sexta-feira, 18 de março de 2011

Dra. Nise Yamaguchi - "Um anjo vindo do céu"



Dizer que a Dra. Nise Yamaguchi é um ser humano extraordinário significa pouco, se a gente quiser realmente fazer jus a esta Oncologista, de 51 anos, filha de imigrante japonês. Ela dorme de 3 a 5 horas por noite; fala quatro idiomas fluentemente, inclusive o alemão, e se comunica em outros 3, entre eles o japonês. É diretora do Instituto Avanços em Medicina, em São Paulo, membro do Comitê Internacional da Sociedade Americana de Oncologia Clínica e consultora do International Prevention and Research Institute, em Lyon, na França, para citar apenas algumas de suas atividades. É comum encontrá-la à uma da manhã pelos corredores do Hospital Sírio Libanês, visitando seus pacientes. Todos eles amam esta médica inquieta, cientista brilhante, que trata cada um deles “como meus heróis anônimos”. Muitos se referem a ela como “uma luz”, “um anjo vindo do céu”.



Maya Santana – O número de casos de câncer está mesmo aumentando?

R - Os casos estão aumentando, mas também estamos vivendo mais. O queacontece é que o câncer é uma doença causada por mutação de células, pela transformação do meio onde a célula está crescendo. O fato de estar havendo um crescimento do número de pacientes tem uma relação com o lado hereditário da pessoa, com o meio ambiente, o estilo de vida. Se ela fuma, bebe, pratica sexo inseguro,tendo mais infecções virais, está sujeita a diversos tipos de câncer relacionados a estes fatores, como câncer de pulmão, de estômago, de esôfago, de pâncreas, de bexiga, de colo de útero. Se ela tem obesidade, é sedentária, fabrica mais fatores semelhantes à insulina, dentre outros, e pode ter mais câncer de mama, de próstata, colon e

útero(endométrio). E há ainda a questão do excesso de fertilizantes, adubos e inseticidas usados nos alimentos. Tudo isso está ocasionando uma avalanche de fatores químicos e propiciadores de câncer para o organismo lidar.



MS – O tipo de alimentação da pessoa influencia muito…

R - O excesso de carne vermelha, de hormônios, corantes e conservantes faz com que haja mutações celulares. E os produtos industrializados, principalmente, têm muito destas substâncias. Hoje em dia, a maioria das

frutas, legumes e saladas também contêm uma quantidade muito grande de agrotóxicos. Tudo isto leva a muitas doenças, que vão sendo tratadas pela moderna medicina. Outro fato importante no aparecimento do câncer é a idade, com a diminuição de um fragmento do DNA chamado telômero e a tendência a mutações acumuladas ao longo do tempo, em diversas células do organismo, expostas a substâncias indutoras de câncer. Como estamos vivendo mais tempo, as células ficam mais expostas a mutações. Houve a época dos poetas que morriam de tuberculose com 25/30/40anos. Hoje, a expectativa de vida do brasileiro é de mais de 70 anos. E ainda o homem vive menos do que a mulher, porque se cuida menos. A saúde do homem é pior do que a da mulher.



MS – Por que o homem se cuida menos?

R - Eu acho que é porque ainda não entrou nos hábitos dele se cuidar. Ele bebe mais, fuma mais, tem mais problemas com a obesidade. É cultural. Não vai ao médico de jeito nenhum, só quando precisa. Já a mulher, vai ao ginecologista, faz a prevenção. Ele costuma ser mais sedentário. O sedentarismo cria uma

dificuldade para o organismo lidar com os estresses, porque a pessoa vai sobrecarregando o organismo em nível cardiovascular. Passa a não gastar toda a energia que consome. Hoje, consumimos mais alimentos do que o organismo precisa. Isso é incrível, porque nós temos muitas pessoas que passam fome e tantas pessoas que comem mais do que necessitam.



MS – O que nos leva a comer mais do que precisamos?

