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quinta-feira, 21 de junho de 2012

15 DICAS PARA CUIDAR DO PLANETA





É possível melhorar o ambiente mudando hábitos do cotidiano. Se você seguir o roteiro abaixo [elaborado por especialistas para a revista Época], também pode colaborar. 


1 - Economize água.

2 - Prefira produtos biodegradáveis.

3 - Procure alimentos orgânicos.

4 - Consuma menos carne.

5 - Não crie animais silvestres.

6 - Cultive áreas verdes.

7 - Diminua o uso de embalagens.

8 - Leia os rótulos com atenção.

9 - Evite produtos descartáveis.

10 -Economize energia.

11 - Recicle lixo.

12 - Tenha cuidados com resíduos perigosos.

13 - Evite o transporte individual.

14 - Compre carros eficientes.

15 - Exerça seus direitos.



Texto publicado na revista Época



Fontes
Google Imagens

sábado, 16 de junho de 2012

ESTATUTO DO IDOSO E OUTRAS PROVIDÊNCIAS





Dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá outras providências.




quarta-feira, 6 de junho de 2012

A REVOLUÇÃO DARWINIANA



Obra de Xue Jive



A Revolução Darwiniana


Não há futuro num mito sagrado. Por quê? Por nossa curiosidade. […] Seja o que for que consideremos precioso, não podemos protegê-lo da nossa curiosidade porque, sendo quem somos, uma das coisas que consideramos preciosa é a verdade. O nosso amor pela verdade é sem dúvida um elemento central no sentido que damos à nossa vida. Em qualquer caso, a idéia de que possamos preservar o sentido da nossa vida à força de nos enganarmos é uma idéia mais pessimista, mais niilista do que eu, pela parte que me toca, consigo engolir. Se isso fosse o melhor que se pode fazer, concluiria que afinal nada tinha importância. […]


A nossa curiosidade sobre as coisas assume diferentes formas, como Aristóteles assinalou no tratado da ciência humana. O seu esforço pioneiro para classificá-las ainda faz muito sentido. Aristóteles identificou quatro questões básicas sobre qualquer coisa que queiramos responder, e chamou-as aitia, um termo grego verdadeiramente impossível de ser traduzido, tradicional mas desajeitadamente traduzido por quatro “causas”.


Podemos ter curiosidade sobre aquilo de que algo é feito, a sua matéria ou causa material.
Podemos ter curiosidade sobre a forma (ou estrutura ou configuração) que essa matéria assume, a sua causa formal.
Podemos ter curiosidade sobre a sua origem, como começou, ou sobre a sua causa eficiente.
Podemos ter curiosidade sobre o seu propósito ou objetivo ou finalidade (como na pergunta “Será que os fins justificam os meios?”), a que Aristóteles chamou o seu telos, que por vezes se traduz em português, desajeitadamente, como “causa final”.


É preciso alguma ginástica para fazer estas quatro aitia aristotélicas corresponderem a respostas às típicas perguntas portuguesas “o quê, onde, quando e por que”. A correspondência é apenas aproximada. As perguntas que começam com “por que”, contudo, normalmente pedem a quarta “causa” de Aristóteles, o telos de uma coisa. Por quê?, perguntamos. Para que serve? Como dizemos às vezes: qual é a sua razão de ser? Os filósofos e os cientistas reconheceram, durante centenas de anos, que estas perguntas pelo “por que” são problemáticas e de tal modo distintas que o estudo a que dão lugar merece um nome: teleologia.


Uma explicação teleológica é a que explica a existência ou ocorrência de algo fazendo apelo a um objetivo ou propósito a que a coisa serve. Os artefatos são os casos mais óbvios; o objetivo ou propósito de um artefato é a função que o seu criador concebeu para ele. Não há controvérsia sobre o telos de um martelo: serve para martelar e tirar pregos. O telos de artefatos mais complexos, como câmaras de vídeo, caminhões ou scanners é, na pior das hipóteses, mais óbvio. 


Mas mesmo nos casos mais simples, podemos ver que sempre há um problema de fundo presente:
— Por que razão estás a serrar essa tábua?
— Para fazer uma porta.
— E para que é a porta?
— Para proteger a minha casa.
— E por que razão queres proteger a tua casa?
— Para poder dormir descansado.
— E por que razão queres dormir descansado?
— Vai passear e deixa de me fazer perguntas tolas.


Essa troca de palavras revela um dos problemas da teleologia: para que isso tudo? Que causa final podemos apresentar para completar essa hierarquia de razões? Aristóteles tinha uma resposta: Deus, o Motor Imóvel, o para-quê no qual acabam todos os para-quês. A idéia, que foi aproveitada pelas tradições cristãs, judaicas e islâmicas, é que todos os nossos propósitos derivam em última análise de Deus. A idéia é sem dúvida natural e atraente. Se olharmos para um relógio e nos perguntarmos por que razão tem um vidro transparente, é óbvio que a resposta remete às necessidades e desejos das pessoas que usam relógios, que querem saber as horas olhando para o mostrador etc.. Se não fossem estes fatos sobre nós — para quem o relógio foi criado —, não haveria explicação do “por que” do vidro transparente. Se o universo foi criado por Deus para cumprir os seus propósitos, então todos os propósitos que possamos encontrar no próprio universo têm, em última análise, de estar subordinados aos propósitos de Deus. Mas quais são os propósitos de Deus? Isso é algo misterioso.


Uma maneira de afastar o desconforto acerca desse mistério é mudar ligeiramente o assunto. Em vez de responder a pergunta pelo “por que” com uma resposta do tipo “porque” (o tipo de resposta que ela parece exigir), as pessoas substituem muitas vezes a pergunta “por quê?” pela pergunta “como?”, e tentam responder esta última contando uma história sobre como Deus criou a nós e ao resto do universo, sem perder demasiado tempo com a questão de saber exatamente por que razão poderá Ele ter desejado fazer tal coisa. A pergunta pelo “como” não se encaixa na lista de Aristóteles, mas já eram perguntas e respostas populares muito antes de Aristóteles ter apresentado sua análise. As respostas às maiores perguntas pelo “como” são cosmogonias, histórias sobre como o cosmos, o universo inteiro e tudo o que ele contém, passou a existir. O livro do Gênesis é uma cosmogonia, mas há muitos outros. Os cosmólogos que exploram a hipótese do Big Bang, e que especulam sobre os buracos negros e as supercordas, são criadores atuais de cosmogonias. Nem todas as cosmogonias seguem o padrão de um artífice. Algumas envolvem um “ovo do mundo” depositado nas “Profundezas” por uma ave mítica qualquer, e outras envolvem sementes que se deitam à terra e se cuidam. A imaginação humana não dispõe de muitos recursos de que lançar mão quando se confronta com uma questão tão intrigante. Um mito antigo da criação fala de um “Senhor que existe por si” e que, “com um pensamento, criou as águas, depositando nelas uma semente que se transformou num ovo dourado, nascendo ele próprio desse ovo como Brama, o progenitor dos mundos” (Muir 1972, Vol. IV, p. 26).


