Mostrando postagens com marcador Justiça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Justiça. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de março de 2013

CHIMAMANDA ADICHIE - O PERIGO DA HISTÓRIA ÚNICA



Estudar para a aula de Sociologia. Tema: "Cultura" de acordo com nossas discussões sobre Socialização.

Nossas vidas, nossas culturas, são compostos de muitas histórias que se sobrepõem. Romancista
Chimamanda Adichie conta a história de como ela encontrou sua voz autêntica cultural - e adverte que se ouve apenas uma história única sobre outra pessoa ou país, corremos o risco de um mal-entendido fundamental.

Inspirada na história da Nigéria e tragédias todos, mas esquecidos pelas gerações recentes de ocidentais, romances Chimamanda Ngozi Adichie e histórias são jóias da coroa da literatura da diáspora.


Veja o vídeo e o seu discurso:

http://youtu.be/EC-bh1YARsc



Fonte:
youtube.com 




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

BBB 13




Por Luis Fernando Veríssimo


Luis Fernando Veríssimo

(11/01/2013)


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. 


Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela   depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.

Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.

Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores).

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…. , estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… ,·visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.


Luis Fernando Veríssimo


Votação - paredão do BBB 13


Fontes
Google Imagens
Texto recebido por e-mail 


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

FELIZ ANO NOVO



Interessante o texto, vale a pena ler. (André)


Feliz Ano Novo!


FELIZ ANO NOVO!!!


O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.

 (...)

Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano.
Não adianta lutar contra isso.
Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade,
 as coisas ficam diferentes. 
Desejo para todo mundo esse olhar especial.

(...)


Feliz olhar novo!!!


Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos,
 
afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos justo e acreditarmos neles!


O ano que aprendi muitas coisas estive conhecendo varias pessoas, aquelas que prevalecerão são as que eu posso chamar de AMIGA, pois foram elas que estiveram ao meu lado o ano inteiro, me escutando reclamar, me fazendo rir,me dando um colo pra chorar, me dando um abraço pra confortar!


Mais sei também que tenho também as amigas de infâncias quais são as mais preciosas, elas são como irmãs.
Pois agente crescemos juntas, tivemos briguinhas de crianças, dormia todo dia uma na casa da outra.
E brincava muito de boneca. Hoje se agente não é mais tão unidas com essas amigas de infância.
É porque agente cresce e cada um toma seu caminho, mas não importa onde uma estiver
.
A outra sempre vai lembrar a amizade bonita que sempre existira dentro de cada uma!
E por tudo isso me ensinou uma coisa o verdadeiro significa da palavra AMIZADE!
 


Que não é apenas uma palavra qualquer é uma palavra bonita e muito forte, pois quando falamos dela, estamos falando de pessoas que faz o que agente é...
Um ano no qual cai varias vezes, mas por sorte sempre tinha alguém do meu lado me ajudando a levantar e encarar este tombo como uma lição* de vida!



- com esse ano que passou aprendi muitas coisas...


• aprendi o verdadeiro significado da amizade, não sei explicar em certo como ele seria
Acho que palavras nunca conseguirão explicar um sentimento seja ele de amor ou amizade!
Mas sei que ser amigo não é só ser uma companhia ( coisa que muita gente pensa )é ter sempre disposta a escutar um desabafo, um choro e saber transformar aquele choro em sorriso!
É deixar até mesmo de sair se divertir pra ficar com aquela garota que acaba de termina com o namorado, e que não esta nada bem, aquela que você chama de amiga dando forças pra ela! Dizendo palavras que confortam!


• aprendi também que você não pode acreditar em todos aqueles que dizem " eu te amo", principalmente naquelas que te conhecem hoje e amanha já falam, esse não é um sentimento verdadeiro pois o sentimento verdadeiro chega devagar, e na hora certa* a pessoa saberá dizer "eu te amo", pode ser que eu demore um pouco pra perceber qual são os verdadeiros,
mas aquelas que são realmente verdadeiros terão a paciência de esperar o momento certo pra que eu diga "também amo você".


