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terça-feira, 31 de julho de 2018

EMOÇÃO TAMBÉM ENVELHECE




Fonte: André Ribeiro

O envelhecimento é algo que te preocupa? Talvez você tenha medo de ficar sozinho, perder a mobilidade, surgirem rugas, aparecerem doenças, ter que diminuir o ritmo... Mas você sabia que emoção também envelhece?
Muitos sofrem de envelhecimento precoce, mas poucos se preocupam com o envelhecimento precoce da emoção. Apesar de não ser visível, ele traz consequências ainda mais graves do que os problemas físicos.
E como isso acontece? Como é possível ficarmos velhos no terreno da mente?
Uma mente turbulenta, descontrolada, que domina sua vida em vez de funcionar como sua aliada, é a responsável por esse envelhecimento.
Toda vez que hiperaceleramos os pensamentos, que alimentamos a mente hiperpensante, a emoção perde em qualidade, estabilidade e profundidade.
Aos poucos, começamos a apresentar alguns sintomas: reclamação frequente, irritabilidade diante de imprevistos, impaciência com quem pensa diferente, falta de disciplina para correr atrás dos sonhos...
Uma pessoa emocionalmente rica e jovem do ponto de vista psiquiátrico é capaz de contemplar o belo, curtir a vida, fazer das pequenas coisas um espetáculo aos olhos. Infelizmente, há jovens de 20 anos com idade emocional mais avançada do que muitos idosos de 90.
Essas pessoas têm um Eu engessado e autossabotador. São especialistas em criticar os outros, o que representa o sintoma mais evidente de uma emoção envelhecida. Querem tudo na hora. Perderam o vigor da vida.
Vários se encontram num asilo emocional. São miseráveis no território da emoção. São necessários cada vez mais estímulos, aplausos e reconhecimento para sentirmos migalhas de prazer. Passaram a mendigar o pão da felicidade.
Felizmente, a emoção humana pode e deve rejuvenescer, com a prática de estratégias inteligentes. Felizmente, podemos todos os dias relaxar e aprender a fazer muito do pouco.
E você? É um jovem ou um idoso no terreno da emoção?

Texto de Livia Teixeira
Master coach, analista comportamental e especialista em psicologia positiva.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

FOTOS CHILE - inverno

Conhecer essa país fantástico vale muito a pena.
















Tempo Bahá'i em Santiago 

Cidade de Valparaiso - litoral chileno

Cidade de Papudo - litoral chileno




Oceano Pacífico em Zapallar 





Praia em Maitencillo - litoral chileno.

Fontes das imagens: 
Autor.

DIFERENÇA ENTRE DESEJO E VONTADE


Um é titubeante, incerto; outra leva a realizações.

Voar...

A Vontade é o grande dínamo da vida. É por meio dela que pomos em ação nossos pensamentos, quando queremos realizar algo. É preciso querer para transformar um simples desejo em vontade. Daí se infere que desejo e vontade são estímulos diferentes, emanados do pensamento ou de outra fonte motivadora qualquer. Não só são diferentes como até mesmo a vontade pode, e freqüentemente o faz, contrapor-se ao desejo para evitar a consumação de muitas tragédias humanas. É isso que veremos no desenvolvimento desses dois temas, tratados lado a lado e comparativamente.


O querer tem muita força, desde que lutemos pelo que queremos, enquanto o desejo não passa de um simples almejar e muitas vezes representam sonhos e fantasias inatingíveis; a vontade impulsiona soberana, a concretização de ideias e ideais. Quase sempre realizar um desejo depende do consentimento de outras pessoas, mas a vontade só depende de nós mesmos, de nosso querer.


O desejo está freqüentemente ligado aos nossos sentimentos e emoções, enquanto a vontade realizadora caminha de mãos dadas com a lógica e a razão e, por isso mesmo, é respaldada, também, pelo poder do raciocínio. Assim, é fácil entender que o desejo se consome e, enquanto não se consome, continua a nos martelar a mente, às vezes de forma quase avassaladora. A vontade é o pré-requisito das boas realizações, firma-se na ponderação e na moderação, leva a criatura ao equilíbrio no trabalho e em todos os atos de sua vida. Ela é, portanto, a pedra fundamental, o dínamo de nossos pensamentos, levando ao sucesso na vida, quando dirigida às boas ações. É forte, persuasiva, abre caminho e realiza; o desejo é titubeante, incerto e quase sempre inconsequente.
Os caminhos que a vida segue...