E qual era o objetivo de todas essas posturas de ovos, sementeiras e construção de mundos? Ou, já agora, qual é o objetivo do Big Bang? Os cosmólogos atuais, à semelhança de muitos dos seus antecessores ao longo da história, apresentam uma história divertida, mas preferem fugir da questão teleológica do “por que”. Será que o universo existe por uma razão qualquer? Será que as razões têm um papel qualquer que se possa compreender nas explicações do cosmos? Será que algo poderia existir por uma razão, sem que se tratasse da razão de alguém? Ou será que as razões — as causas do tipo 4 de Aristóteles — só são apropriadas nas explicações das obras e feitos de pessoas ou de outros agentes racionais? Se Deus não é uma pessoa, um agente racional, um Artífice Inteligente, que sentido poderá ter a mais grandiosa pergunta pelo “por que”? E se a maior pergunta pelo “por que” não tem qualquer sentido, como poderão outras perguntas pelo “por que”, menores e mais simples, ter sentido?


Uma das contribuições fundamentais de Darwin é mostrar-nos uma nova maneira de dar sentido às perguntas pelo “por que”. Queiramos ou não, a idéia de Darwin oferece-nos uma maneira — clara, convincente e espantosamente versátil — de dissolver estes velhos enigmas. É preciso tempo para nos habituarmos à sua idéia, e ela é muitas vezes mal aplicada, mesmo pelos seus amigos mais dedicados. […] O que ganhamos é, pela primeira vez, um sistema explicativo estável que não anda às voltas nem entra numa espiral infinita de mistérios. Aparentemente, algumas pessoas preferem a regressão infinita de mistérios, mas hoje em dia o custo desta estratégia é proibitivo: deixar-se enganar. Podemos enganar a nós próprios, ou deixar essa tarefa a outras pessoas, mas não há uma forma intelectualmente defensável de reconstruir as poderosas barreiras à compreensão que Darwin derrubou.



Joildo Alexandre



Fontes
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segunda-feira, 4 de junho de 2012

A CRUELDADE HUMANA



Ser cruel...



A crueldade humana: uma primeira reflexão


Quando o escritor português José Saramago afirmou que os animais podem ser selvagens, mas que apenas o homem é cruel, ele estava chamando a atenção para um fato bastante inquietante, que subverte profundamente a imagem que temos de nós mesmos. Ele estava dizendo, da maneira mais clara e assustadora possível, que a crueldade é um fenômeno humano (e não animal). Uma afirmação que, sem dúvida alguma, põe em jogo duas certezas bastante arraigadas em nós: a de que o excesso de agressividade está relacionado à nossa herança selvagem e a de que a razão fez do homem um ser realmente superior.


De fato, do ponto de vista moral e ético, a ruptura que o homem fez com a vida natural não parece ter feito dele um ser melhor. É claro que se pode alegar que somos superiores exatamente porque somos os únicos animais capazes de desenvolver uma moral e uma ética, mas isto também não depõe muito em nosso favor, já que também somos os únicos a realmente precisar delas, já que os animais vivem integrados à natureza e nunca transgridem as suas leis. Sim, é exatamente isto: é porque os homens transgridem suas próprias leis e, sobretudo, é porque a nossa espécie é a única capaz de cometer atos bárbaros por prazer ou descaso com a dor alheia (como diz Saramago, um animal jamais tortura ou humilha o outro), que precisamos de leis que regulem a vida em sociedade. Sem dúvida, a justiça é uma necessidade, mas exatamente porque nós, os ditos “animais racionais”, ainda não aprendemos a respeitar a existência alheia.


Sem dúvida, vendo à distância o mundo humano, com tanta desigualdade, miséria, guerras, exploração e escravidão (humana e animal), é difícil acreditar que somos realmente seres racionais, compassivos e sensíveis. E, no entanto, apesar de tudo, é isto o que somos, pelo menos, potencialmente (eis porque, quando a razão e a sensibilidade se aliam no homem, ele é capaz de produzir uma existência verdadeiramente bela e ética). No entanto, o problema é que, na prática, o homem se comporta sempre aquém das suas potencialidades e aí, sim, cabe-nos perguntar por que o homem pode tanto e atinge tão pouco?

Decerto, alguns responderiam: “ele não pode: isto é uma falácia!” Outros, por sua vez, diriam: “ele pode, basta querer!” Pois tanto os primeiros quantos os segundos se equivocam: os primeiros estão mergulhados no pessimismo que, certamente, tem sua origem (até certo ponto justa) numa visão clara do que tem sido a vida humana; já os segundos são otimistas demais, acreditando que a vontade é livre o suficiente para escolher. Os dois erram, porque, de fato, o homem pode mais, mas seus valores o dirigem de tal maneira que é preciso, primeiramente, que ele se liberte de seus antigos grilhões, ou seja, que se liberte dos conceitos e das ideias que o tornam prisioneiro das circunstâncias, que o tornam passivo e resignado diante de um mundo que ele não acredita poder mudar.


Aqui entramos no cerne da questão: as sociedades se estruturaram, desde os seus primórdios, de modo a beneficiar alguns em prol de outros (eis porque, desde o início, os homens escravizam outros homens e também os animais). Esta é a origem da exploração e das desigualdades. É assim que nos acostumamos, desde cedo, a usufruir de outras vidas, aprendendo a fechar os olhos para a crueldade e para a tirania, como se elas fossem naturais em nós, quando, de fato, elas expressam o adoecimento da nossa espécie. Sim, a inversão do pensamento começa aqui: não somos primeiramente seres selvagens e maldosos que se aculturam e se tornam sublimes. Como um animal dentre outros, nós possuímos censores naturais que nos impedem de ultrapassar certos limites; mas, em sociedade, somos criados para obedecer regras inventadas pelos próprios homens e é aqui que tudo se complica e se confunde. Afinal, é a própria sociedade que nos ensina o descaso com a dor alheia, dos homens e dos animais. E, assim, como todos os demais, acabamos ou explorando os outros diretamente, e sem culpa, ou usufruindo, também sem culpa, dos benefícios da exploração. Afinal, temos o consentimento da própria sociedade para sermos pequenos tiranos.


