segunda-feira, 30 de novembro de 2015

DEZEMBRO, QUE MAIS POSSO DIZER...




(Autor: Antonio Brás Constante)

Chegamos ao mês de dezembro, onde o fim junta-se ao início, embalado em festas e comemorações. Bebedeiras e promessas. Este é o mês onde o novo anda lado-a-lado com o velho. Mesmo nos simbolismos podemos verificar as alusões de um bebê representando o ano vindouro chegando no colo de um ancião com a faixa do ano atual, ou das figuras do nascimento de Cristo junto à imagem do bom velhinho chamado de Papai Noel.

Dezembro vem carregado de celebrações e repleto de sentimentos, tais como a paciência, necessária para enfrentar as diversas filas nas lojas, mercados, shoppings, etc. Ou o sangue-frio, para assinar o contrato de doze prestações de um dos tão sonhados eletrodomésticos que faltam em sua casa. A esperança de conseguir comprar ao menos o mínimo necessário para celebrar as datas comemorativas e se possível presentear aqueles que amamos.

Outro sentimento bem-vindo é o do bom humor para você poder rir quando perceber que todas as coisas aumentaram sessenta por cento, mas que ganharam bons descontos de até trinta por cento (no cartão) e que justamente o modelo de mercadoria que você queria acabou em todas as lojas.

Se não faltam sentimentos natalinos, acaba faltando dinheiro para comprar tudo que nos é induzido como necessário para a chegada do natal e passagem do ano novo. Na dita lista não pode faltar: lentilhas, foguetes, arranjos de todos os tipos, roupas brancas (novas) para passar o ano novo, peru para uma ceia e porco para outra. Bebidas “nobres”, como champanhe (ou sidra), etc.

Para que seu décimo terceiro salário possa dar conta do recado, jogue ele todinho na Mega Sena e reze com fé, se não der certo vá reclamar com Deus ou com Papai Noel, aproveitando que neste mês os dois estão em alta.

Falando em arranjos, como é lindo e interessante ver as decorações elaboradas para o final de ano. Muitos pinheiros, muita neve, meias penduradas em lareiras, homens fantasiados com roupas que mais parecem pijamas de inverno, andando de trenó. Tudo muito bonito, porém nada combinando com nosso clima tropical.

Mas o que mais chama a atenção é ver como as pessoas nesta época, movidas pelo espírito do natal conseguem se emocionar com as músicas e filmes sempre comoventes (esquecendo a dura realidade a sua volta e ficando indiferentes a ela). Este é um dos períodos do ano que mais atraí as pessoas para as missas e celebrações. Shoppings e igrejas cheias de pessoas bem-aventuradas que extravasam todo seu sentimento natalino, de preferência bem longe da pobreza geral. Mesmo porque para muitos, natal e pobreza não combinam.

Caso Papai Noel aparecesse em uma favela, provavelmente suas renas virariam carne assada, pediriam um resgate por ele e usariam seu trenó no “se vira nos trinta” (puxado por alguma rena guardada para o abate no ano novo). Triste destino para o bom velhinho, mas quem sabe pelo menos os brinquedos não acabariam em mãos carentes e necessitadas.


Não quero criar polêmica, só quero encerrar dizendo que este também é um mês de reflexões, de sua sogra lembrar do ótimo genro (ou nora) que ela tem. De seu vizinho reconhecer a pessoa maravilhosa que você é. De seus filhos chorarem de felicidade pelos pais que possuem. Enfim, é ora de eu também agradecer por conseguir chegar ao final do texto, lhes desejando votos de um Feliz Natal e Prospero Ano Novo.




Fontes
Google imagens
 www.abrasc.pop.com.br e www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A VIDA

Encerrando Ciclos


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. 

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? 

Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? 

A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. 

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

(Nota: o texto Encerrando Ciclos não é de Fernando Pessoa ou de Paulo Coelho)


Gloria Hurtado





Fonte
youtube