sexta-feira, 31 de agosto de 2012

SUCESSO



O QUE É TER SUCESSO PARA VOCÊ?

Sucesso 


Por Guilherme Machado   


Você já reparou como a busca pelo sucesso é uma característica marcante da nossa sociedade atual? É comum vermos cursos, palestras, livros, instituições de ensino, filmes e artigos que apresentam receitas infalíveis e que prometem a conquista do sucesso de forma rápida e garantida.

Às vezes, tenho a sensação de que somos direcionados a pensar no sucesso como se estivéssemos em um supermercado, e ali pudéssemos colocar em nosso carrinho de compras várias caixinhas de sucesso, umas para a vida pessoal, outras para a profissional e os mais diversos tipos de êxito. Você já se sentiu assim?
Ultimamente, tenho refletido muito sobre o que é ter sucesso. Mas afinal, será que conseguimos conceituar esta palavra que, aparentemente, é tão simples, mas que nos revela tantos significados?

Confesso que dar sentido à expressão “ter sucesso” não foi fácil, pois é algo tão subjetivo, que desperta em nós as mais variadas emoções e nos faz transitar por vários mundos, mundos esses que, muitas vezes, nem sabemos como nos comportar neles.

Por isso, hoje gostaria de compartilhar com vocês um pouco dessa reflexão. Cheguei à conclusão de que ter sucesso, prioritariamente, é ter a oportunidade de sermos verdadeiramente quem nós somos, sem precisarmos de máscaras ou ter que inventar personagens.

Associo sucesso à garra e força de vontade porque é cada um de nós quem deve direcionar a percepção a fim de construir os relacionamentos necessários para atingir os objetivos, para ter êxito naquilo que se propõe a realizar.

Para ter sucesso é necessário fazer uma profunda viagem para dentro de si, conhecer os limites e potencialidades que cada um possui, para, a partir daí, identificar aonde se quer chegar e criar os estímulos necessários para percorrer o caminho que levará a uma vida bem sucedida, seja ela no âmbito pessoal, social, familiar ou profissional. Você está disposto a fazer esta viagem?

Ter sucesso é valorizar cada elemento da sua vida, desde os mais simples até os maiores feitos. O fato de acordar toda manhã e perceber os sinais de vitalidade que percorrem toda a extensão corpo, mesmo em meio aos mais diferentes desafios e situações, já é uma grande realização e podemos considerar a força da vida como um sucesso.

É necessário estar sensível e valorizar esses simples êxitos para ousar projetar realizações maiores. Sem perceber essas sutilezas, esses pequenos, mas valorosos sinais de sucesso, é difícil ir em busca de novas realizações, pois ficaremos sempre preocupados em alcançar o sucesso e não conseguiremos nos envolver e aproveitar as pequenas vitórias diárias.
Em suma, estaremos obcecados por um objetivo que é ter o sucesso, mas não conseguiremos percebê-lo quando este momento chegar.

É interessante perceber que o sucesso assume várias facetas de acordo com as percepções de cada ser humano. Ele também é mutável, pois assume um significado diferente em cada momento da vida. O que era sucesso para mim há cinco anos já não tem o mesmo sentido hoje e, certamente, não terá nos próximos cinco anos futuros.

Mas uma coisa não muda, a busca pelo sucesso deve nos impulsionar a querer sempre sermos pessoas melhores, não só melhorando a nossa qualidade de vida, mas, também, a das pessoas que estão ao nosso redor.

Um sucesso, que é baseado em cima do sofrimento e do rebaixamento do outro, não garante uma felicidade plena. Somos mais bem sucedidos quando temos a oportunidade de compartilhar o nosso bem-estar com a nossa rede de relacionamentos.
Com isso, ter sucesso é também estar conectado a pessoas, é ter amigos e saber valorizar as coisas simples. 

