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terça-feira, 31 de julho de 2018

EMOÇÃO TAMBÉM ENVELHECE




Fonte: André Ribeiro

O envelhecimento é algo que te preocupa? Talvez você tenha medo de ficar sozinho, perder a mobilidade, surgirem rugas, aparecerem doenças, ter que diminuir o ritmo... Mas você sabia que emoção também envelhece?
Muitos sofrem de envelhecimento precoce, mas poucos se preocupam com o envelhecimento precoce da emoção. Apesar de não ser visível, ele traz consequências ainda mais graves do que os problemas físicos.
E como isso acontece? Como é possível ficarmos velhos no terreno da mente?
Uma mente turbulenta, descontrolada, que domina sua vida em vez de funcionar como sua aliada, é a responsável por esse envelhecimento.
Toda vez que hiperaceleramos os pensamentos, que alimentamos a mente hiperpensante, a emoção perde em qualidade, estabilidade e profundidade.
Aos poucos, começamos a apresentar alguns sintomas: reclamação frequente, irritabilidade diante de imprevistos, impaciência com quem pensa diferente, falta de disciplina para correr atrás dos sonhos...
Uma pessoa emocionalmente rica e jovem do ponto de vista psiquiátrico é capaz de contemplar o belo, curtir a vida, fazer das pequenas coisas um espetáculo aos olhos. Infelizmente, há jovens de 20 anos com idade emocional mais avançada do que muitos idosos de 90.
Essas pessoas têm um Eu engessado e autossabotador. São especialistas em criticar os outros, o que representa o sintoma mais evidente de uma emoção envelhecida. Querem tudo na hora. Perderam o vigor da vida.
Vários se encontram num asilo emocional. São miseráveis no território da emoção. São necessários cada vez mais estímulos, aplausos e reconhecimento para sentirmos migalhas de prazer. Passaram a mendigar o pão da felicidade.
Felizmente, a emoção humana pode e deve rejuvenescer, com a prática de estratégias inteligentes. Felizmente, podemos todos os dias relaxar e aprender a fazer muito do pouco.
E você? É um jovem ou um idoso no terreno da emoção?

Texto de Livia Teixeira
Master coach, analista comportamental e especialista em psicologia positiva.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

DIFERENÇA ENTRE DESEJO E VONTADE


Um é titubeante, incerto; outra leva a realizações.

Voar...

A Vontade é o grande dínamo da vida. É por meio dela que pomos em ação nossos pensamentos, quando queremos realizar algo. É preciso querer para transformar um simples desejo em vontade. Daí se infere que desejo e vontade são estímulos diferentes, emanados do pensamento ou de outra fonte motivadora qualquer. Não só são diferentes como até mesmo a vontade pode, e freqüentemente o faz, contrapor-se ao desejo para evitar a consumação de muitas tragédias humanas. É isso que veremos no desenvolvimento desses dois temas, tratados lado a lado e comparativamente.


O querer tem muita força, desde que lutemos pelo que queremos, enquanto o desejo não passa de um simples almejar e muitas vezes representam sonhos e fantasias inatingíveis; a vontade impulsiona soberana, a concretização de ideias e ideais. Quase sempre realizar um desejo depende do consentimento de outras pessoas, mas a vontade só depende de nós mesmos, de nosso querer.


O desejo está freqüentemente ligado aos nossos sentimentos e emoções, enquanto a vontade realizadora caminha de mãos dadas com a lógica e a razão e, por isso mesmo, é respaldada, também, pelo poder do raciocínio. Assim, é fácil entender que o desejo se consome e, enquanto não se consome, continua a nos martelar a mente, às vezes de forma quase avassaladora. A vontade é o pré-requisito das boas realizações, firma-se na ponderação e na moderação, leva a criatura ao equilíbrio no trabalho e em todos os atos de sua vida. Ela é, portanto, a pedra fundamental, o dínamo de nossos pensamentos, levando ao sucesso na vida, quando dirigida às boas ações. É forte, persuasiva, abre caminho e realiza; o desejo é titubeante, incerto e quase sempre inconsequente.
Os caminhos que a vida segue...