Há diferenças notáveis na expressão do desejo dos homens e das mulheres. Não estou me referindo ao desejo sexual, mas ao desejo de forma generalizada. Certas peculiaridades são observadas, também, nas crianças. É o que veremos, a seguir.


Nas mulheres o desejo é mais disfarçado, camuflado e, muitas vezes, indireto. É uma espécie de savoir-faire feminino, manifestado de forma tímida e acanhada. Parecem desejar menos, com menor intensidade, mas isso é ledo engano. Na
verdade, as mulheres desejam fortemente, mas sabem quando devem amoldar os seus desejos aos de outras criaturas, tentando evitar conflitos, o que nem sempre conseguem. E, se não conseguem, o mundo parece ruir a seus pés, de forma inconsolável. Sentem-se, então, como se estivessem cometendo imperdoável deslize de comportamento, podendo até sobrevir-lhes o sentimento de vergonha. Se, ao contrário, conseguem consumar o seu desejo, têm o mundo em suas mãos, chegam a sentir o cheiro da felicidade a envolvê-las completamente, da cabeça aos pés.


Nos homens o desejo é mais direto, consome-se em linha reta, sendo premente e, muitas vezes, imediato. É como se estivessem possuídos de uma imensa sede e tivessem que a 'matar' imediatamente. Não há espera, sentem-se impacientes até consumá-lo e consumi-lo. Neles, o impulso do desejo é prioritário e mais facilmente se confunde com a vontade. Quanto mais depressa puderem consumi-lo, mais depressa se desmanchará sua impaciência.



Nas crianças, o desejo pode assumir – e normalmente assume – formas impulsivas incontroláveis. Seus desejos são 'vontadezinhas' ou caprichos de comportamento, que precisam ser preenchidos na hora, sob pena de o mundo vir abaixo. São verdadeiras tiranas e exercem esse poder com desusada astúcia e artimanha. Os pais e, principalmente, as mães poderão deixar-se vencer pela persistência nas suas súplicas e choramingos, se não lhes impuserem disciplina e boa educação, com amor e firmeza. Se deixarem passar a oportunidade, acabarão fracassando na sua principal missão de ensinar e educar a criança nas regras da boa convivência, na formação da vontade e do caráter das novas gerações, tarefa que não deve ser deixada para mais tarde, a cargo dos professores, nas escolas. Estes apenas poderão completá-la, mas jamais substituir o carinho e a dedicação dos pais nessa espinhosa tarefa. A disciplina tem que ser ensinada para ser facilmente aceita, jamais imposta de forma muito severa. Do contrário, surgirão as revoltas e os primeiros vícios da conduta e formação do caráter, difíceis de ser eliminados mais tarde, quando crescidos e adultos. É óbvio que as necessidades básicas da criança terão que ser supridas dentro de um esquema disciplinado para criar hábitos salutares de vida.


Muitos adultos, principalmente mulheres que foram criadas ao sabor de seus desejos quando crianças, fazem uso de muitos artifícios trazidos da infância que tiveram, como por exemplo, o hábito de expressar muitos de seus desejos fazendo voz de criança, coisa que nenhum homem faz. É um recurso muito comum, até permitido e aceito por muitas criaturas tolerantes, em nossa sociedade. Outro hábito, muito comum nas grávidas, é o de utilizarem artifícios para satisfazer seus caprichos, convencendo seus maridos a conseguirem, muitas vezes em horários impróprios, o objeto de seus desejos. Procuram, com esse procedimento, atrair a atenção para si, de modo a suprir suas carências de afeto e aconchego, dizendo que, se não forem atendidas, a criança poderá nascer com marcas ou manchas que caracterizam os desejos não satisfeitos. Isso não passa de crendice, mas muitos maridos atendem a esses apelos.

Seguir em frente...


Um aspecto importante a considerar nesta comparação entre desejo e vontade é que a vontade sempre tem a força do espírito como fator dinâmico a acioná-la, daí usar-se freqüentemente a expressão força de vontade, que dispensa mais explicações. Esta não encontra obstáculos que não possam ser vencidos, obviamente, respeitadas as limitações humanas, que variam de indivíduo para indivíduo. Por isso mesmo, cada um deve procurar conhecer seus limites, no sentido de suas limitações realizadoras e da consciência que tem de si mesmo. A vontade, ou melhor, a força de vontade, tem o poder de controlar, de intervir e subjugar todos os atos de fraqueza e as próprias paixões que venham acometer a criatura, freando seus ímpetos e desejos inferiores e intemperados que, muitas vezes, a atingem de forma inconsciente, ou intuídos pelos espíritos inferiores que atuam na atmosfera da Terra. A atuação firme da vontade, nesses casos, é imprescindível para se contrapor e vencer dominadoramente e de forma consciente tais desejos malsãos.