Existe, de fato, uma razão perversa para que os homens sejam mantidos de olhos fechados. É que é preciso que eles continuem na escuridão e na servidão dos valores para que a desigualdade, a exploração, a escravidão, continuem existindo. Este é o maior de todos os atavismos humanos: aprendemos a nos beneficiar dos outros, aprendemos a ser, na verdade, imorais, antiéticos. É a nossa moral que tem sido, há milênios, uma falácia. Triste condição a nossa: somos vítimas de nossa própria inteligência superior. Na ânsia de fazermos parte do mundo, de nos integrarmos ao nosso meio social, apertamos ainda mais os nossos grilhões, tornamo-nos escravos e, ao mesmo tempo, agentes de nossa própria servidão. Servidão voluntária e até mesmo desejada, porque é mais fácil viver como todos os demais do que abrir os olhos e tomar nas mãos a própria vida.

De fato, é difícil mudar… mas andar também é e, no entanto, basta darmos os primeiros passos que os outros se seguem facilmente. Quase tudo no homem é hábito, é aprendizado. Por isto, a educação é tão fundamental e, mais ainda, uma educação que se volte para produzir um homem verdadeiramente superior, moral e eticamente falando. No fundo, por mais polêmica que pareça esta afirmação, o que resiste em nós de mais sublime é exatamente o nosso instinto mais elementar, que nos sopra aos “ouvidos” que agimos mal o tempo inteiro. É nossa saudável razão natural (como diria Nietzsche) que nos alerta, e não o que homem tem chamado de moral. Na verdade, não é nossa animalidade que precisa ser extirpada; é nossa falsa humanidade.


Sem dúvida, somos animais incríveis, somos os criadores dos mais belos conceitos e valores, mas também somos facilmente corrompidos pela ambição, pela ganância, pela vaidade e, para atingir nossas metas ilusórias de felicidade, usufruímos de outras vidas sem qualquer pudor. Com relação aos animais, esta realidade é ainda mais terrível, porque quase ninguém considera a sua dor, o seu sofrimento. É assim que milhões de vidas são brutalizadas, humilhadas, mortas todos os dias, sem qualquer piedade. É por isto que, mesmo quando somos vítimas, somos também responsáveis pela crueldade que nos atinge. Afinal, a crueldade, mais do que a racionalidade, tem sido o principal atributo do homem. Eis uma verdade dolorosa, mas que é preciso encarar se desejamos mudar o que precisa ser mudado. Na verdade, o homem não tem sido, nem de longe, o animal superior que julga ser.


Falando agora mais diretamente sobre a origem da crueldade humana, cito o grande historiador das religiões Mircea Eliade, que nos revelou algo de muito valioso em sua monumental obra “História das crenças e das ideias religiosas” (algo que endossa o que dizemos aqui a respeito do aspecto “contra-natura” da crueldade): o homem, inicialmente, não matava (nem mesmo para comer). Isto quer dizer que não somos originalmente nem carnívoros nem onívoros, e esta é uma informação que a ciência não deveria nos sonegar. Aliás, segundo as pesquisas de Eliade, toda a história posterior do homem é marcada exatamente por esta decisão que ele tomou no início dos tempos: a decisão de “matar para sobreviver”. Não vamos entrar na questão propriamente dita, falar da religião, que, segundo Eliade, está na base desta cruel decisão. Precisamos apenas entender que o homem tornou-se, de fato, o senhor da natureza, mas não por ser um animal divino ou por ser dotado de um espírito enquanto os outros seres vivos são corpos vazios; ele se tornou senhor da natureza porque tiranizou a vida, todas as vidas, inclusive a de sua própria espécie.


Sem dúvida, esta primeira violação da nossa natureza não poderia deixar de causar marcas indeléveis no homem e, assim, não parece nada equivocado concluir que este primeiro ato de barbárie deu origem a todos os demais. Afinal, o que poderia se esperar de um ser que age contra sua própria natureza? Ele só poderia adoecer, enlouquecer. Não é isto, afinal, que Nietzsche diz dos homens: que somos animais adoecidos, que perdemos nossa “saudável razão natural”? Nós nos perdemos de nós mesmos e nunca mais conseguimos nos encontrar. É isto que explica esta espera ensandecida por alguém que nos salve, que nos tire do fundo do abismo, quando, na verdade, bastaria apenas que olhássemos sem medo para dentro de nós mesmos. Sim, somos o que aprendemos, mas por baixo de todas as ideias, crenças, conceitos, existe um animal desesperado que clama por liberdade e por uma vida mais digna. A felicidade não está nos bens que se obtém no mundo, menos ainda nos que se obtém à custa da exploração e do sofrimento alheio; a felicidade está em ser pleno, forte e capaz de viver sem macular a si e aos outros. Isto, sim, chama-se respeito ao outro; não o que tem sido ensinado.


O homem inverteu a lógica da vida e assim produziu um mundo assentado na dor e no sofrimento. Sim, a vida tem dores e sofrimentos, já dizia Schopenhauer, mas o homem conseguiu multiplicá-las ao infinito. Não é a natureza que é cruel; somos nós: é isto que o homem se nega a ver. E ele vive tão imerso na dor e no sofrimento que chega mesmo a sentir-se atraído por eles; a se compor com eles, a lhes fazer elogios e a morbidamente saudá-los como inerentes à sua natureza. No entanto, a verdade é que, desde a infância, somos insensibilizados, adestrados para não reagir, para não sentir em demasia (nem amor, nem dor, nem compaixão, absolutamente nada… Descartes, de fato, confundiu as coisas: os homens é que se tornaram “máquinas sem alma”). Dito de outro modo: os sentimentos são em nós, desde cedo, aprisionados, dilacerados, considerados perigosos. Não se costuma dizer que a própria paixão é um perigo? Sim, o perigo da paixão é que ela pode nos desviar dos deveres que nos foram impostos pelo mundo; deveres aos quais aprendemos a obedecer como autômatos, mesmo quando eles nos rebaixam como seres humanos.