No mundo existem muitas pessoas falsas, agente ter que saber reconhecer as que são verdadeiras conosco.
O que eu aposto que estas são poucas!
Mas são as que estarão sempre com você, em horas ruins e em horas boas!


• aprendi que o amor verdadeiro,
 pode demorar a chegar e que agente tem que ter paciência e esperar até o dia de sua chegada.
Sei também que até esse amor chegar, varias "paixões"
 irão passar por mim e com cada uma dela vou aprender uma coisa nova possui até errar, mas com meu erro irei aprender.
Isso apenas me fará crescer!


• aprendi que tem pessoas que são eternas em nossas vidas, as vezes você pode até tirar essa pessoa da sua cabeça' por algumas horas mas jamais conseguirá tirar ela do seu coração!


• aprendi que a felicidade está nas coisas mais simples, e pra você ter essa felicidade as vezes você terá que se passar por um idiota, mas isso não importa, o que vale é ser feliz* porque de que adianta saber fazer tudo, jamais errar,
  mas não conseguirá dar risada do seu proprio tombo?


De que vale a vida sem o SEU sorriso?!

Hoje eu sei que mais importante que me olhar no espelho e ver um brilho em meu olhar
  é ver os amigos ao meu redor com um sorriso no rosto!


• aprendi que eu devo acreditar na
FELICIDADE, pois se eu não acreditar, nunca vou ser feliz mais a partir do momento em que eu acredite na tal, eu poderei ser feliz com as coisas mais simples e mais bobas que existem!


• aprendi que agente não deve julgar a pessoa pela aparência,
 pelo jeito que ela se veste e muito menos pela beleza!
Pois isso não importa.
O que vem de dentro é o que diz a identidade oficial de cada pessoa por isso nunca descrimine e nunca odeie ninguém sem antes ao menos conversar com a tal!


Aquela pessoa pode ser uma grande amiga e se vocês nunca conversarem como você saberá disso?!
Alias você não deve odiar ninguém. Se alguém num gosta de você tenha apenas pena dela porque se ela não gosta de você.
 
É porque sente inveja e de uma pessoa invejosa você deve ter pena e rezar pra ela todas as noites, para que papai do céu a ajude a se tornar uma pessoa melhor!


• aprendi que você deve pensar que não existe ninguém melhor do que você mesmo, auto estima
 é necessário pra viver nesse mundo cheio de coisas ruins.


• aprendi que você nunca deve agir sem pensar direito sobre tal assunto,
 as vezes você acaba machucando quem mais ama sem ao menos perceber isso.
Você deverá pensar com calma sobre cada coisa, assim não magoará ninguém, nem a si próprio.
Você deve ter paciência ao fazer as coisa pra não se arrepender mais tarde
e lá no fim você olhar pra trás e dizer: VALEU A PENA CADA MOMENTO EM QUE PASSEI!


Este ano que passou não fui a melhor menina, mais aprendi muitas coisas que me farão melhorar por isso, hoje posso olhar pra trás e dizer:


- VALEU A PENA!


Nany Bertola


-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

À VOCÊ!

Desejo a todos um Feliz Ano novo, que  2013 venha trazer muita paz, saúde e prosperidade nas relações familiares, com os amigos, no trabalho, na sociedade e para o mundo. Desejo de um mundo melhor para construímos mais união, respeito e solidariedade através da compaixão e da justiça. 

Obrigado a todas as pessoas que visitaram, visitam e que possivelmente visitarão o meu singelo e humilde blog que é construído de coração e para entreter com alegria, criatividade, bom gosto e respeito.

OBRIGADO E FELIZ 2013.