A consciência de si mesmas de que as criaturas livres e esclarecidas dispõem garante, com certeza, o pleno conhecimento de suas possibilidades e de suas limitações, permitindo, através de avaliação constante e rigorosa, de auto-apreciação, proceder de forma simples, adequada e objetiva em todas as circunstâncias, transformando, assim, seus desejos em realizações efetivas, construtivas e progressistas.


Para melhor entender as principais diferenças entre desejo e vontade, devemos recorrer a alguns conceitos básicos relacionados com as principais forças motivadoras subjacentes a um e outra. Toda e qualquer criatura vive em um ambiente compartilhado por outros seres – os seus semelhantes. Todos têm percepções desse ambiente e do próprio 'eu', entendido como tal o conjunto espírito-corpo. Ora, cada uma dessas criaturas, que constituem um 'ser único', tem suficiências e deficiências ou insuficiências a preencher, dependendo do seu grau de evolução ou de espiritualidade. Às deficiências e suficiências, que são percepções próprias de cada ser, devemos agregar as perturbações resultantes do próprio 'eu' (espírito e matéria), do ambiente (forças da natureza), da relação da criatura com o ambiente e da relação das criaturas entre si.


Assim, as deficiências e perturbações são necessidades do 'eu'. As necessidades, que representam condições de insuficiência, são fundamentais no processo de atuação da vontade. A criatura precisa, inicialmente, sentir necessidade de afastar, diminuir ou corrigir certa situação e, até mesmo, adquirir determinadas 'coisas' que possam preencher suas necessidades ou satisfazer alguns desejos. Esses são sentimentos de ambição, impulsos ou ânsia de querer que são dirigidos para objetos, condições ou outras pessoas.


Neste complexo contexto, as necessidades podem ser agradáveis ou desagradáveis. Nele, os desejos surgem com relação às necessidades agradáveis e não se baseiam nas deficiências. Portanto, os desejos buscam, sempre, realizar uma satisfação, algo que nos dá prazer ou proporciona alegria, de preferência já no ato de sua realização. De outro lado, a vontade procura sempre evitar a dor e o sofrimento, e se realiza no preenchimento de nossas necessidades, porém sempre apoiada na razão, na lógica e no raciocínio.


Em alguns casos, a distinção entre desejo e vontade, na forma acima delineada, pode tornar-se bastante sutil e até confusa, porque nem todas as criaturas têm a mesma concepção de 'prazer' e de 'dor'. O grau dessa percepção é determinante na percepção entre desejo e vontade. Por exemplo, se sentimos fome, podemos aplacá-la ingerindo uma refeição apetitosa, o que nos proporciona prazer, pela satisfação desse desejo. Contudo, se tivermos a garganta inflamada, a ingestão desse alimento nos causa dor, afastando-nos do desejo de comer e, nesse caso, podemo-nos, contrapor com a vontade, rejeitando o alimento ou satisfazendo-nos com um simples prato de sopa.


O sonho e a força do querer


Desejo

• Provém de estímulos dos sentidos e das emoções.

• Precisa se consumir.

• Satisfaz caprichos e fantasias.

• Prevalecem as forças do instinto.

• É tênue e indireto.

• De regra, depende do consentimento de outras criaturas.

• Utiliza artifícios e artimanhas.

• Leva aos vícios de conduta.

• É impulsivo e de difícil controle.

• Não fortifica o caráter.

• Põe pouca força na consumação.

• Pode ser reprimido pela vontade.

• No excesso, leva ao egoísmo.

• Usa a ameaça para tentar quebrar a vontade de outrem.

• No sexo, convence através da sedução ou da força. • Quando exagerado ou muito forte leva a desejos insuperáveis e ambições desmedidas.

• É aleatório, inconstante, variável.

• É quase sempre imediatista.


Vontade


• Provém do pensamento e da razão.

• Precisa se realizar.

• Satisfaz necessidades na luta pela vida.

• Prevalecem as forças da razão e da lógica.

• É firme e direta.

• Só depende da própria criatura e do seu querer.

• Vai diretamente ao alvo.

• Não contamina nem leva a vícios.

• É racional, controlada pelo pensamento.