R - Além de comer para sobreviver, hoje, há muitos estímulos, excesso de oferta de alimentos. Mas, além disso, está havendo uma confusão entre afeto e comida. As pessoas não têm tempo mais para as outras. Elas não se cultivam mais e, muitas vezes, a comida entra como uma tentativa de substituir o prazer da convivência, o prazer de se sentar calmamente em torno de um fogo e conversar. Tudo se passa em torno da mesa, no almoço e no jantar. Inclusive, engole-se os problemas também. E, acaba se comendo mais. Além disto, a falta de tempo faz com que se consumam mais alimentos industrializados, com grande quantidade de sal e gordura na dieta.



MS – Há um tipo de pessoa com um perfil mais propenso a contrair o câncer?

R - Há uma grande discusssão na humanidade, se o câncer tem origem psicossomática ou não. O que nós sabemos é que ele é causado por múltiplos fatores. Tem uma parte genética, uma parte comportamental, ambiental e há uma outra que é imponderável, porque basta uma célula ter mutações graves e não ser vista pelo sistema do organismo para se tornar uma célula tumoral. Agora, será que isso é tão aleatório assim? É difícil de dizer. Mas, as nossasemoções interferem em nossa área imunológica. A depressão, a raiva, a

ansiedade e a angústia atuam nas mesmas vias que o estresse atua. A pessoa aumenta a produção de adrenalina e reduz a de serotonina, que é o hormônio do prazer.



MS – E qual é a conseqüência disso?

R - A produção excessiva de adrenalina pode aumentar a de cortisona pelas glândulas supra-renais e baixar a imunidade do organismo. Alguns estudos psicossomáticos relatam que o tipo de personalidade ou de comportamento do indivíduo pode estar mais relacionado à evolução da doença. Uma coisa que a gente sabe é que quando a pessoa já está doente, aquela que luta vai melhor; abaixo, vem aquela que nega a doença; em seguida, vem a que aceita a doença resignadamente; e, por último, a que vai pior, é aquela que

está totalmente desistente, não tem esperanças. O que quero dizer é que, estudos científicos mostram que o comportamento da pessoa frente a doença faz diferença. Uma outra coisa, é a adesão das pessoas aos

tratamentos. Quando se tem uma rede de amigos, quando se sente apoiada, quando se relaciona bem com os profissionais de saúde que estão cuidando dela, a pessoa também evolui melhor. Nós somos seres gregários, basicamente. Em todas as culturas as pessoas buscam umas às outras. E esse é um dos elementos mais importantes para se combater uma doença.



MS – É possível uma pessoa se curar, se livrar completamente de um câncer?

R - Todo câncer tem cura, quando é detectado precocemente. Isso é de extrema importância. Quando o câncer é detectado em estágios mais avançados, é preciso ressaltar que o peso dos nossos medos, das nossas angústias, ocupam um espaço muito grande em nossa psique. E muitas vezes minam a capacidade de se ir em frente. É fundamental que a pessoa tenha consciência do problema, que o enfrente adequadamente. Mas, temos que buscar ver mais acima. O ser humano precisa da esperança, senão a gente não levanta

da cama nem um dia. Se acharmos que o mundo é péssimo, que não vai melhorar, que está tudo ruim, não vamos querer sair de casa. Isso tudo se aplica no combate à doença, que exige de você o máximo que você pode dar e mais um pouco.



MS – O que se pode fazer de concreto para evitar o câncer?

R - Existe o lugar comum da prevenção. Todo mundo fala: comer várias porções de verdura, saladas e frutas; fazer exercícios, procurar o médico aos primeiros sintomas, fazer Papanicolaou, mamografia, exame de próstata, exame de intestino. Mas, por que as pessoas sabem disso e não fazem? Todo mundo sabe o que não deve fazer: não fumar, não beber, descansar, diminuir o estresse, fazer exercício. Tudo isso é absolutamente verdadeiro. Está estampado em todas as revistas, em todos os lugares.



MS – Por que as pessoas agem assim?