Há diferenças notáveis na expressão do desejo dos homens e das mulheres. Não estou me referindo ao desejo sexual, mas ao desejo de forma generalizada. Certas peculiaridades são observadas, também, nas crianças. É o que veremos, a seguir.


Nas mulheres o desejo é mais disfarçado, camuflado e, muitas vezes, indireto. É uma espécie de savoir-faire feminino, manifestado de forma tímida e acanhada. Parecem desejar menos, com menor intensidade, mas isso é ledo engano. Na
verdade, as mulheres desejam fortemente, mas sabem quando devem amoldar os seus desejos aos de outras criaturas, tentando evitar conflitos, o que nem sempre conseguem. E, se não conseguem, o mundo parece ruir a seus pés, de forma inconsolável. Sentem-se, então, como se estivessem cometendo imperdoável deslize de comportamento, podendo até sobrevir-lhes o sentimento de vergonha. Se, ao contrário, conseguem consumar o seu desejo, têm o mundo em suas mãos, chegam a sentir o cheiro da felicidade a envolvê-las completamente, da cabeça aos pés.


Nos homens o desejo é mais direto, consome-se em linha reta, sendo premente e, muitas vezes, imediato. É como se estivessem possuídos de uma imensa sede e tivessem que a 'matar' imediatamente. Não há espera, sentem-se impacientes até consumá-lo e consumi-lo. Neles, o impulso do desejo é prioritário e mais facilmente se confunde com a vontade. Quanto mais depressa puderem consumi-lo, mais depressa se desmanchará sua impaciência.



Nas crianças, o desejo pode assumir – e normalmente assume – formas impulsivas incontroláveis. Seus desejos são 'vontadezinhas' ou caprichos de comportamento, que precisam ser preenchidos na hora, sob pena de o mundo vir abaixo. São verdadeiras tiranas e exercem esse poder com desusada astúcia e artimanha. Os pais e, principalmente, as mães poderão deixar-se vencer pela persistência nas suas súplicas e choramingos, se não lhes impuserem disciplina e boa educação, com amor e firmeza. Se deixarem passar a oportunidade, acabarão fracassando na sua principal missão de ensinar e educar a criança nas regras da boa convivência, na formação da vontade e do caráter das novas gerações, tarefa que não deve ser deixada para mais tarde, a cargo dos professores, nas escolas. Estes apenas poderão completá-la, mas jamais substituir o carinho e a dedicação dos pais nessa espinhosa tarefa. A disciplina tem que ser ensinada para ser facilmente aceita, jamais imposta de forma muito severa. Do contrário, surgirão as revoltas e os primeiros vícios da conduta e formação do caráter, difíceis de ser eliminados mais tarde, quando crescidos e adultos. É óbvio que as necessidades básicas da criança terão que ser supridas dentro de um esquema disciplinado para criar hábitos salutares de vida.


Muitos adultos, principalmente mulheres que foram criadas ao sabor de seus desejos quando crianças, fazem uso de muitos artifícios trazidos da infância que tiveram, como por exemplo, o hábito de expressar muitos de seus desejos fazendo voz de criança, coisa que nenhum homem faz. É um recurso muito comum, até permitido e aceito por muitas criaturas tolerantes, em nossa sociedade. Outro hábito, muito comum nas grávidas, é o de utilizarem artifícios para satisfazer seus caprichos, convencendo seus maridos a conseguirem, muitas vezes em horários impróprios, o objeto de seus desejos. Procuram, com esse procedimento, atrair a atenção para si, de modo a suprir suas carências de afeto e aconchego, dizendo que, se não forem atendidas, a criança poderá nascer com marcas ou manchas que caracterizam os desejos não satisfeitos. Isso não passa de crendice, mas muitos maridos atendem a esses apelos.

Seguir em frente...