• Realça e fortalece o caráter.

• Exige força e luta para vencer.

• Pode sobrepor-se ao desejo, freando-o.

• Leva à ponderação e à moderação.

• Impõe-se pela autoridade moral da criatura.

• Exige parceria e reciprocidade para realizar-se.

• É sempre aferida pela razão, pelo bom senso e pela consciência de si mesmo.

• Ajusta-se às circunstâncias e objetivos.

• É persistente e exige paciência.


Poderíamos citar numerosos exemplos, aplicáveis a cada diferenciação, mas deixamos de fazê-lo, para que o leitor exercite a sua mente e trabalhe a sua memória, usando a sua própria experiência de vida.


Texto de Caruso Samuel, Filial Butantã, São Paulo, SP.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

CAVALO BABÃO

Fonte: André Ribeiro


Fonte da Memória, em forma de uma cabeça de cavalo, é um tributo aos imigrantes e tropeiros que vinham a Curitiba para comercializar seus produtos transportados por carroças e mulas. Os animais utilizavam o bebedouro, ainda existente, no Largo da Ordem. O monumento, que marca um ciclo da história da cidade, foi instalado na Praça Garibaldi em 1995. É um trabalho, em granito e bronze, do escultor curitibano Ricardo Tod (1963-2005).
Essa escultura é apelidada pela população de “Cavalo Babão”.


Fonte: Hipismo Eco disponível em http://www.hipismoeco.com.br/blog/cavalo-babao-de-curitiba/

sábado, 26 de dezembro de 2015

CONSTRUIR O CONHECER...





"Conhecemos os provincianos por seu modo de conhecimento... tem pessoas que não mudam, não querem mudar seu conhecimento... 

O HOMEM MIGRANTE ESTÁ ENTRE OS CONHECIMENTOS QUE ELE ABANDONA E AQUELES CONHECIMENTOS QUE NÃO ADQUIRIU AINDA... 

É governado pela pergunta. 

ELE HABITA O INTERVALO. 

O conhecimento MIGRATÓRIO lida com os SEGREDOS (aquilo que está por trás de uma pessoa). 

Qual o segredo?
O que faz migrar?

O poder de sedução de um segredo! Emissão de signos secretos que estão em volta dos segredos. Simpatia por... É o que move alguém a conhecer.



CONHECIMENTO MIGRATÓRIO é uma relação afetiva, de simpatia. É conhecer o que passa no interior e considerar o segredo uma interioridade que me escapa... um mundo  diferente do meu. 

Alinhando os afetos, posso ser um outro através do outro. Torno-me um outro por meio de outra pessoa. Nunca migramos sozinhos, sempre há alguém que simpatizamos. Conhecemos por intermédio do outro. Não me fusiono com esse outro, mas me torno um outro por meio dele e o outro se torna um outro por meu intermédio.

Afetação.
Uma ordem rítmica. 
Reencontrar o ritmo de outrem. 

Não conhecemos o outro por sua história, mas PELOS MOVIMENTOS QUE ELE PODE FAZER. Para CONHECER, o verbo é SEGUIR (algo que se produz). 

É a tonalidade, o tom, do outro em mim, não vibrando em uníssono, mas em eco. 

Por isso, seguir para conhecer. Simpatia, colocar-se no mesmo nível, mesmo plano do outro, comum entre nós, onde podemos nos compreender, um ritmo comum, mesma tonalidade, mesmo tom?

Em que registros o outro está atuando? 

Atmosfera... Que tonalidade você viveu sua vida? (Os celibatários de Henry James e o sistema do tarde demais...). 

O outro é um segredo. Tentar saber qual é o segredo.

Qual é o ponto de vista que está atrás do enunciado?

Para saber precisamos reunir outros signos... a partir de mim, em que nível em mim, há a variação de... Conhecer é traçar linhas em ziguezague,  de ambulantes, que ligam e podem criar novas realidades, novas verdades. 

A TRANSFORMAÇÃO SEMPRE VEM DO EXTERIOR E NUNCA DO INTERIOR... SE DÁ PELA AFETAÇÃO EXTERIOR.”






David Lapoujade, SESC/SP



Fonte
Google Imagens

METÁFORA DO ESCRITOR POR ELE MESMO

A incrível história do homem que entrou na sua própria cabeça


Ou a incrível metáfora do escritor por ele mesmo

Por Sergio Trentin
Posted: 21 Jun 2015 


Essa história se passa em uma floresta cheia de mágica. Ou em uma cidade caótica. Ou nos fundos de uma cafeteria. Ou na página em branco do jornal de ontem. É a metáfora dela mesma. A metáfora por si só. A metametáfora. Algo por aí, ou coisa parecida. É qualquer história. Acontece em qualquer ambiente. Pode ser o que (e como) preferir.

