domingo, 9 de novembro de 2014

CAIU O "MURO DA VERGONHA" - MURO DE BERLIM



Muro de Berlim (em alemão Berliner Mauer) era uma barreira física construída pela República Democrática Alemã (Alemanha Oriental - comunista) durante a Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental (capitalista), separando-a da Alemanha Oriental, incluindo Berlim Oriental. Este muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos ou partes: República Federal da Alemanha (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos; e a República Democrática Alemã (RDA), constituído pelos países comunistas sob julgo do regime soviético. Construído na madrugada de 13 de agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro era patrulhado por militares da Alemanha Oriental Comunista com ordens de atirar para matar (a célebre SchieBbefehl ou "Ordem 101") os que tentassem escapar, o que provocou, segundo dados do regime comunista, a morte a 80 pessoas, 112 feridos e milhares aprisionados nas diversas tentativas de fuga para o ocidente capitalista, além de separar, até sua queda, dezenas de milhares de famílias berlinenses que ficaram divididas e sem contato algum. Os números de mortos, feridos e presos é controverso pois os dados oficiais do fechado regime comunista são contestados por diversos órgãos internacionais de Direitos Humanos.



O Muro de Berlim foi o maior símbolo da divisão do mundo entre bloco ocidental e oriental. O primeiro, liderado pelos Estados Unidos, tinha o capitalismo como sistema econômico. Já o segundo, encabeçado pela antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), era adepto do socialismo.





A distinta e muito mais longa fronteira interna alemã demarcava a fronteira entre a Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental. Ambas as fronteiras passaram a simbolizar a chamada "cortina de ferro" entre a Europa Ocidental e o Bloco de Leste.





Antes da construção do Muro, 3,5 milhões de alemães orientais tinham evitado as restrições de emigração do Leste comunista e fugiram para a Alemanha Ocidental, muitos ao longo da fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental. Durante sua existência, entre 1961 e 1989, o Muro quase parou todos os movimentos de emigração e separou a Alemanha Oriental de Berlim Ocidental por mais de um quarto de século.






Durante uma onda revolucionária de libertação ao comando de Moscou que varreu o Bloco de Leste, o governo da Alemanha Oriental anunciou em 9 de novembro de 1989, após várias semanas de distúrbios civis, que todos os cidadãos da RDA poderiam visitar a Alemanha Ocidental Capitalista e Berlim Ocidental. Multidões de alemães orientais subiram e atravessaram o Muro, juntando-se aos alemães ocidentais do outro lado, em uma atmosfera de celebração. Ao longo das semanas seguintes, partes do Muro foram destruídas por um público eufórico e por caçadores de souvenirs. Mais tarde, equipamentos industriais foram usados para remover quase o todo da estrutura. A queda do Muro de Berlim abriu o caminho para a reunificação alemã que foi formalmente celebrada em 3 de outubro de 1990. Muitos apontam este momento também como o fim da Guerra Fria. O governo de Berlim incentiva a visita do muro derrubado, tendo preparado a reconstrução de trechos do muro. Além da reconstrução de alguns trechos, está marcado no chão o percurso que o muro fazia quando estava erguido.






A importância da história do muro de Berlim foi retratada por diversos cineastas. Uma obra interessante sobre o assunto é o longa-metragem Adeus, Lênin, de 2003. Na história, uma mulher entra em coma poucos dias antes da queda do muro e acorda após a vitória do capitalismo na Alemanha. Seu filho, para evitar que os problemas da mãe piorem com a brusca mudança do cenário político, conspira com amigos e familiares com o objetivo de criar uma falsa realidade para a mulher, na qual o país continua separado.



Hoje se comemora os 25 anos da queda do Muro de Berlim. É inadmissível que haja a separação e segregação de pessoas e a privação de liberdade de ir e vir de um povo.


Fontes
Google Imagens

domingo, 2 de novembro de 2014

FINADOS


O dia de finados, é dia de reflexão, de saudade e de esperança.




A morte é ainda assunto-tabu, recalcado, silenciado. Preferimos viver como se a morte não existisse. Mas, na sociedade atual a morte é também trivializada com as guerras, calamidades, eutanásia, aborto, acidentes com auxílio da mídia. Há os que preferem fazer da morte uma experiência soft, é a “morte-soft”, relegada aos hospitais, funerárias e religiões. Aí a morte é maquiada, relativizada pelas instituições, chamada também de “morte digna”. Muitos de nós vivemos uma “vida inautêntica”, uma existência falsa porque não nos permitimos refletir e aceitar a morte.

A dura realidade é que a morte faz parte da vida, é o fim do curso vital, é uma invenção da própria vida em sua evolução. Morrer é uma experiência profundamente humana. Aliás, é a morte que confere um certo gosto e encanto à vida, pois se tudo fosse indefinidamente repetível, a vida se tornaria indiferente, insossa e até desesperadora. E então, a morte é um bem, uma manifestação da sabedoria do Criador. “Nada mais horrível que um eterno-retorno” (Sto Agostinho). Vemos assim que a morte não se opõe à vida, mas ao nascimento. A vida humana será sempre uma “vida mortal”, só na eternidade teremos uma “vida vital”.

Para os que crêem na eternidade, a morte é porta de entrada da vida, o acesso a uma realidade superior, a posse da plenitude. Assim a morte é um ganho, verdadeira libertação, uma bênção que livra a vida do tédio. Porém, do ponto de vista racional ou filosófico, a morte repugna. Budha escreveu: “O homem comum pensa com indiferença na morte de um estranho, com tristeza na morte de um parente e com horror na própria morte”. Outro pensador, Epiteto, disse: “Quando morre o filho ou a mulher do próximo, todos dizem: é a lei da humanidade. Mas, quando morre o próprio filho ou a própria mulher, o que se ouve são gemidos, gritos e lágrimas”.