Dito de modo mais claro: somos escravos de um mundo que nós mesmos construímos (e cada um põe um tijolo nesta construção enquanto não desperta deste longo torpor, deste anestesiamento moral que subverte nossa natureza e nos rouba a liberdade de sermos aquilo que somos: seres verdadeiramente humanos). É assim que todo homem permanece preso num círculo vicioso, aparentemente insolúvel, até que comece a dizer “não” para a crueldade, seja ela dirigida aos outros homens ou aos outros animais (certamente, as maiores vítimas deste mundo). É um caminho árduo, sem dúvida, mas como poderia ser barato o preço da liberdade e da plenitude humana depois de tanta inversão de sentimentos e ideias?
Este é o verdadeiro começo: o primeiro “não” é sempre mais difícil, mas, depois do primeiro, outros se seguirão, e a cada “não” a nossa força aumenta, porque ela é proporcional ao nível da nossa libertação. Este é o maior legado que podemos deixar para as próximas gerações: libertar todas as vidas. Aliás, esta já é a condição para que as novas gerações sejam possíveis, porque a natureza não tolera mais a tirania humana. Ou fazemos algo agora ou é a natureza que seguirá sem nós: isto é um fato. Porque gostando ou não da ideia, não é a natureza que precisa do homem, somos nós que dependemos da natureza. Nós somos partes dela, e não o contrário. É por isto que libertar os animais é também libertar o animal humano da sua doença; é dar a ele uma nova possibilidade de existência que seja mais bela, mais ética, mais verdadeiramente racional.


Não é sem razão que Nietzsche dizia que era preciso inventar novos valores para um novo homem. Ele não chegou a pensar tão profundamente na questão dos animais; mas ele sabia que um novo homem seria aquele que recuperaria o sentido da terra e da vida. Se ele afirmou que fizemos da mentira uma verdade, isto não quer dizer que não existam verdades simplesmente, que tudo “tanto faz”. Esta interpretação já tem sua origem na nossa inversão das coisas e é bem-vinda num mundo que busca argumentos para manter-se como é. Mas nem o capitalismo, nem o comunismo, nem qualquer outro sistema será justo enquanto não formos seres verdadeiramente éticos. Nós criamos as verdades que nos interessam. São mentiras: Nietzsche tem razão. Está na hora de “inventarmos” a verdade, ou melhor, está na hora de deixarmos que ela se mostre sem mais véus e dissimulações. “Da verdade mesmo, ninguém nunca quis saber”, também estas são palavras de Nietzsche. Mas, disto, falamos depois…


Regina Schöpke



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terça-feira, 8 de maio de 2012

BOFETADA...




Brasileiro sempre teve mania de reclamar dos seus governantes.

Reclamava dos administradores das Sesmarias e das Capitanias Hereditárias; dos governadores gerais e dos imperadores.

Reclamava dos presidentes da Velha República e da República Velha, dos militares, de Sarney, de Collor, de Itamar, de FHC, de Lula...

Não reclamaram de Tancredo Neves porque morreu antes da posse!

Nas próximas eleições, vamos ter novo presidente, novo governador, outros deputados... ou os mesmos!

Mas o povo vai continuar a reclamar.


SABE POR QUÊ?


Porque o problema não está nos deputados, senadores, presidentes, governador, prefeito, funcionário...

O problema está naquele que reclama: VOCÊ e EU, NÓS!

O problema está no brasileiro.

Afinal, o que se poderia esperar de um povo que sempre dá um jeitinho? Um povo que valoriza o esperto e não o sábio?

Um povo que aplaude o vencedor do Big Brother, mas não sabe o nome de um escritor brasileiro?

Um povo que amira o pobre que fica rico da noite para o dia! Ri quando consegue puxar TV a cabo do vizinho! Sonega tudo o que pode e, quando pode, sonega até o que não pode!

O que esperar de um povo que não sabe o que é pontualidade? Joga lixo na rua e reclama pela sujeira?

O que esperar de um povo que não valoriza a leitura?

O que esperar de um povo que finge dormir quando um idoso entra no ônibus? Prioriza o carro ao pedestre?

O que dizer de um povo que elege o Maluf de novo, elege o Clodovil? Elege o Tiririca?

O problema do Brasil não são os políticos; são os brasileiros!

Os políticos não se elegeram; Fomos nós que votamos neles.

Político não faz concurso, ganha votos: o seu e o meu!

Pense nisso!



Luiz Megda de Carvalho

terça-feira, 20 de março de 2012

LUTA PELA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL

Dia 21 de Março:
DIA INTERNACIONAL DE LUTA PELA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL







A Organização das Nações Unidas - ONU - instituiu o dia 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial em memória do Massacre de Shaperville. Em 21 de março de 1960, 20.000 negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular. Isso aconteceu na cidade de Joanesburgo, na África do Sul. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão e o saldo da violência foram 69 mortos e 186 feridos.


Racismo é crime.


Discriminação Racial


"Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública" Art. 1.



"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta."
(Nelson Mandela)




O sangue que corre nas veias do negro, 
Não tem diferença do teu, meu irmão. 

É filho valente da Pátria querida 
Amigo e patriota, como os brancos o são. 
Que importa a cor dele, se no peito lhe bate 
Febril coração? 
Sua alma difere acaso da tua?... 

Não vês o valor dos músculos de aço, 
Do olhar altaneiro, do riso tão franco? 

Deixa o preconceito, o orgulho de lado 
Que embota tua alma. 
Esse homem que luta, trabalha e que chora, 
Nasceu como tu, na terra adorada, 
No berço querido, no imenso Brasil!!!


Juliana Souza



Fontes
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SÍNDROME DE DOWN

Dia 21 de Março: 
DIA INTERNACIONAL DA SÍNDROME DE DOWN









A síndrome de Down (SD) é uma alteração genética produzida pela presença de um cromossomo a mais, o par 21, por isso também conhecida como trissomia 21.

A SD foi descrita em 1866 por John Langdon Down. Esta alteração genética afeta o desenvolvimento do individuo, determinando algumas características físicas e cognitivas. A maioria das pessoas com SD apresenta a denominada trissomia 21 simples, isto significa que um cromossomo extra está presente em todas as células do organismo, devido a um erro na separação dos cromossomos 21 em uma das células dos pais. Este fenômeno é conhecido como disfunção cromossômica. Existem outras formas de SD como, por exemplo: mosaico, quando a trissomia está presente somente em algumas células, e por translocação, quando o cromossomo 21 está unido a outro cromossomo.


Trissomia do 21 - Síndrome de Down

Cerca de 50% das crianças com SD apresentam problemas cardíacos, algumas vezes graves, necessitando de cirurgia nos primeiros anos de vida.
A intervenção médica pode acontecer com a finalidade principal de prevenção dos problemas de saúde que podem aparecer com maior freqüência na SD. Queremos destacar que a SD não é uma doença e sim uma alteração genética, que pode gerar problemas médicos associados.