Essa é a incrível história do homem que descobriu como entrar na própria cabeça. Não no sentido contemplativo do ser, não durante uma meditação indiana onde abordou a excelência da alma, mas entrar na própria cabeça pelo simples fato de entrar na própria cabeça. Sem imaginar porta ou janela. Só entrando.

Mas vamos tornar as coisas mais claras. Apesar de tudo já ter começado, os fatos se desenrolaram assim:

Não abriu os olhos, mas tinha plena consciência: estava acordado. Outra vez aquele vazio no estomago o atingia às 3h da madrugada. Não era fome. Era como estar perdido em um texto com parágrafos irregulares, com certa falta de pontuação e — aparentemente — desconexo em si. Ainda de olhos fechados, imaginou-se entre uma frase curta e algumas reticências soltas.

Tentou abrir os olhos. E foi isso.

Só isso. Ele não havia buscado estado de inconsciência, sequer pretendia divagar muito sobre qualquer coisa. Estava lá, analisando as paredes ósseas do seu crânio e os tecidos — sejam quais forem — que revestem o cérebro. Piscou com força.

Estava realmente dentro da própria cabeça. Era uma miniatura completa de si, analisando o interior de uma parte. Consciente do paradoxo, passou a mão pelos fios bagunçados de cabelo. Sacudiu-se. Afinal, sempre pode ser um sonho. Podia acordar a qualquer momento. Piscou com força. Depois da segunda piscada, o ambiente neural transformara-se em uma biblioteca.

Pulou. Mas pensando inteiramente no momento da queda. Quando, com seu peso e com o bater estrondoso e firme dos pés voltaria para sua cama.

Mas nada aconteceu. Conseguiu mesmo sentir o formigamento nos pés. Incrível.

Verificou a aliança e passou a mão no rosto. Percebeu que estava sem os óculos e enxergava normalmente. Aliviou-se. Nunca usava óculos nos sonhos. Viu, então, aquele livro grosso que gostava tanto. Não conseguia lembrar o nome ou o autor. Estava ali, bem no alto de uma das milhares de estantes que seu cérebro havia se tornado.

Pulou. Dessa vez visando o topo da estante. Queria alcançar o livro. Que deslizou para a sua mão e escorregou. Acertando o dedo. Bem o dedo mindinho. “Com certeza estou acordado”, refletiu sobre a dor. Só existia dor no mundo real.

A reação dolorida combinada ao estado confuso de irrealidade fez com que surgisse sua velha amiga, a raiva. Chutou, então, o livro pra longe. E notou que era mais leve do que o volume indicava. O objeto deslizou por um longo tapete acinzentado que tomava todo o chão. Pouco antes de parar, havia se transformado em outra coisa. Uma fita VHS! Aqueles sim eram bons tempos. Voltava a se agarrar na ideia de sonho.

Correu atrás da fita. Ela ficou parada esperando.

Pegou-a. Levou até o videocassete que surgiu na altura de seu peito, na estante bem em frente.

Aquele velho barulho da fita se assentando nas engrenagens pré-tecnológicas fez com que abrisse um sorriso como há tempos não fazia.

Apertou o botão de rebobinar. Esperou que o trabalho fosse feito.

Não havia televisão. A história começou em sua cabeça (ou metacabeça) antes de apertar o play.

Estava tudo bem. Imaginava a história que acontecia em uma floresta cheia de mágica. Ou em uma cidade caótica. Ou nos fundos de uma cafeteria. Ou em uma praia florida. Ou na página em branco do jornal de ontem.

E todos esses lugares eram seus. Por ora, isso bastava.

sábado, 23 de maio de 2015

AS TRÊS PENEIRAS

Três Peneiras


Um rapaz procurou Sócrates e disse-lhe que precisava contar-lhe algo sobre alguém. 

Sócrates ergueu os olhos do livro que estava lendo e perguntou:

- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?

- Três peneiras? - indagou o rapaz.

- Sim! A primeira peneira é a
VERDADE. O que você quer me contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer aqui mesmo. Suponhamos que seja verdade. Deve, então, passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo? Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta?


Arremata Sócrates:


- Se passou pelas três peneiras, conte!!! Tanto eu, como você e seu irmão iremos nos beneficiar.
Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos, colegas do planeta.