A ressurreição de Jesus trouxe uma revolução em relação à morte, transformou o “poente em nascente”, Cristo “matou a morte”. Bem escreveu o poeta Turoldo: “morrer é sentir quanto é forte o abraço de Deus”. O fim transforma-se em começo e acontece um segundo nascimento, a ressurreição. “Então, descansaremos e veremos. Veremos e amaremos. Amaremos e louvaremos. Eis o que haverá no Fim que não terá fim” (Sto Agostinho). A fé nos garante que a morte não é uma aniquilação da vida, mas uma transformação. O homem vive para além da morte. Não precisa reencarnar. Creio na ressurreição da carne e no mundo que há de vir. A morte será então a maior festa da vida porque com ela dá-se o início da plena realização da pessoa humana. Habitaremos com Deus com um corpo incorruptível, espiritual e glorioso.





Com Santa Terezinha, todo cristão pode dizer: “Não morro, entro na vida”.  A morte não é apenas um fim, ela é também e principalmente um começo. É o início do dia sem ocaso, da eternidade, da plenitude da vida. A vida é imortal espiritualmente falando. Na morte chegamos a ser plenamente “ Teu rosto Senhor é nossa pátria definitiva”. No céu veremos, amaremos, louvaremos, diz Santo Agostinho. A participação na vida divina faz brotar em nossos corações, assombro e gratidão. Sem fé, porém a morte é absurdo, inimigo, derrota, ameaça, humilhação, tragédia, vazio, nada. Na fé, a morte é irmã, é condição para mais vida, é coroamento e consumação; é revelação e glória do bem.

Por fim, a morte tem um valor educativo: ensina o desapego da propriedade privada, iguala e nivela todas as classes sociais, relativiza a ambição e ganância, ensina a fraternidade universal na fragilidade da vida, convida à procriação para eternizar a vida biológica, rompe o apego a circuito fechado entre as pessoas mesmo no matrimônio, leva ao supremo conhecimento de si e oportuniza a decisão máxima e a opção fundamental da pessoa. 

Para morrer bem, é preciso viver fazendo o bem: “levaremos a vida que levamos”.  O bem é o passaporte para a eternidade feliz e o irmão que ajudamos será o avalista de nossa glória no céu: “Vinde benditos”.



Dom Girônimo Zanandréa


Fonte
Google Imagens


terça-feira, 21 de outubro de 2014

DESEJO AJUDAR...


Charles Chaplin


Desejo ajudar... 

 “Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. 
Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. 
Gostaria de ajudar, se possível, judeus, gentios, negros, brancos... 
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. 
Os seres humanos são assim. 
Desejamos viver para a felicidade do próximo, não para seu infortúnio. 
Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? 
Neste mundo há espaço para todos. 
A terra que é boa e rica, pode prover a todas as necessidades. 
Caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, nos extraviamos. 
A cobiça envenenou a alma das pessoas... 
Levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e a morte. 
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. 
A máquina que produz abundância, tem-nos deixado em penúrias. 
Nossos conhecimentos fazem-nos céticos; nossa inteligência em pessoas duras e cruéis. 
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. 
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. 
Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. 
Sem essas feições a vida será de violência e tudo será perdido. 
A aviação e o rádio aproximam-nos muito mais. 
A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade da pessoa humana, um apelo à fraternidade universal, à união de todos nós. 
Neste mesmo instante minha voz chega a milhões de pessoas por este mundo afora. 
Milhões de desesperados, homens e mulheres, criancinhas, vítimas de um sistemas que tortura seres humanos e encarcera inocentes. 


Cena do filme " O Grande Ditador"


Aos que me podem ouvir, eu digo: "Não se desesperem!" 
A desgraça que tem caído sobre nós não é mais produto da cobiça em agonia, da amargura de pessoas que temem o avanço do processo humano. 
As pessoas que odeiam desaparecerão. 
Os ditadores sucumbirão e o poder que do povo foi roubado há de retornar ao povo. 
E assim, enquanto morrem pessoas, a liberdade nunca perecerá. 
Companheiros, não vos entregueis a seres humanos brutais que vos desprezam, que vos escravizam, que arregimentam as vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas ideias, os vossos sentimentos! 
Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano, que vos utilizam como carne para canhão! 
Não sois máquinas! Pessoas é que sois! 
E, com amor da humanidade em vossas almas! 
Não odieis! 
Só odeiam os que não se fazem amar, os inumanos. 
Companheiros, não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! 
No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro de vós todos! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. 
O poder de criar felicidade! 
Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... e fazê-la uma aventura maravilhosa. 
Portanto, em nome da democracia, usemos deste poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom, que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê fruto à mocidade e segurança à velhice. 
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. 
Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. 
Jamais o cumprirão! 
Os ditadores liberam-se, porém, escravizam o povo. 
Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. 
Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à aventura de todos nós. 
Em nome da democracia, unamo-nos. 
Hannah, estás me ouvindo? 
Onde te encontres, levanta os olhos! 
Vês, Hannah? 
O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! 
Estamos saindo das trevas para a Luz! 
Vamos entrando num mundo novo. 
Um mundo melhor, em que as pessoas estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. 
Ergue os olhos, Hannah! 
A alma das pessoas ganhou asas e afinal começa a voar. 
Voar para o arco-íris, para a luz da esperança. 
Ergue os olhos Hannah! 
Ergue os olhos!”


Charles Chaplin
Extraído do filme O Grande Ditador 

Cena do Filme " O Grande Ditador"


Fonte
Google Imagens