André H. Ribeiro





Fonte
Google Imagens

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

SER PROFESSOR


Ser professor


Ser professor é exercer o magistério com dignidade
Ainda que não receba a devida valorização
É trilhar a cada ano por novos caminhos
Na busca incessante da perfeição

É preocupar-se com amor paternal
Com o futuro de cada educando
É ser aluno buscando novos conhecimentos
É ser persistente contra os obstáculos lutando

É ser incompreendido por seus alunos
Quando visa prepará-los melhor
Exigindo um pouco mais de dedicação
Para que, na vida, não levem o pior

É ser alvo de críticas violentas
Quando luta por seus direitos legais
É ter que assumir carga horária estressante
E às vezes, camuflar seus verdadeiros ideais

É aquele que sofre quando não atinge seus objetivos
E que sonha com uma educação mais viva mais eficiente
Que acredita numa sociedade mais justa e solidária
Formada por pessoas mais críticas e conscientes

É aquele que até já se acostumou
Com aqueles comentários maledicentes
Se alunos reprovam o professor é o único culpado
Se forem aprovados é porque são inteligentes

É aquele que jamais perderá a esperança
De que o seu trabalho um dia tenha o devido valor
Pois, por suas mãos passam todos os que se alfabetizam
Desde o mais simples operário até o mais renomado doutor

É aquele que com certeza, é insubstituível
Mesmo com a realidade tecnológica avançando
Em qualquer circunstância sempre vai haver aprendizes
E um professor amigo por perto ensinando

É aquele que quanto mais exigente for
Com toda certeza, agora, será o mais odiado
Mas no futuro, por causa dessas exigências
Com carinho e gratidão será sempre lembrado

Jesus o autodidata por excelência
Para quem o ensinar não era mistério
Dê a cada professor prudência, humildade,
Paciência, resignação e honestidade

Para exercer com otimismo, tão difícil ministério
Parabéns classe valorosa
Na qual me incluo orgulhoso
Plantemos a semente do saber
Para que, no futuro, possamos ter
Um povo pacífico, sábio e laborioso.


(Bartolomeu Xavier de Sousa Filho)


Homenagem do professor Bartolomeu a todos os companheiros e companheiras de luta. Orgulhemo-nos do nosso trabalho, pois com certeza, fomos, somos e sempre seremos importantes em qualquer organização social do mundo.


PARABÉNS A TODOS OS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO QUE FAZEM DESSA "ARTE" DE EDUCAR UMA FORMA DE FAZER UM MUNDO MELHOR.
(André Ribeiro)



Fontes
Google Imagens

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

FALANDO EM POLÍTICA


Política


“No momento em que acaba de conquistar o mundo e inicia a conquista do universo, o homem (individual) mesmo é supérfluo. Só contam as massas fervilhantes, gigantescas. Então porque pensar, porque refletir, agir ou reagir? Cada homem sendo substituível, e além do mais inútil, busquemos o homem insubstituível e necessário, e deixemos a ele a tarefa de pensar e agir em nosso lugar”. (H. Lefèbvre, La Somme et le Reste). (Publicado orinalmente na Revista Mosaico 4).

Deixemos a ele a tarefa de pensar e agir em nosso lugar. O final do trecho da reflexão de Henri Lefèbvre, filósofo marxista e sociólogo francês, exprime fielmente a atitude inerte dessa sociedade. Considera-se inertes, meus caros colegas, aqueles que insistem em dizer simplesmente: “Não discuto política”; “Não gosto”. E pior: “As pessoas que discutem sobre isso são chatas. Estragam minha noite e minha balada”.

Quem imagina não estar inserido na chamada “participação política” está enganado. Primeiramente, pelo fato de que “votam” – entre aspas, e acho propício explicar o porquê: a escolha do voto no Brasil é pior do que escolher um produto novo no mercado: “Ah, esse eu não o
conheço. Mas não custa experimentar, né?”.


Não os culpo. Nem a mim, claro, que ainda não sei bem como melhorar minhas atitudes. Não tivemos política na escola. Muito menos na universidade. Nossos pais, se nos ensinam algo é sob um ponto de vista totalmente parcial. Não fomos treinados a isso. Se você é uma exceção, eu o(a) invejo.