Sócrates



Fonte
Google Imagens


domingo, 2 de novembro de 2014

FINADOS


O dia de finados, é dia de reflexão, de saudade e de esperança.




A morte é ainda assunto-tabu, recalcado, silenciado. Preferimos viver como se a morte não existisse. Mas, na sociedade atual a morte é também trivializada com as guerras, calamidades, eutanásia, aborto, acidentes com auxílio da mídia. Há os que preferem fazer da morte uma experiência soft, é a “morte-soft”, relegada aos hospitais, funerárias e religiões. Aí a morte é maquiada, relativizada pelas instituições, chamada também de “morte digna”. Muitos de nós vivemos uma “vida inautêntica”, uma existência falsa porque não nos permitimos refletir e aceitar a morte.

A dura realidade é que a morte faz parte da vida, é o fim do curso vital, é uma invenção da própria vida em sua evolução. Morrer é uma experiência profundamente humana. Aliás, é a morte que confere um certo gosto e encanto à vida, pois se tudo fosse indefinidamente repetível, a vida se tornaria indiferente, insossa e até desesperadora. E então, a morte é um bem, uma manifestação da sabedoria do Criador. “Nada mais horrível que um eterno-retorno” (Sto Agostinho). Vemos assim que a morte não se opõe à vida, mas ao nascimento. A vida humana será sempre uma “vida mortal”, só na eternidade teremos uma “vida vital”.

Para os que crêem na eternidade, a morte é porta de entrada da vida, o acesso a uma realidade superior, a posse da plenitude. Assim a morte é um ganho, verdadeira libertação, uma bênção que livra a vida do tédio. Porém, do ponto de vista racional ou filosófico, a morte repugna. Budha escreveu: “O homem comum pensa com indiferença na morte de um estranho, com tristeza na morte de um parente e com horror na própria morte”. Outro pensador, Epiteto, disse: “Quando morre o filho ou a mulher do próximo, todos dizem: é a lei da humanidade. Mas, quando morre o próprio filho ou a própria mulher, o que se ouve são gemidos, gritos e lágrimas”.

A ressurreição de Jesus trouxe uma revolução em relação à morte, transformou o “poente em nascente”, Cristo “matou a morte”. Bem escreveu o poeta Turoldo: “morrer é sentir quanto é forte o abraço de Deus”. O fim transforma-se em começo e acontece um segundo nascimento, a ressurreição. “Então, descansaremos e veremos. Veremos e amaremos. Amaremos e louvaremos. Eis o que haverá no Fim que não terá fim” (Sto Agostinho). A fé nos garante que a morte não é uma aniquilação da vida, mas uma transformação. O homem vive para além da morte. Não precisa reencarnar. Creio na ressurreição da carne e no mundo que há de vir. A morte será então a maior festa da vida porque com ela dá-se o início da plena realização da pessoa humana. Habitaremos com Deus com um corpo incorruptível, espiritual e glorioso.





Com Santa Terezinha, todo cristão pode dizer: “Não morro, entro na vida”.  A morte não é apenas um fim, ela é também e principalmente um começo. É o início do dia sem ocaso, da eternidade, da plenitude da vida. A vida é imortal espiritualmente falando. Na morte chegamos a ser plenamente “ Teu rosto Senhor é nossa pátria definitiva”. No céu veremos, amaremos, louvaremos, diz Santo Agostinho. A participação na vida divina faz brotar em nossos corações, assombro e gratidão. Sem fé, porém a morte é absurdo, inimigo, derrota, ameaça, humilhação, tragédia, vazio, nada. Na fé, a morte é irmã, é condição para mais vida, é coroamento e consumação; é revelação e glória do bem.

Por fim, a morte tem um valor educativo: ensina o desapego da propriedade privada, iguala e nivela todas as classes sociais, relativiza a ambição e ganância, ensina a fraternidade universal na fragilidade da vida, convida à procriação para eternizar a vida biológica, rompe o apego a circuito fechado entre as pessoas mesmo no matrimônio, leva ao supremo conhecimento de si e oportuniza a decisão máxima e a opção fundamental da pessoa. 

Para morrer bem, é preciso viver fazendo o bem: “levaremos a vida que levamos”.  O bem é o passaporte para a eternidade feliz e o irmão que ajudamos será o avalista de nossa glória no céu: “Vinde benditos”.



Dom Girônimo Zanandréa


Fonte
Google Imagens