Devemos olhar a pessoas com SD em sua singularidade, para que possa ter um pleno desenvolvimento enquanto sujeito.





Mitos e Realidades


1. Síndrome de Down é doença. Mito ou Realidade ?

Mito: A Síndrome de Down não é uma doença e não deve ser tratada como tal. É preciso olhar para as pessoas além da Síndrome de Down, pois as características individuais são inerentes a todos os seres humanos.

2. Síndrome de Down tem cura. Mito ou Realidade ?

Mito: A Síndrome de Down não é uma lesão ou doença crônica que através de intervenção cirúrgica, tratamento ou qualquer outro procedimento pode se modificar.

3. Pessoas com Síndrome de Down falam. Mito ou Realidade ?

Realidade: A Síndrome de Down não apresenta nenhuma barreira para acessar o código da linguagem, portanto todas as crianças, se não apresentarem outro comprometimento, podem falar.

4. As pessoas com Síndrome de Down apresentam atraso no desenvolvimento da linguagem. Mito ou Realidade ?

Realidade: Há um atraso no desenvolvimento da linguagem que pode ser observado ao longo da infância com surgimento das primeiras palavras, frases e na dificuldade articulatória para emitir alguns sons. Entretanto, não há regra para saber quando e como a criança falará, pois depende das características de cada indivíduo.

5. Pessoas com Síndrome de Down andam. Mito ou Realidade ?

Realidade: As crianças com Síndrome de Down andam, porém seu desenvolvimento motor apresenta um atraso em relação à maioria das crianças.

6. Pessoas com Síndrome de Down são agressivos. Mito ou Realidade ?

Mito: Não podemos generalizar as pessoas com Síndrome de Down, determinando certos comportamentos, pois essa afirmação pressupõe preconceito. Cada indivíduo tem suas características de acordo com sua família e ambiente em que vive.

7. Pessoas com Síndrome de Down são carinhosas. Mito ou Realidade ?

Mito: Grande parte da população acredita que todas as pessoas com Síndrome de Down são carinhosas. Isto se deve ao fato de associá-las às crianças, infantilizando-as e as mantendo em uma “eterna infância”.

8. Pessoas com Síndrome de Down têm a sexualidade mais aflorada? Mito ou Realidade ?
 
Mito: A sexualidade das pessoas com Síndrome de Down é igual à de todas as outras. Este mito se deve ao fato de que grande parte da população não considera sua sexualidade; desta forma acabam sendo reprimidos e não recebem orientação sexual apropriada, ocasionando comportamentos inadequados.

9. Pessoas com Síndrome de Down adoecem mais? Mito ou Realidade ?

Realidade: Ocasionalmente, como conseqüência de baixa resistência imunológica, as crianças com Síndrome de Down, principalmente nos primeiros anos de vida, são mais susceptíveis a infecções, principalmente no sistema respiratório e digestivo. Esta propensão vai diminuindo com o crescimento.

10. Pessoas com Síndrome de Down podem trabalhar. Mito ou Realidade ?

Realidade: As pessoas com Síndrome de Down devem trabalhar, pois o trabalho é essencial para a construção de uma identidade adulta. O trabalho faz parte da sua realização pessoal. Atualmente, há muitas oportunidades de trabalho para as pessoas com deficiência devido às políticas públicas.

11. Pessoas com Síndrome de Down devem freqüentar escola especial. Mito ou Realidade ?

Mito: As pessoas com Síndrome de Down têm o direito de participação plena na sociedade como qualquer outra criança,desta forma devem estar incluídas na rede regular de ensino.

12. Existe uma idade adequada para uma criança com Síndrome de Down entrar na escola. Mito ou Realidade ?

Mito: A criança deve entrar na escola quando for conveniente para ela e para sua família.

13. Pessoas com Síndrome de Down podem praticar esporte. Mito ou Realidade ?

Realidade: As pessoas com Síndrome de Down não só podem como devem praticar atividade física para seu bem estar físico e emocional. A prática de atividade física deve ser realizada aonde for mais conveniente para a pessoa (academia, parques, praças...). Lembrando que para todas as pessoas a avaliação física é importante antes do início de qualquer atividade

14. Só podemos nos comunicar através da fala. Mito ou Realidade ?

Mito: A comunicação acontece de várias formas como gestos, expressões corporais e faciais, choro, fala e escrita. Para haver comunicação é necessário estar numa relação onde seu desejo é reconhecido e respeitado.



VAMOS RESPEITAR TODOS OS PORTADORES DESSA SÍNDROME E DAR ATENÇÃO E CARINHO QUE ELE MERECEM, SEM PRECONCEITO, SEM DISCRIMINAÇÃO, POR QUE  ACIMA DE TUDO SOMOS IGUAIS.


Sem preconceito e discriminação aos portadores da Síndrome de Down



Fontes
Google Imagens


segunda-feira, 12 de março de 2012

DENUNCIE EM FAVOR DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES



“Pornografia Infantil é qualquer representação, por qualquer meio, de uma criança ou adolescente envolvida em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou qualquer representação dos órgãos sexuais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais”.



DENUNCIE!


DISQUE 100 de qualquer lugar do país  e ajude a proteger as crianças e os adolescentes.


Secretaria dos Direitos Humanos


http://www.sedh.gov.br




http://www.disque100.gov.br






quinta-feira, 8 de março de 2012

DESIGUALDADE NO BRASIL DIMINUI

Desigualdade Social no Brasil




Marcus Vinicius Pinto
Direto de Rio de Janeiro

A desigualdade econômica e social do Brasil segue em queda livre e a tendência, de acordo com a pesquisa “De Volta ao País do Futuro” divulgada hoje pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é que ela siga caindo nos próximos anos.

O País segue uma tendência inversa a de China, Índia e países europeus, que passaram por uma grave crise desde o ano passado. “O Brasil vem diminuindo a desigualdade nos últimos 11 anos de forma notável”, afirmou o economista Marcelo Néri, coordenador da pesquisa e que considera o investimento em educação um dos fatores mais importantes para esse resultado.

A queda da desigualdade no Brasil cresce num ritmo três vezes superior à meta do milênio da Organização das nações Unidas (ONU), que é de reduzir a pobreza em 25 anos, conforme a pesquisa. Além disso, a renda média per capita do brasileiro cresceu 2,7% desde 2002, diz a publicação. “Estavam apostando que a queda de desigualdade daria uma parada, mas a verdade é que segue descendo”. O fator que demonstra essa queda é o crescimento da classe C, que deve englobar cerca de 60% da população em 2014, chegando a 118 milhões de pessoas, enquanto em 2003, a classe C representava apenas 65,8 milhões de pessoas.