Um aspecto importante a considerar nesta comparação entre desejo e vontade é que a vontade sempre tem a força do espírito como fator dinâmico a acioná-la, daí usar-se freqüentemente a expressão força de vontade, que dispensa mais explicações. Esta não encontra obstáculos que não possam ser vencidos, obviamente, respeitadas as limitações humanas, que variam de indivíduo para indivíduo. Por isso mesmo, cada um deve procurar conhecer seus limites, no sentido de suas limitações realizadoras e da consciência que tem de si mesmo. A vontade, ou melhor, a força de vontade, tem o poder de controlar, de intervir e subjugar todos os atos de fraqueza e as próprias paixões que venham acometer a criatura, freando seus ímpetos e desejos inferiores e intemperados que, muitas vezes, a atingem de forma inconsciente, ou intuídos pelos espíritos inferiores que atuam na atmosfera da Terra. A atuação firme da vontade, nesses casos, é imprescindível para se contrapor e vencer dominadoramente e de forma consciente tais desejos malsãos.



A consciência de si mesmas de que as criaturas livres e esclarecidas dispõem garante, com certeza, o pleno conhecimento de suas possibilidades e de suas limitações, permitindo, através de avaliação constante e rigorosa, de auto-apreciação, proceder de forma simples, adequada e objetiva em todas as circunstâncias, transformando, assim, seus desejos em realizações efetivas, construtivas e progressistas.


Para melhor entender as principais diferenças entre desejo e vontade, devemos recorrer a alguns conceitos básicos relacionados com as principais forças motivadoras subjacentes a um e outra. Toda e qualquer criatura vive em um ambiente compartilhado por outros seres – os seus semelhantes. Todos têm percepções desse ambiente e do próprio 'eu', entendido como tal o conjunto espírito-corpo. Ora, cada uma dessas criaturas, que constituem um 'ser único', tem suficiências e deficiências ou insuficiências a preencher, dependendo do seu grau de evolução ou de espiritualidade. Às deficiências e suficiências, que são percepções próprias de cada ser, devemos agregar as perturbações resultantes do próprio 'eu' (espírito e matéria), do ambiente (forças da natureza), da relação da criatura com o ambiente e da relação das criaturas entre si.


Assim, as deficiências e perturbações são necessidades do 'eu'. As necessidades, que representam condições de insuficiência, são fundamentais no processo de atuação da vontade. A criatura precisa, inicialmente, sentir necessidade de afastar, diminuir ou corrigir certa situação e, até mesmo, adquirir determinadas 'coisas' que possam preencher suas necessidades ou satisfazer alguns desejos. Esses são sentimentos de ambição, impulsos ou ânsia de querer que são dirigidos para objetos, condições ou outras pessoas.


Neste complexo contexto, as necessidades podem ser agradáveis ou desagradáveis. Nele, os desejos surgem com relação às necessidades agradáveis e não se baseiam nas deficiências. Portanto, os desejos buscam, sempre, realizar uma satisfação, algo que nos dá prazer ou proporciona alegria, de preferência já no ato de sua realização. De outro lado, a vontade procura sempre evitar a dor e o sofrimento, e se realiza no preenchimento de nossas necessidades, porém sempre apoiada na razão, na lógica e no raciocínio.


Em alguns casos, a distinção entre desejo e vontade, na forma acima delineada, pode tornar-se bastante sutil e até confusa, porque nem todas as criaturas têm a mesma concepção de 'prazer' e de 'dor'. O grau dessa percepção é determinante na percepção entre desejo e vontade. Por exemplo, se sentimos fome, podemos aplacá-la ingerindo uma refeição apetitosa, o que nos proporciona prazer, pela satisfação desse desejo. Contudo, se tivermos a garganta inflamada, a ingestão desse alimento nos causa dor, afastando-nos do desejo de comer e, nesse caso, podemo-nos, contrapor com a vontade, rejeitando o alimento ou satisfazendo-nos com um simples prato de sopa.


O sonho e a força do querer


Desejo

• Provém de estímulos dos sentidos e das emoções.

• Precisa se consumir.

• Satisfaz caprichos e fantasias.

• Prevalecem as forças do instinto.

• É tênue e indireto.

• De regra, depende do consentimento de outras criaturas.

• Utiliza artifícios e artimanhas.

• Leva aos vícios de conduta.

• É impulsivo e de difícil controle.

• Não fortifica o caráter.

• Põe pouca força na consumação.

• Pode ser reprimido pela vontade.

• No excesso, leva ao egoísmo.

• Usa a ameaça para tentar quebrar a vontade de outrem.