R - Esta é a grande questão. Por que as pessoas não fazem isso? Quais são os pontos cegos que fazem com que uma pessoa não enxergue os sintomas e fique chupando balinha para um câncer de garganta, tomando um xaropinho para um câncer de pulmão. Tomando analgésicos quando tem lesão nos ossos. O que acontece que faz com que a gente tenha uma área cega dentro de nós mesmos, que não percebe os sintomas? O que faz com que o nosso organismo não perceba uma célula doente e não se torne mais sadio? Como é que o organismo perde a auto-regulação? Para se ter saúde, precisa haver um equilíbrio perfeito do organismo em sintonia com o meio ambiente.



MS – A senhora é conhecida pela medicina humanista que pratica. Fale um pouco da maneira como lida com o paciente.

R - O que eu faço numa consulta é tentar achar junto com a pessoa do por quê a vida dela vale a pena, o significado da vida dela, para ela e para aqueles que estão em volta, para o mundo. Isso, para mim, é tão essencial quanto chegar ao diagnóstico e ao tratamento. Geralmente, eu vejo os exames antes de a pessoa entrar e já tenho uma idéia do tratamento que tenho que fazer. Eu coleto as minhas informações mas, em essência, o que quero é conhecer esta pessoa que está na minha frente. Isso é extremamente importante para o tratamento que eu vou oferecer.



MS – É um encontro terapêutico?

R - Exatamente. E esse encontro terapêutico é parte essencial do tratamento. Ele tem um efeito estimulador na psique do paciente, de diminuição dos medos, diminuição das angústias, aumentando a capacidade de

enfrentamento. Costumo dizer que os meus pacientes são os meus heróis anônimos, pela coragem de ir em frente; pela coragem de ousar. As chances de o tratamento surtir efeito são individuais, por isso, é muito importante para mim resgatar no indivíduo a vontade de viver. Se eu pudesse passar uma mensagem para as pessoas com mais de 50 anos, e para as com menos de 50 também, é que a vida vale a pena.



MS – A senhora consegue convencê-los de que vale a pena viver?

R - O que digo a eles é que temos que ser muito criativos, porque a vida exige de nós o tempo todo. Ao mesmo tempo, é uma luta prazeirosa, se soubermos olhar a paisagem; se soubermos usufruir dos contactos humanos que vamos tendo ao longo do caminho. Quando eu penso no meu dia, saindo de um hospital e entrando em outro, eu penso também nas pessoas que encontro pelos corredores, os ascensoristas, os porteiros, as atendentes da lanchonete, as copeiras. Todos nós nos olhamos, nos vemos. Eles percebem quando eu não vou, eles me cumprimentam alegremente, ajudam espontaneamente, são nutritivos para um dia conturbado.



MS – Ajudam a tornar a vida mais leve…

R - O que nós precisamos é aprender a olhar, a enxergar. Precisamos ter os olhos da alma muito abertos para conseguirmos olhar além das formas, das aparências e conectarmos com os nossos seres amados de coração para coração. Eu acho que não existe tempo, não existe espaço quando estamos conectados pelo amor. Amor é uma energia que move montanhas, nos estimula a viver, estabelece parcerias com as pessoas que vamos encontrando e que consegue tirar as pessoas de momentos tensos e graves exatamente por essa força transformadora que tem.



MS – A senhora devota a vida a este amor?

R - Sim. Amor à Ciência, ao Ser Humano, ao Conhecimento, à qualidade de vida, à possibilidade de servir, à possibilidade de atuar e modificar os ambientes. Eu acredito muito na união das pessoas. Você junta pessoas que têm capacidades intelectuais maravilhosas você vai conseguir um resultado que é diferente da somatória individual. Também é muito importante estarmos olhando para nós como indivíduos. Quais são as questões que precisamos melhorar dentro de nós para que sejamos seres humanos melhores.
 