Essa nova classe C, segundo a pesquisa, é mais sustentável e tem menos de dois filhos em média. Se compararmos com a década de 60, o número médio de filhos era superior a seis, conforme a publicação. Agora a classe C está mais preocupada com a educação desses filhos e com o emprego formal. A pesquisa ainda ressalta que o crescimento do Nordeste, de cerca de 42% de 2003 até 2011, vem sendo fundamental para o País. “No Nordeste há uma população gigantesca pronta para dar o salto da classe D para a C”, explica o economista, que compara, por exemplo, o Nordeste com o Sudeste, que no mesmo período cresceu apenas 16%.

De 2003 a 2011, 40 milhões de pessoas em todo o Brasil saíram da classe D e E e chegaram a classe C. “É quase a população da Espanha” comenta. Para o pesquisador, essa nova classe C, que deve chegar aos 118 milhões de pessoas em 2014, começa a ser decisiva em eleições. E também marca diferenças quando se trata de mercado consumidor. “Foi essa classe quem decidiu a última eleição presidencial e que chama a atenção dos políticos a partir de agora. E é uma classe com maior poder de compra que as classes A e B”, afirma.

Ainda assim, são as classes A e B que devem registrar o maior crescimento de 2011 até 2014, de cerca de 30%, enquanto a classe C deve crescer cerca de 11%. Em 20 anos, a população mais rica do Brasil cresceu três vezes, enquanto a população pertencente às classes D e E, caiu quase um 50%. “Mas a pobreza ainda vai continuar a existir, infelizmente” alerta.

Mesmo com todas essas boas notícias, o Brasil ainda é um dos países com maiores índices de desigualdade do mundo. Segundo a pesquisa, a alta desigualdade ainda permite que o número continue caindo por alguns anos. A tendência da desigualdade no mundo, de acordo com Marcelo Néri, é explodir, como na China, na Índia e na África do Sul. “O Brasil está provando que está bem, mesmo em meio a chuvas e trovoadas, e que o brasileiro já aprendeu a se virar em época de crise”, disse Marcelo Néri, fazendo referência à crise europeia de 2011, que, segundo a pesquisa, não atingiu o Brasil.

quinta-feira, 1 de março de 2012

PENSAMENTOS DE MAHATMA GANDHI

 Gandhi


"1. "Desejo sincero e profundo do coração é sempre realizado; em minha própria vida tenho sempre verificado a certeza disto." 

2.      "Creio poder afirmar, sem arrogância e com a devida humildade, que a minha mensagem e os meus métodos são válidos, em sua essência, para todo o mundo."

3.      "Acho que vai certo método através das minhas incoerências. Creio que há uma coerência que passa por todas as minhas incoerências, assim como há na natureza uma unidade que permeia as aparentes diversidades."

4.      "As enfermidades são os resultados, não só dos nossos atos, como também dos nossos pensamentos."

5.      "Satyagraha - a força do espírito - não depende do número, depende do grau de firmeza."

6.      "Satyagraha e Ahimsa são como duas faces da mesma medalha, ou melhor, como as duas cades de um pequeno disco de metal liso e sem incisões. Quem poderá dizer qual é a certa? A não-violência é o meio. A Verdade, o fim."

7.      "A minha vida é um Todo indivisível, e todos os meus atos convergem uns nos outros; e todos eles nascem do insaciável amor que tenho para com toda a humanidade." 

8.      "Uma coisa lançou profundas raízes em mim: a convicção de que a moral é o fundamento das coisas, e a verdade, a substância de qualquer moral. A verdade tornou-se meu único objetivo. Ganhou importância a cada dia. E também a minha definição dela se foi constantemente ampliando."

9.      "Minha devoção à verdade empurrou-me para a política; e posso dizer, sem a mínima hesitação, e também com toda a humildade que, não entendem nada de religião aqueles que afirmam que ela nada tem a ver com a política."

10.  "A minha preocupação não está em ser coerente com as minhas afirmações anteriores sobre determinado problema, mas em ser coerente com a verdade."

11.  "O erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo, a verdade não se torna erro pelo fato de ninguém a ver."

12.  "O amor é a força mais abstrata, e também a mais potente, que há no mundo." 

13.  "O Amor e a verdade estão tão unidos entre si que é praticamente impossível separá-los. São como duas faces da mesma medalha." 

14.  "O ahimsa (amor) não é somente um estado negativo que consiste em não fazer o mal, mas também um estado positivo que consiste em amar, em fazer o bem a todos, inclusive a quem faz o mal." 

15.  "O ahimsa não é coisa tão fácil. É mais fácil dançar sobre uma corda que sobre o fio da ahimsa."

16.  "Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio." 

17.  "A única maneira de castigar quem se ama é sofrer em seu lugar." 

18.  "É o sofrimento, e só o sofrimento, que abre no homem a compreensão interior."

19.  "Unir a mais firme resistência ao mal com a maior benevolência para com o malfeitor. Não existe outro modo de purificar o mundo." 

20.  "A minha natural inclinação para cuidar dos doentes transformou-se aos poucos em paixão; a tal ponto que muitas vezes fui obrigado a descuidar o meu trabalho".

21.  "A não-violência é a mais alta qualidade de oração. A riqueza não pode consegui-la, a cólera foge dela, o orgulho devora-a, a gula e a luxúria ofuscam-na, a mentira a esvazia, toda a pressão não justificada a compromete.”

22.  "Não-violência não quer dizer renúncia a toda forma de luta contra o mal. Pelo contrário. A não-violência, pelo menos como eu a concebo, é uma luta ainda mais ativa e real que a própria lei do talião - mas em plano moral." 

23.  "A não-violência não pode ser definida como um método passivo ou inativo. É um movimento bem mais ativo que outros que exigem o uso das armas. A verdade e a não-violência são, talvez, as forças mais ativas de que o mundo dispõe."

24.  "Para tornar-se verdadeira força, a não-violência deve nascer do espírito."

25.  "Creio que a não-violência seja infinitamente superior à violência, e que o perdão seja bem mais viril que o castigo..."

26.  "A não-violência, em sua concepção dinâmica, significa sofrimento consciente. Não quer absolutamente dizer submissão humilde à vontade do malfeitor, mas um empenho, com todo o ânimo, contra o tirano. Assim, um só indivíduo, tendo como base esta lei, pode desafiar os poderes de um império injusto para salvar a própria honra, a própria religião, a própria alma e adiantar as premissas para a queda e a regeneração desse mesmo império."