• No sexo, convence através da sedução ou da força. • Quando exagerado ou muito forte leva a desejos insuperáveis e ambições desmedidas.

• É aleatório, inconstante, variável.

• É quase sempre imediatista.


Vontade


• Provém do pensamento e da razão.

• Precisa se realizar.

• Satisfaz necessidades na luta pela vida.

• Prevalecem as forças da razão e da lógica.

• É firme e direta.

• Só depende da própria criatura e do seu querer.

• Vai diretamente ao alvo.

• Não contamina nem leva a vícios.

• É racional, controlada pelo pensamento.

• Realça e fortalece o caráter.

• Exige força e luta para vencer.

• Pode sobrepor-se ao desejo, freando-o.

• Leva à ponderação e à moderação.

• Impõe-se pela autoridade moral da criatura.

• Exige parceria e reciprocidade para realizar-se.

• É sempre aferida pela razão, pelo bom senso e pela consciência de si mesmo.

• Ajusta-se às circunstâncias e objetivos.

• É persistente e exige paciência.


Poderíamos citar numerosos exemplos, aplicáveis a cada diferenciação, mas deixamos de fazê-lo, para que o leitor exercite a sua mente e trabalhe a sua memória, usando a sua própria experiência de vida.


Texto de Caruso Samuel, Filial Butantã, São Paulo, SP.

sábado, 11 de março de 2017

POEMA SOBRE SUPERAÇÃO

Ir mais além. 
Vencer um desafio,
Procurar a superação,
Escapar por um fio,
E torná-se campeão,

Superá-se em cada gesto,
Conquistar o infinito,
Ir mais alam do que o certo,
Ultrapassar o mais bonito,

Ir além da superação
E conquistar o impossível,
Ir além da imaginação
Para vencer o invencível.

Rômulo Raulino




Fonte
Google Imagens

domingo, 8 de maio de 2016

MÃE



Homenagem às mães

Mãe, amor sincero sem exagero.
Maior que o teu amor, só o amor de Deus...
És uma árvore fecunda, que germina um novo ser.
Teus filhos, mais que frutos, são parte de você...

És capaz de doar a própria vida para salva-los.
E muito não te valorizam...
Quando crescem, de te esquecem.
São poucos, os que reconhecem...

Mas, Deus nunca lhe esquecerá. 
E abençoará tudo que fizerdes aos seus...
Peço ao Pai Criador que abençoe você.
Um filho precisa ver o risco que é ser mãe...
Tudo é cirurgia, mas ela aceita com alegria.
O filho que vai nascer...

Obrigado é muito pouco, presente não é tudo.
Mas, o reconhecimento, isso! Sim, é pra valer...
Meus sinceros agradecimentos por este momento.
Maio, mês referente às mães, embora é bom lembrar...
Dia das mães, que alegria é todo dia.

(J.Bernardo)

Parabéns a minha amada e muito querida mãe, Luzia. Mesmo a senhora morando em Minas Gerais e eu no Tocantins, sempre a todo instante sinto sua presença,sua proteção, seus conselhos e suas falas. Te amo muito!

Luzia Ribeiro

Fontes:
Site O pensador
Google Imagens
Arquivo pessoal André Ribeiro

sábado, 26 de dezembro de 2015

CONSTRUIR O CONHECER...





"Conhecemos os provincianos por seu modo de conhecimento... tem pessoas que não mudam, não querem mudar seu conhecimento... 

O HOMEM MIGRANTE ESTÁ ENTRE OS CONHECIMENTOS QUE ELE ABANDONA E AQUELES CONHECIMENTOS QUE NÃO ADQUIRIU AINDA... 

É governado pela pergunta. 

ELE HABITA O INTERVALO. 

O conhecimento MIGRATÓRIO lida com os SEGREDOS (aquilo que está por trás de uma pessoa). 

Qual o segredo?
O que faz migrar?

O poder de sedução de um segredo! Emissão de signos secretos que estão em volta dos segredos. Simpatia por... É o que move alguém a conhecer.



CONHECIMENTO MIGRATÓRIO é uma relação afetiva, de simpatia. É conhecer o que passa no interior e considerar o segredo uma interioridade que me escapa... um mundo  diferente do meu. 