O que parece muitas piegas é o que faz a diferença na vida de muitas pessoas.
Você já deve ter conhecido pessoas que alcançaram todos os objetivos que traçaram, mas que não eram felizes. Esta situação pode até ter acontecido com você ou com alguém muito próximo. E sabe por que isso acontece? Porque o sucesso não foi compartilhado, porque, possivelmente, a pessoa nessa situação não conseguiu saborear as pequenas vitórias que foi conquistando ao longo do caminhar.

O passar dos anos me ensinou um novo indicador sobre o que é ter sucesso. Hoje, tenho muito forte em minha vida que o meu maior sucesso é ter saúde. E quando falo em saúde, não me refiro a um corpo perfeito ou a ausência de doença, e sim a um sentido muito mais profundo que é a qualidade vida, o bem-estar e um equilíbrio saudável da minha vida.

Durante um período da minha vida, o sentido de ter sucesso estava intimamente ligado à ideia de ter dinheiro e bens materiais. E isso não é errado. Contudo, basear o seu sucesso apenas nesses elementos não é suficiente se você não tiver um equilíbrio na saúde ou se não tiver condições físicas e psicológicas para aproveitar aquilo que foi conquistado.

O que é simplesmente matéria pode nos ser tirado e todo sucesso que imaginávamos ter acaba por se transformar no oposto, ou seja, um grande fracasso.
Não quero que a partir desse artigo de hoje você se sinta como se estivesse no supermercado e perceba esta reflexão que compartilhei com vocês como mais uma caixinha de sucesso.

Na realidade, o que pretendo é contribuir para a percepção de vocês sobre a forma que o sucesso tem assumido em nossas vidas. Muitas vezes, estamos cegos por esta procura incansável que nos esquecemos de viver. Mas o tempo não volta e não temos a oportunidade de corrigir o que já está feito, mas podemos transformar o que ainda iremos realizar.

E agora, convido você também a fazer essa viagem. O que é ter sucesso para você? É possível encontrar o seu conceito de sucesso dentro das caixinhas que tentam constantemente nos vender? Compartilhe conosco a sua opinião. Muito Sucesso pra você.






Sucesso



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Fontes
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domingo, 26 de agosto de 2012

NOITES AZUIS

Sugestão de leitura:

Noites Azuis



“O que fazer quando você é a que resta? Se você é uma escritora, escreve. Agarra-se às palavras”. 
 Joan Didion






O que fazer quando você é a que resta? Se você é uma escritora, escreve. Agarra-se às palavras na tentativa de compreender o impossível, agarra-se para não afundar. Agarra-se porque é preciso enfrentar as lembranças, sempre fragmentadas, e com elas construir uma memória que faça algum sentido na paisagem devastada que agora é você. Com 1 metro e 56 centímetros e meio de altura e a silhueta de quem poderá ser levada embora na primeira brisa, Joan Didion é uma escritora feroz. Examina a si mesma sem autopiedade ou pieguice e entrega-se ao leitor com todas as suas marcas. A grandeza de seu texto está na capacidade de entrelaçar a tragédia às pequenas delicadezas do cotidiano. Como ao perceber que, por muito tempo, escrevera vendo as roupas de Quintana secar ao sol.




"Noites azuis" tem início em 26 de julho de 2010. Neste mesmo dia, sete anos antes, Quintana Roo, filha de Joan Didion com o também escritor John Gregory Dunne, se casava na catedral de são João, o Divino, em Nova York. Os jasmins em sua trança, a tatuagem da pluméria transparecendo sob o tule, os colares havaianos... detalhes simples que desencadeiam memórias vívidas da infância da jovem em Malibu, em Brentwood, e na escola, em Holmby Hills. Refletindo sobre sua filha, mas também sobre seu papel como mãe, Didion faz a pergunta que qualquer pai já se fez em algum momento da vida: eu fiz tudo o que poderia ter feito? Que detalhe passou despercebido? Que detalhe poderia fazer a diferença nos anos seguintes para evitar a fatídica saudade que hoje é sentida? Entre lembranças tocantes e, em alguns casos, dilacerantes, a escritora analisa seus próprios medos, angústias e dúvidas e, ao fazê-lo, compara sua vida ao período das chamadas noites azuis: “o oposto do declínio da claridade, mas também seu aviso".