27.  "O método da não-violência pode parecer demorado, muito demorado, mas eu estou convencido de que é o mais rápido.”

28.  "Após meio século de experiência, sei que a humanidade não pode ser libertada senão pela não-violência. Se bem entendi, é esta a lição central do cristianismo."

29.  "Só se adquire perfeita saúde vivendo na obediência às leis da Natureza. A verdadeira felicidade é impossível sem a verdadeira saúde, e a verdadeira saúde é impossível sem rigoroso controle da gula. Todos os demais sentidos estarão automaticamente sujeitos a controle quando a gula estiver sob controle. Aquele que domina os próprios sentidos conquistou o mundo inteiro e tornou-se parte harmoniosa da natureza."

30.  "A civilização, no sentido real da palavra, não consiste na multiplicação, mas na vontade de espontânea limitação das necessidades. Só essa espontânea limitação acarreta a felicidade e a verdadeira satisfação. E aumenta a capacidade de servir."

31.  "É injusto e imoral tentar fugir às conseqüências dos próprios atos. É justo que a pessoa que come em demasia se sinta mal ou jejue. É injusto que quem cede aos próprios apetites fuja às conseqüências, tomando tônicos ou outros remédios. É ainda mais injusto que uma pessoa ceda às próprias paixões animalescas e fuja às conseqüências dos próprios atos."

32.  "A Natureza é inexorável, e vingar-se-á completamente de uma tal violação de suas leis."

33.  "Aprendi, graças a uma amarga experiência, a única suprema lição: controlar a ira. E do mesmo modo que o calor conservado se transforma em energia, assim a nossa ira controlada pode transformar-se em uma função capaz de mover o mundo. Não é que eu não me ire ou perca o controle. O que eu não dou é campo à ira. Cultivo a paciência e a mansidão e, de uma maneira geral, consigo. Mas quando a ira me assalta, limito-me a controlá-la. Como consigo? É um hábito que cada um deve adquirir e cultivar com uma prática assídua."

34.  "O silêncio já se tornou para mim uma necessidade física espiritual. Inicialmente escolhi-o para aliviar-me da depressão. A seguir precisei de tempo para escrever. Após havê-lo praticado por certo tempo descobri, todavia, seu valor espiritual. E, de repente, dei conta de que eram esses momentos em que melhor podia comunicar-me com Deus. Agora, sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio."

35.  "Aqueles que têm um grande autocontrole, ou que estão totalmente absortos no trabalho, falam pouco. Palavra e ação juntas não andam bem. Repare na natureza: trabalha continuamente, mas em silêncio."

36.  "Aquele que não é capaz de governar a si mesmo, não será capaz de governar os outros.”

37.  "Quem sabe concentrar-se numa coisa e insistir nela como único objetivo, obtém, ao cabo, a capacidade de fazer qualquer coisa."

38.  "A verdadeira educação consiste em pôr a descoberto ou fazer atualizar o melhor de uma pessoa. Que livro melhor que o livro da humanidade?"

39.  "Não quero que minha casa seja cercada por muros de todos os lados e que as minhas janelas esteja tapadas. Quero que as culturas de todos os povos andem pela minha casa com o máximo de liberdade possível."

40.  "Nada mais longe do meu pensamento que a idéia de fechar-me e erguer barreiras. Mas afirmo, com todo respeito, que o apreço pelas demais culturas pode convenientemente seguir, e nunca anteceder, o apreço e a assimilação da nossa. (...) Um aprendizado acadêmico, não baseado na prática, é como um cadáver embalsamado, talvez para ser visto, mas que não inspira nem nobilita nada. A minha religião proíbe-me de diminuir ou desprezar as outras culturas, e insiste, sob pena de suicídio civil, na necessidade de assimilar e viver a vida."

41.  "Ler e escrever, por si, não são educação. Eu iniciaria a educação da criança, portanto, ensinando-lhe um trabalho manual útil, e colocando-a em grau de produzir desde o momento em que começa sua educação. Desse modo, todas as escolas poderiam tornar-se auto-suficientes, com a condição de o Estado comprar os manufaturados."

42.  "Acredito que um tal sistema educativo permitira o mais alto desenvolvimento da mente e da alma. É preciso, porém, que o trabalho manual não seja ensinado apenas mecanicamente, como se faz hoje, mas cientificamente, isto é, a criança deveria saber o porquê e o como de cada operação."

43.  "Os olhos, os ouvidos e a língua vêm antes da mão. Ler vem antes de escrever e desenhar antes de traçar as letras do alfabeto."

44.  "Se seguirmos este método, a compreensão das crianças terá a oportunidade de se desenvolver melhor do que quando é freada, iniciando-se a instrução pelo alfabeto."

45.  "Odeio o privilégio e o monopólio. Para mim, tudo o que não pode ser dividido com as multidões é 'tabu'."

46.  "A desobediência civil é um direito intrínseco do cidadão. Não ouse renunciar, se não quer deixar de ser homem. A desobediência civil nunca é seguida pela anarquia. Só a desobediência criminal deve ser reprimida com a força. Reprimir a desobediência civil é tentar encarcerar a consciência."

47.  "Todo aquele que possui coisas de que não precisa é um ladrão."

48.  "Quem busca a verdade, quem obedece a lei do amor, não pode estar preocupado com o amanhã."

49.  "As divergências de opinião não devem significar hostilidade. Se fosse assim, minha mulher e eu deveríamos ser inimigos figadais. Não conheço duas pessoas no mundo que não tenham tido divergências de opinião. Como seguidor da Gita (Bhagavad Gita), sempre procurei nutrir pelos que discordam de mim o mesmo afeto que nutro pelos que me são mais queridos e vizinhos."

50.  "Continuarei confessando os erros cometidos. O único tirano que aceito neste mundo é a "silenciosa e pequena voz" dentro de mim. Embora tenha que enfrentar a perspectiva de formar minoria de um só, creio humildemente que tenho coragem de encontrar-me numa minoria tão desesperadora."

51.  "Nas questões de consciência a lei da maioria não conta."

52.  "Estou firmemente convencido de que só se perde a liberdade por culpa da própria fraqueza."

53.  "Acredito na essencial unidade do homem e, portanto, na unidade de tudo o que vive. Por conseguinte, se um homem progredir espiritualmente, o mundo inteiro progride com ele, e se um homem cai, o mundo inteiro cai em igual medida."