Alinhando os afetos, posso ser um outro através do outro. Torno-me um outro por meio de outra pessoa. Nunca migramos sozinhos, sempre há alguém que simpatizamos. Conhecemos por intermédio do outro. Não me fusiono com esse outro, mas me torno um outro por meio dele e o outro se torna um outro por meu intermédio.

Afetação.
Uma ordem rítmica. 
Reencontrar o ritmo de outrem. 

Não conhecemos o outro por sua história, mas PELOS MOVIMENTOS QUE ELE PODE FAZER. Para CONHECER, o verbo é SEGUIR (algo que se produz). 

É a tonalidade, o tom, do outro em mim, não vibrando em uníssono, mas em eco. 

Por isso, seguir para conhecer. Simpatia, colocar-se no mesmo nível, mesmo plano do outro, comum entre nós, onde podemos nos compreender, um ritmo comum, mesma tonalidade, mesmo tom?

Em que registros o outro está atuando? 

Atmosfera... Que tonalidade você viveu sua vida? (Os celibatários de Henry James e o sistema do tarde demais...). 

O outro é um segredo. Tentar saber qual é o segredo.

Qual é o ponto de vista que está atrás do enunciado?

Para saber precisamos reunir outros signos... a partir de mim, em que nível em mim, há a variação de... Conhecer é traçar linhas em ziguezague,  de ambulantes, que ligam e podem criar novas realidades, novas verdades. 

A TRANSFORMAÇÃO SEMPRE VEM DO EXTERIOR E NUNCA DO INTERIOR... SE DÁ PELA AFETAÇÃO EXTERIOR.”






David Lapoujade, SESC/SP



Fonte
Google Imagens

METÁFORA DO ESCRITOR POR ELE MESMO

A incrível história do homem que entrou na sua própria cabeça


Ou a incrível metáfora do escritor por ele mesmo

Por Sergio Trentin
Posted: 21 Jun 2015 


Essa história se passa em uma floresta cheia de mágica. Ou em uma cidade caótica. Ou nos fundos de uma cafeteria. Ou na página em branco do jornal de ontem. É a metáfora dela mesma. A metáfora por si só. A metametáfora. Algo por aí, ou coisa parecida. É qualquer história. Acontece em qualquer ambiente. Pode ser o que (e como) preferir.

Essa é a incrível história do homem que descobriu como entrar na própria cabeça. Não no sentido contemplativo do ser, não durante uma meditação indiana onde abordou a excelência da alma, mas entrar na própria cabeça pelo simples fato de entrar na própria cabeça. Sem imaginar porta ou janela. Só entrando.

Mas vamos tornar as coisas mais claras. Apesar de tudo já ter começado, os fatos se desenrolaram assim:

Não abriu os olhos, mas tinha plena consciência: estava acordado. Outra vez aquele vazio no estomago o atingia às 3h da madrugada. Não era fome. Era como estar perdido em um texto com parágrafos irregulares, com certa falta de pontuação e — aparentemente — desconexo em si. Ainda de olhos fechados, imaginou-se entre uma frase curta e algumas reticências soltas.

Tentou abrir os olhos. E foi isso.

Só isso. Ele não havia buscado estado de inconsciência, sequer pretendia divagar muito sobre qualquer coisa. Estava lá, analisando as paredes ósseas do seu crânio e os tecidos — sejam quais forem — que revestem o cérebro. Piscou com força.

Estava realmente dentro da própria cabeça. Era uma miniatura completa de si, analisando o interior de uma parte. Consciente do paradoxo, passou a mão pelos fios bagunçados de cabelo. Sacudiu-se. Afinal, sempre pode ser um sonho. Podia acordar a qualquer momento. Piscou com força. Depois da segunda piscada, o ambiente neural transformara-se em uma biblioteca.

Pulou. Mas pensando inteiramente no momento da queda. Quando, com seu peso e com o bater estrondoso e firme dos pés voltaria para sua cama.

Mas nada aconteceu. Conseguiu mesmo sentir o formigamento nos pés. Incrível.