Neste momento, somos praticamente eu e você, caro leitor, pois imagino que você é um dos poucos que chegou nessas linhas que agora se desenvolvem.


E o mais triste é saber que pouco tenho a lhe dizer, considerando que ainda me faltam faculdades teóricas para compreender a política que nos cerca. Mas, continuo insistindo nessa tentativa – por enquanto frustrada – de ser menos egoísta. Justamente, por que acredito que fazer e entender política é, na verdade, se preocupar com o próximo.


Sim, porque nos tempos atuais são dois grupos que se interessam por política: aqueles que querem dominar e aqueles que não estão satisfeitos com a sociedade. Se você não é nenhum deles, fique “feliz”! Pelo menos você não é massacrado pela opinião pública. E ainda pode fingir que é uma boa pessoa. Afinal, você “não é” corrupto.


Infelizmente, – e os políticos honestos que me desculpem, pois tento acreditar que eles possam existir – somos comandados por falsos sábios oportunistas. Platão deve se revirar no túmulo, logo ele, que não acreditava na democracia e julgava que nossa sociedade deveria ser comandada por sábios. Mas não existem sábios no capitalismo. Marx bem sabe. Existem espertos – aqueles que estão favoráveis a sua, a minha, a toda e qualquer alienação.


Mas, eu não sou ninguém. Só mais um ser humano substituível, como diria Lefèbvre. Um homem que pouco antes de sua morte declarou: “Devo continuar o meu combate pela teoria? Por vezes, pergunto-me se perdi o meu tempo”.
Sorte dele não estar aqui para ver. Azar nosso.


Amanda Camasmie 



VOTE CONSCIENTE E ESCOLHA SEGUINDO SEUS CONHECIMENTOS SOBRE OS CANDIDATOS. 


Fontes
Google Imagens

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

CANTA BRASIL


Brasil 


Brasilidade


Minha voz enternecida.
Já adorou os teus brasões.
Na expressão mais como vida.
Das mais ardentes canções.
Também na beleza deste céu.
Onde o azul é mais azul.
Na aquarela do Brasil.
Eu cantei de norte a sul.

Mas agora o teu cantar.
Meu Brasil quero escutar.
Nas preces da sertaneja.
Nas ondas do rio-mar.
Ô esse rio turbilhão.
Entre selvas e rojão.
Continente a caminhar.
No céu, no mar, na terra.
Canta Brasil!

Essas fontes murmurantes.
Onde eu mato a minha sede.
E onde a lua vem brincar .
Oi, esse Brasil lindo e trigueiro.
É o meu Brasil brasileiro.
Terra de samba e pandeiro .
Brasil!
Pra mim... Pra mim...
Brasil!

Brasil!
Mostra tua cara .
Quero ver quem paga.
Pra gente ficar assim.

Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Brasil!


Composição: Alcyr PiresVermelho e David  Nasser

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A CASQUINHA DE SORVETE




Por Frei Betto



Você conhece a casquinha abiscoitada de sorvete: a bola é colocada acima e, enquanto derrete, um pouco do sorvete se espalha pela parte inferior. Ao comer a casca, a ponta inferior do cone costuma estar seca, sem sorvete.

Assim é a distribuição da riqueza no mundo, segundo a ONU: 20% da população mundial, o equivalente a 1,320 bilhão de pessoas, concentram em suas mãos 82% da riqueza mundial. Fartam-se com a bola de sorvete. Na ponta estreita do cone, os mais pobres — 1 bilhão de pessoas — sobrevivem com apenas 1,4% da riqueza mundial.

Mede-se o indicador de riqueza de uma economia pelo PIB — o Produto Interno Bruto. Quanto maior o PIB, maior o crescimento de um país. Tanto que o governo Lula lançou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Deveria ter lançado o Pads (Programa de Aceleração do Desenvolvimento Sustentável).