 
 
Parabéns a Dra. Nise Yamaguchi pela grandiosa contribuição à vida!

quinta-feira, 17 de março de 2011

O Amor de Mãe é Incondicional (Imagens de hoje)

Aconteceu em um Zoológico nos Estados Unidos.






Num Zoológico na Califórnia essa Tigresa deu cria a 3 tigrinhos que infelizmente não resistiram as complicações da gravidez e morreram logo após o nascimento.

A Mãe-Tigresa depois de se recuperar do parto, começou a piorar seu estado de saúde, mesmo que fisicamente ela estivesse bem.

Os veterinários sentiram que a perda da cria causou uma profunda depressão na tigresa.

Os médicos decidiram que se a tigresa adotasse a cria de uma outra mae, talvez melhoraria.

Após checar com vários zoológicos pelo país, tiveram a triste noticia de que não havia nenhuma cria de órfãos tigrinhos na mesma idade para levar para a mãe tigresa.

Os veterinários então decidiram tentar algo que nunca teria sido tentado antes em um zoológico.

Às vezes a mãe de uma espécie cuida dos filhotes de uma diferente espécie.

Os únicos órfãos que puderam ser encontrados rapidamente foram as crias de uma porquinha.

Os funcionários do Zoológico e os veterinários

revestiram os porquinhos em pele de tigre e colocaram os bichinhos ao redor da mãe tigre.

Eles virariam a cria da tigresa ou lombinho???



AGORA POR FAVOR, ME DIGA MAIS UMA VEZ:



POR QUE O RESTO DO MUNDO NÃO PODE SE DAR BEM?



Recebi por e-mail essas belas imagens e o texto, mas não sei o autor das fotografias.

domingo, 13 de março de 2011

No decorrer de um tempo...



No decorrer de um tempo...
Aprendemos a dar valor à vida, a valorizar alguém.
Descobrimos os segredos da existência.
Uma descoberta de si mesmo.
Impulsionamo-nos na buscar por amar, num impulsionar amor inteiro.

No decorrer de um tempo...
Reviramos o passado em uma reviravolta no espaço e tempo.
No entrelaçar planos, sentidos e vida.
Nos tornamos relicário por uma paixão em uma estrada.
E no desenho traçamos nosso destino.

No decorrer de um tempo...
Vivermos em um mundo de sons e imagens.
Para contemplar sonhos e desejos.
Esses reprimidos, incompreendidos, sensatos e questionáveis.
Escrevemos nossa história para se etenizar no tempo.
Uma escrita no palco e no vento.

No decorrer de um tempo...
Transcrevemo-nos a um futuro longiquo, no entanto, perto.
Numa ressalta de incoerência profunda.
Aprendemos a sentir um pouco de nós mesmos.
E voamos! Um delírio que se sonha flutuante.

No decorrer de um tempo...
Distinguimos o bem do mal.
E nunca sobre eles, uma visão turva do dia-a-dia.
Poderíamos ir além do limite e entoar uma trilha sonora.
E esquecer o passado e os contratempos.

No decorrer de um tempo...
Dedicamo-nos a arte da solidariedade.
Um fraterno momento de ajudar.
Aprendemos a olhar para a vida com os olhos da vida.
A olhar para alguém.

No decorrer de um tempo...
Buscamos a felicidade como uma maneira de enobrecer nossa alma.
Um momento feliz e quem sabe, duradouro.
Ouviremos o cantar das águas.
Ouviremos o coração a bater, em batidas de emoção.
E com isso, lidaremos com as incertezas.

No decorrer de um tempo...
Esperamos ter descoberto o sentido da vida.
E esperar que as mais novas das novas tecnologias do mundo.
Possam despertar o descobrimento do choro da vida, a evolução de alguém.
E nossas lágrimas se escondem em um pranto real.


André H. Ribeiro


Fonte da imagem
http://blog.cancaonova.com/adrianozandona/2009/11/26/%E2%80%9Co-tempo-esta-no-homem-e-o-homem-esta-no-tempo%E2%80%9D/