Verificou a aliança e passou a mão no rosto. Percebeu que estava sem os óculos e enxergava normalmente. Aliviou-se. Nunca usava óculos nos sonhos. Viu, então, aquele livro grosso que gostava tanto. Não conseguia lembrar o nome ou o autor. Estava ali, bem no alto de uma das milhares de estantes que seu cérebro havia se tornado.

Pulou. Dessa vez visando o topo da estante. Queria alcançar o livro. Que deslizou para a sua mão e escorregou. Acertando o dedo. Bem o dedo mindinho. “Com certeza estou acordado”, refletiu sobre a dor. Só existia dor no mundo real.

A reação dolorida combinada ao estado confuso de irrealidade fez com que surgisse sua velha amiga, a raiva. Chutou, então, o livro pra longe. E notou que era mais leve do que o volume indicava. O objeto deslizou por um longo tapete acinzentado que tomava todo o chão. Pouco antes de parar, havia se transformado em outra coisa. Uma fita VHS! Aqueles sim eram bons tempos. Voltava a se agarrar na ideia de sonho.

Correu atrás da fita. Ela ficou parada esperando.

Pegou-a. Levou até o videocassete que surgiu na altura de seu peito, na estante bem em frente.

Aquele velho barulho da fita se assentando nas engrenagens pré-tecnológicas fez com que abrisse um sorriso como há tempos não fazia.

Apertou o botão de rebobinar. Esperou que o trabalho fosse feito.

Não havia televisão. A história começou em sua cabeça (ou metacabeça) antes de apertar o play.

Estava tudo bem. Imaginava a história que acontecia em uma floresta cheia de mágica. Ou em uma cidade caótica. Ou nos fundos de uma cafeteria. Ou em uma praia florida. Ou na página em branco do jornal de ontem.

E todos esses lugares eram seus. Por ora, isso bastava.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

DEZEMBRO, QUE MAIS POSSO DIZER...




(Autor: Antonio Brás Constante)

Chegamos ao mês de dezembro, onde o fim junta-se ao início, embalado em festas e comemorações. Bebedeiras e promessas. Este é o mês onde o novo anda lado-a-lado com o velho. Mesmo nos simbolismos podemos verificar as alusões de um bebê representando o ano vindouro chegando no colo de um ancião com a faixa do ano atual, ou das figuras do nascimento de Cristo junto à imagem do bom velhinho chamado de Papai Noel.

Dezembro vem carregado de celebrações e repleto de sentimentos, tais como a paciência, necessária para enfrentar as diversas filas nas lojas, mercados, shoppings, etc. Ou o sangue-frio, para assinar o contrato de doze prestações de um dos tão sonhados eletrodomésticos que faltam em sua casa. A esperança de conseguir comprar ao menos o mínimo necessário para celebrar as datas comemorativas e se possível presentear aqueles que amamos.

Outro sentimento bem-vindo é o do bom humor para você poder rir quando perceber que todas as coisas aumentaram sessenta por cento, mas que ganharam bons descontos de até trinta por cento (no cartão) e que justamente o modelo de mercadoria que você queria acabou em todas as lojas.

Se não faltam sentimentos natalinos, acaba faltando dinheiro para comprar tudo que nos é induzido como necessário para a chegada do natal e passagem do ano novo. Na dita lista não pode faltar: lentilhas, foguetes, arranjos de todos os tipos, roupas brancas (novas) para passar o ano novo, peru para uma ceia e porco para outra. Bebidas “nobres”, como champanhe (ou sidra), etc.

Para que seu décimo terceiro salário possa dar conta do recado, jogue ele todinho na Mega Sena e reze com fé, se não der certo vá reclamar com Deus ou com Papai Noel, aproveitando que neste mês os dois estão em alta.

Falando em arranjos, como é lindo e interessante ver as decorações elaboradas para o final de ano. Muitos pinheiros, muita neve, meias penduradas em lareiras, homens fantasiados com roupas que mais parecem pijamas de inverno, andando de trenó. Tudo muito bonito, porém nada combinando com nosso clima tropical.

