... não vá embora.
Eu preciso dizer-lhe que... te adoro, simplesmente porque você existe".


Cristiana Passinato


Fonte
Google Imagens



sábado, 27 de junho de 2015

PÍLULAS DO GRANDE SERTÃO


Sertão


Coração de gente — o escuro, escuros.

Quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade.
Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal por principiar.
No sistema de jagunços, amigo era o braço, e o aço! 
Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios.
Ou — amigo — é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é. 
O amor? Pássaro que põe ovos de ferro. 
Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas. 
A colheita é comum, mas o capinar é sozinho.
O diabo é às brutas; mas Deus é traiçoeiro! 
O diabo na rua, no meio do redemunho.
O Arrenegado, o Cão, o Cramulhão, o Indivíduo, o Galhardo, o Pé-de-Pato, o Sujo, o Homem, o Tisnado, o Coxo, o Temba, o Azarape, o Coisa-Ruim, o Mafarro, o Pé-Preto, o Canho, o Duba-Dubá, o Rapaz, o Tristonho, o Não-sei-que-diga, O-que-nunca-se-ri, o Sem-Gracejos... Pois, não existe! E se não existe, como é que se pode se contratar pacto com ele?
Quem muito se evita, se convive. 
Julgamento é sempre defeituoso, porque o que a gente julga é o passado. 
O que lembro, tenho.
 Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende. 
Quem mói no asp'ro não fantaseia. 
Quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente. 
Vingar... É lamber, frio, o que outro cozinhou quente demais. 
Quem sabe do orgulho, quem sabe da loucura alheia?
Ser chefe — por fora um pouquinho amargo; mas, por dentro, é risonhas flores.
Um chefe carece de saber é aquilo que ele não pergunta.
Comandar é só assim: ficar quieto e ter mais coragem.
Toda saudade é uma espécie de velhice. 
Riu de me dar nojo. Mas nojo medo é, é não?
Um sentir é do sentente, mas outro é do sentidor. 
Tudo é e não é. 
Mocidade é tarefa para mais tarde se desmentir.
Sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado! 
O sertão é do tamanho do mundo. 
Sertão é dentro da gente. 
O sertão é sem lugar. 
O sertão não tem janelas, nem portas. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos governa. 
O sertão não chama ninguém às claras; mais, porém, se esconde e acena. 
O sertão é uma espera enorme. 
Sertão: quem sabe dele é urubu, gavião, gaivota, esses pássaros: eles estão sempre no alto, apalpando ares com pendurado pé, com o olhar remedindo a alegria e as misérias todas.
A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. 
A vida é muito discordada. Tem partes. Tem artes. Tem as neblinas de Siruiz. Tem as caras todas do Cão e as vertentes do viver. 
Manter firme uma opinião, na vontade do homem, em mundo transviável tão grande, é dificultoso.
Viver — não é? — é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver mesmo.
Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniões...
Feito flecha, feito fogo, feito faca.
Vi: o que guerreia é o bicho, não é o homem.
Até que, um dia, eu estava repousando, no claro estar, em rede de algodão rendada. Alegria me espertou, um pressentimento. Quando eu olhei, vinha vindo uma moça. Otacília. // Meu coração rebateu, estava dizendo que o velho era sempre novo. Afirmo ao senhor, minha Otacília ainda se orçava mais linda, me saudou com o salvável carinho, adianto de amor.




João Guimarães Rosa



Fonte
Google Imagens