Ao escrever sobre a vida sem John, ela alcançou uma síntese perfeita da catástrofe humana: “A vida muda num instante. Você se senta para jantar e a vida que você conhecia acaba de repente”. Era essa a tragédia inescapável, a emergência para a qual não há equipes de salvamento. O ano do pensamento mágico tornou-se um best-seller nos Estados Unidos e vendeu 100 mil exemplares no Brasil. Quintana morreria pouco antes do lançamento, depois de meses com complicações de saúde cujos detalhes Joan escolhe não explicar. Tinha 39 anos.


Ela escreve, porém. As palavras também começam a lhe escapar, ela sente que seus verbos e substantivos “não dizem o que deviam dizer ou não querem”. Mas Joan vive enquanto escreve – e escreve para saber que ainda vive. Enquanto escreve, mantém todos vivos. Um truque desesperado do ilusionista que é todo escritor, mas também um milagre humano. No livro, Quintana, John e tantos outros que povoaram o mundo de Joan Didion ainda vivem. E as noites azuis continuam lá.



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CENTRAL DO BRASIL


Minha sugestão de filme para hoje:

Central do Brasil (1998)




Talvez, um dos maiores êxitos da história do cinema nacional, o road movie do diretor Walter Salles conta a história de Dora (Fernanda Montenegro) uma mulher que trabalha na estação de trem Central do Brasil escrevendo cartas para pessoas analfabetas. Certo dia, uma de suas clientes, Ana (Soia Lira) aparece com o filho Josué (Vinícius de Oliveira) pedindo que escrevesse uma carta para o seu marido dizendo que Josué quer visitá-lo um dia. Saindo da estação, Ana morre atropelada por um ônibus e Josué, de apenas 9 anos e sem ter para onde ir, se vê forçado a morar na estação. Com pena do garoto, Dora decide ajudá-lo e levá-lo até seu pai que mora no sertão nordestino. 

Central do Brasil é um retrato sentimental do interior do país, que ao narrar as desventuras de Dora e o menino na busca emocionante pelo pai, acaba contando a história de milhões de brasileiros que estão indo e vindo pelo país a todo momento. Imigrantes que buscam uma melhor qualidade de vida, ou outros que estão indo apenas rever seus parentes. Poucos filmes conseguiram retratar com tanta beleza e emoção o interior do país, e o realismo da vida de milhares de pessoas aparentemente comuns.
É um filme que fala intensamente sobre solidariedade e generosidade, no caso, a de Dora, mas não peca em não abordar a pobreza e as dificuldades do povo nordestino, e os perigos enfrentados pelos viajantes do interior do Brasil. A fotografia, direção de arte e trilha sonora são primorosas. Ao longo do filme, é impossível não se envolver afetivamente com os personagens de Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira, tão bem construídos e interpretados.

Na época de seu lançamento, fazia anos que um filme brasileiro não alcançava tanto reconhecimento internacional. Central do Brasil foi indicado na categoria de Melhor Filme em mais de dez premiações estrangeiras, incluindo o Oscar, tendo vencido o BAFTA, o Globo de Ouro e o Urso de Ouro do Festival de Berlim de Melhor Filme Estrangeiro. A consagrada Fernanda Montenegro, celebrada como uma das melhores atrizes brasileiras, tornou-se a a primeira atriz latino-americana a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz, perdendo para Gwyneth Paltrow por Shakespeare Apaixonado (Shakespeare in Love). Ela também foi vencedora do BAFTA de Melhor Atriz e do Globo de Ouro de Melhor Atriz Estrangeira.


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