Mas o que mais chama a atenção é ver como as pessoas nesta época, movidas pelo espírito do natal conseguem se emocionar com as músicas e filmes sempre comoventes (esquecendo a dura realidade a sua volta e ficando indiferentes a ela). Este é um dos períodos do ano que mais atraí as pessoas para as missas e celebrações. Shoppings e igrejas cheias de pessoas bem-aventuradas que extravasam todo seu sentimento natalino, de preferência bem longe da pobreza geral. Mesmo porque para muitos, natal e pobreza não combinam.

Caso Papai Noel aparecesse em uma favela, provavelmente suas renas virariam carne assada, pediriam um resgate por ele e usariam seu trenó no “se vira nos trinta” (puxado por alguma rena guardada para o abate no ano novo). Triste destino para o bom velhinho, mas quem sabe pelo menos os brinquedos não acabariam em mãos carentes e necessitadas.


Não quero criar polêmica, só quero encerrar dizendo que este também é um mês de reflexões, de sua sogra lembrar do ótimo genro (ou nora) que ela tem. De seu vizinho reconhecer a pessoa maravilhosa que você é. De seus filhos chorarem de felicidade pelos pais que possuem. Enfim, é ora de eu também agradecer por conseguir chegar ao final do texto, lhes desejando votos de um Feliz Natal e Prospero Ano Novo.




Fontes
Google imagens
 www.abrasc.pop.com.br e www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A VIDA

Encerrando Ciclos


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. 

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? 

Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? 

A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. 

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

(Nota: o texto Encerrando Ciclos não é de Fernando Pessoa ou de Paulo Coelho)


Gloria Hurtado





Fonte
youtube


terça-feira, 21 de julho de 2015

AOS MEUS AMIGOS...




"Ei! Sorria... Mas não se esconda atrás desse sorriso...
Mostre aquilo que você é, sem medo.
Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu.
Viva! Tente! A vida não passa de uma tentativa.
Ei! Ame acima de tudo, ame a tudo e a todos.
Não feche os olhos para a sujeira do mundo, não ignore a fome!
Esqueça a bomba, mas antes, faça algo para combatê-la, mesmo que se sinta incapaz.
Procure o que há de bom em tudo e em todos.
Não faça dos defeitos uma distancia, e sim, uma aproximação.
Aceite! A vida, as pessoas, faça delas a sua razão de viver.
Entenda! Entenda as pessoas que pensam diferente de você, não as reprove.
Ei! Olhe... Olhe a sua volta, quantos amigos...
Você já tornou alguém feliz hoje?
Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?
Ei! Não corra. Para que tanta pressa? Corra apenas para dentro de você.
Sonhe! Mas não prejudique ninguém e não transforme seu sonho em fuga.
Acredite! Espere! Sempre haverá uma saída, sempre brilhará uma estrela.
Chore! Lute! Faça aquilo que gosta, sinta o que há dentro de você.
Ei! Ouça... Escute o que as outras pessoas têm a dizer, é importante.
Suba... faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo,
Mas não esqueça daqueles que não conseguem subir a escada da vida.
Ei! Descubra! Descubra aquilo que há de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente, eu também vou tentar.
Ei! Você... não vá embora.
Eu preciso dizer-lhe que... te adoro, simplesmente porque você existe".


Cristiana Passinato


Fonte
Google Imagens



domingo, 28 de junho de 2015

MUDANDO PARADIGMAS DA EDUCAÇÃO


 Este animação foi adaptada de uma palestra dada na RSA por Sir Ken Robinson, um especialista em educação e criatividade de renome mundial e ganhador do Prêmio Benjamin Franklin da RSA .





sábado, 23 de maio de 2015

AS TRÊS PENEIRAS

Três Peneiras


Um rapaz procurou Sócrates e disse-lhe que precisava contar-lhe algo sobre alguém. 

Sócrates ergueu os olhos do livro que estava lendo e perguntou:

- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?

- Três peneiras? - indagou o rapaz.

- Sim! A primeira peneira é a
VERDADE. O que você quer me contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer aqui mesmo. Suponhamos que seja verdade. Deve, então, passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo? Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta?


Arremata Sócrates:


- Se passou pelas três peneiras, conte!!! Tanto eu, como você e seu irmão iremos nos beneficiar.
Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos, colegas do planeta.



Sócrates



Fonte
Google Imagens