54.  "Minha missão não se esgota na fraternidade entre os indianos. A minha missão não está simplesmente na libertação da Índia, embora ela absorva, em prática, toda a minha vida e todo o meu tempo. Por meio da libertação da Índia espero atuar e desenvolver a missão da fraternidade entre os homens."

55.  "O meu patriotismo não é exclusivo. Engloba tudo. Eu repudiaria o patriotismo que procurasse apoio na miséria ou na exploração de outras nações. O patriotismo que eu concebo não vale nada se não se conciliar sempre, sem exceções, com o bem maior e com a paz de toda a humanidade."

56.  "A mulher deve deixar de se considerar o objeto da concupiscência do homem. O remédio está em suas mãos, mais que nas mãos do homem."

57.  "Uma vida sem religião é como um barco sem leme."

58.  "A fé – um sexto sentido – transcende o intelecto sem contradizê-lo."

59.  "A minha fé, nas densas trevas, resplandece mais viva."

60.  "Somente podemos sentir deus destacando-nos dos sentidos."

61.  "O que eu quero alcançar, o ideal que sempre almejei com sofreguidão (...) é conseguir o meu pleno desenvolvimento, ver Deus face-a-face, conseguir a libertação do Eu."

62.  "Orar não é pedir. Orar é a respiração da alma."

63.  "A oração salvou-me a vida. Sem a oração teria ficado muito tempo sem fé. Ela salvou-me do desespero. Com o tempo a minha fé aumentou e a necessidade de orar tornou-se mais irresistível... A minha paz muitas vezes causa inveja. Ela vem-me da oração. Eu sou um homem de oração. Como o corpo se não for lavado fica sujo, assim a alma sem oração se torna impura."

64.  "O Jejum é a oração mais dolorosa e também a mais sincera e compensadora."

65.  "O Jejum é uma arma potente. Nem todos podem usá-la. Simples resistência física não significa aptidão para jejum. O Jejum não tem absolutamente sentido sem fé em Deus."

66.  "Para mim, nada mais purificador e fortificante que um jejum."

67.  "Os meus adversários serão obrigados a reconhecer que tenho razão. A verdade triunfará. . . Até agora todos os meus jejuns foram maravilhosos: não digo em sentido material, mas por aquilo que acontece dentro de mim. É uma paz celestial."

68.  "Jejum para purificar a si mesmo e aos outros é uma antiga regra que durará enquanto o homem acreditar em Deus."

69.  "Tenho profunda fé no método de jejum particular e público. . . Sofrer, mesmo até a morte e, portanto, mesmo mediante um jejum perpétuo, é a arma extrema do satyagrahi. É o último dever que podemos cumprir. O Jejum faz parte de meu ser, como acontece, em maior ou menor escala, com todos os que procuraram a verdade. Eu estou fazendo uma experiência de ahimsa em vasta escala, uma experiência talvez até hoje desconhecida pela história."

70.  "Quem quer levar uma vida pura deve estar sempre pronto para o sacrifício."

71.  "O dever do sacrifício não nos obriga a abandonar o mundo e a retirar-nos para uma floresta, e sim a estar sempre prontos a sacrificar-nos pelos outros."

72.  "Quem venceu o medo da morte venceu todos os outros medos."

73.  "Os louvores do mundo não me agradam; pelo contrário, muitas vezes me entristecem."

74.  "Quando ouço gritar Mahatma Gandhi Ki jai, cada som desta frase me transpassa o coração como se fosse uma flecha. Se pensasse, embora por um só instante, que tais gritos podem merecer-me o swaraj; conseguiria aceitar o meu sofrimento. Mas quando constato que as pessoas perdem tempo e gastam energias em aclamações vãs, e passam ao longo quando se trata de trabalho, gostaria que, em vez de gritarem meu nome, me acendessem uma pira fúnebre, na qual eu pudesse subir para apagar, de uma vez por todas, o fogo que arde no coração."

75.  "Uma civilização é julgada pelo tratamento que dispensa às minorias."

76.  "Sei, por experiência, que a castidade é fácil para quem é senhor de si mesmo."

77.  "O brahmacharya é o controle dos sentidos no pensamento, nas palavras, e na ação. . . O que a ele aspira não deixará nunca de ter consciência de suas faltas, não deixará nunca de perseguir as paixões que se aninham ainda nos ângulos escuros de seu coração, e lutará sem trégua pela total libertação."

78.  "O brahmacharya, como todas as outras regras, deve ser observado nos pensamentos, nas palavras e nas ações. Lemos na Gita, e a experiência confirma-no-lo todos os dias, que quem domina o próprio corpo, mas alimenta maus pensamentos, faz um esforço vão. Quando o espírito se dispersa, o corpo inteiro, cedo ou tarde, o segue na perdição.

79.  "Por vezes pensa-se que é muito difícil, ou quase impossível, conservar castidade. O motivo desta falsa opinião é que, freqüentemente, a palavra castidade é entendida em sentido limitado demais." Pensa-se que a castidade é o domínio das paixões animalescas. Esta idéia de castidade é incompleta e falsa.

80.  "Vivo pela libertação da índia e morreria por ela, pois é parte da verdade. Só uma Índia livre pode adorar o Deus verdadeiro. Trabalho pela libertação da Índia porque o meu Swadeshi me ensina que, tendo nascido e herdado sua cultura, sou mais apto a servir à Índia e ela tem prioridade de direitos aos meus serviços. Mas o meu patriotismo não é exclusivo; não tem por meta apenas não fazer mal a ninguém, mas fazer bem a todos no verdadeiro sentido da palavra. A libertação da Índia, como eu a concebo, não poderá nunca constituir ameaça para o mundo."

81.  "Possuo a não-violência do corajoso? Só a morte dirá. Se me matarem e eu conseguir ter, uma oração nos lábios pelo meu assassino e o pensamento em Deus, ciente da sua presença viva no santuário do meu coração, então, e só então, poder-se-á dizer que possuo a não-violência do corajoso."

82.  "Não desejo morrer pela paralisação progressiva das minhas faculdades, como um homem vencido. A bala de meu assassino poderia pôr fim à minha vida. Acolhê-la-ia com alegria."

83.  "A regra de ouro consiste em sermos amigos do mundo e em nos considerarmos uma grande família humana. Quem faz distinção entre os fiéis da própria religião e os de outra, deseduca os membros da sua religião e abre caminho para o abandono, a irreligião."

84.  "A força de um homem e de um povo está na não-violência. Experimentem".



Fontes
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