Um país cresce quando sua economia total ganha mais cifrões. O que não significa que se desenvolveu, ou seja, imprimiu mais qualidade de vida e felicidade à população. Crescimento tem a ver com produção agropecuária, industrial e expansão da rede de serviços. Desenvolvimento significa escolaridade, saúde, saneamento, moradia, cultura e preservação do meio ambiente.

O economista Ladislau Dowbor, da PUC-SP, tem bom exemplo para mostrar a diferença: a Pastoral da Criança favorece, com a sua rede de 450 mil voluntários, milhares de crianças até 6 anos de idade. Assim, contribui com a redução de 50% dos índices de mortalidade infantil e 80% das hospitalizações. Se menos crianças adoecem, menos medicamentos são comprados, menos serviços hospitalares são utilizados, e as famílias vivem mais felizes.

Ótimo, não? Não para o governo e os economistas com mania de PIB. “O resultado, do ponto de vista das contas econômicas, é completamente diferente: ao cair o consumo de medicamentos, o uso de ambulâncias, de hospitais e de horas trabalhadas por médicos, reduz-se também o PIB”, afirma Dowbor. Ao obter saúde com um gasto de apenas R$ 1,70 por criança/mês, a Pastoral da Criança faz cair o PIB. Porém, sobe a felicidade geral da nação.

Comemorar o crescimento do PIB não significa o país estar na direção certa. Vide a China, cujo PIB é o que mais cresce no mundo. Nem por isso a qualidade de vida de sua população nos causa inveja. Se o desmatamento da Amazônia — careca, hoje, em 17% de sua área total — aumenta, mais se introduzem ali o agronegócio e imensos rebanhos. O que fará crescer o PIB. E reduzir o equilíbrio ambiental e a nossa qualidade de vida.


Desigualdade socioeconômica no mundo


O problema número 1 do mundo não é econômico, é ético. Perdemos a visão de bem comum, de povo, de nação, de civilização. O capitalismo infundiu-nos a perversa noção de que acúmulo de riqueza é direito, e consumo de supérfluo, necessidade.


Compare estes dados: segundo a ONU, para propiciar educação básica a todas as crianças do mundo seria preciso investir, hoje, US$ 6 bilhões. Apenas nos EUA são gastos por ano, em cosméticos, US$ 8 bilhões. Água e saneamento básico seriam garantidos a toda a população mundial com um investimento de US$ 9 bilhões.

O consumo/ano de sorvetes na Europa representa o desembolso de US$ 11 bilhões. Haveria saúde básica e boa nutrição às crianças dos países em desenvolvimento se fossem investidos US$ 13 bilhões. Ora, US$ 17 bilhões é o que se gasta por ano, na Europa e nos EUA, em alimentos para cães e gatos; US$ 50 bilhões em cigarros na Europa; US$ 105 bilhões em bebidas alcoólicas na Europa; US$ 400 bilhões em narcóticos no mundo; e US$ 780 bilhões em armas e equipamentos bélicos no planeta.

O mundo e a crise que o afeta têm sim solução. Desde que os países sejam governados por políticos centrados em outros paradigmas, que fujam do cassino global da acumulação privada e da irrefreável espiral do lucro. Paradigmas altruístas, centrados na distribuição de renda, na preservação ambiental e na partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano.

Preste muita atenção nos candidatos que, este ano, merecerão o seu voto a vereador e a prefeito. Investigue o passado deles para saber com quem, de fato, estão comprometidos.

Ah, você não gosta de política? Não seja ingênuo: quem não gosta de política é governado por quem gosta. E tudo que os políticos corruptos querem é que sua omissão assegure a perpetuação deles no poder.


CORREIO BRAZILIENSE
07/09/2012 


Fontes
Google Imagens

domingo, 26 de agosto de 2012

CENTRAL DO BRASIL


Minha sugestão de filme para hoje:

Central do Brasil (1998)




Talvez, um dos maiores êxitos da história do cinema nacional, o road movie do diretor Walter Salles conta a história de Dora (Fernanda Montenegro) uma mulher que trabalha na estação de trem Central do Brasil escrevendo cartas para pessoas analfabetas. Certo dia, uma de suas clientes, Ana (Soia Lira) aparece com o filho Josué (Vinícius de Oliveira) pedindo que escrevesse uma carta para o seu marido dizendo que Josué quer visitá-lo um dia. Saindo da estação, Ana morre atropelada por um ônibus e Josué, de apenas 9 anos e sem ter para onde ir, se vê forçado a morar na estação. Com pena do garoto, Dora decide ajudá-lo e levá-lo até seu pai que mora no sertão nordestino. 

Central do Brasil é um retrato sentimental do interior do país, que ao narrar as desventuras de Dora e o menino na busca emocionante pelo pai, acaba contando a história de milhões de brasileiros que estão indo e vindo pelo país a todo momento. Imigrantes que buscam uma melhor qualidade de vida, ou outros que estão indo apenas rever seus parentes. Poucos filmes conseguiram retratar com tanta beleza e emoção o interior do país, e o realismo da vida de milhares de pessoas aparentemente comuns.
É um filme que fala intensamente sobre solidariedade e generosidade, no caso, a de Dora, mas não peca em não abordar a pobreza e as dificuldades do povo nordestino, e os perigos enfrentados pelos viajantes do interior do Brasil. A fotografia, direção de arte e trilha sonora são primorosas. Ao longo do filme, é impossível não se envolver afetivamente com os personagens de Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira, tão bem construídos e interpretados.

Na época de seu lançamento, fazia anos que um filme brasileiro não alcançava tanto reconhecimento internacional. Central do Brasil foi indicado na categoria de Melhor Filme em mais de dez premiações estrangeiras, incluindo o Oscar, tendo vencido o BAFTA, o Globo de Ouro e o Urso de Ouro do Festival de Berlim de Melhor Filme Estrangeiro. A consagrada Fernanda Montenegro, celebrada como uma das melhores atrizes brasileiras, tornou-se a a primeira atriz latino-americana a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz, perdendo para Gwyneth Paltrow por Shakespeare Apaixonado (Shakespeare in Love). Ela também foi vencedora do BAFTA de Melhor Atriz e do Globo de Ouro de Melhor Atriz Estrangeira.


Trailer:


Leia mais:




Fontes
Google Imagens

quinta-feira, 26 de julho de 2012

VOVÔ E VOVÓ



DIA 26 DE JULHO: dia dos Avós e para os católicos é dia de Sant'Ana e Joaquim pais de Maria, avós de Jesus Cristo.


Mirabel e Luzia


Avós, diversão ou formação? 


Um dos grandes valores na formação dos filhos é o respeito pelas gerações anteriores à sua.
Os filhos devem conhecer desde pequenos a importância de escutar os avós, não só por serem pessoas mais idosas, como também pelo grande valor da experiência que uma pessoa com tantos anos vividos possa ter.

Nesta época, em que impressiona a habilidade que até mesmo as crianças têm para conhecer todo tipo de aparelho eletrônico, parece que os pais e avós estamos anos luz atrasados no que são os interesses infantis. No entanto, o que realmente os fará serem donos de si mesmos e se desenvolverem melhor como pessoas, será aprender a se relacionar melhor com a vida diária; para isso, não existe aparelho que proporcione esta habilidade.

Somente a orientação de pessoas que já passaram pela mesma idade, que já percorreram o caminho que a criança apenas está iniciando, vai trazer a sabedoria necessária para que ela se torne uma pessoa íntegra e feliz.

Existem muitas maneiras de ajudar nossos filhos a aproveitar a convivência com os avós. Por exemplo, uma atividade familiar que pode ser muito divertida e instrutiva para toda a família é conhecer a história completa dos pais. Existem livros especiais, vendidos em qualquer livraria, que trazem perguntas e espaços suficientes para que os avós respondam, descrevendo suas experiências e histórias.
Com certeza, não é preciso adquirir nenhum livro. Qualquer caderno cumpre as mesmas funções e, uma vez terminado, podem ser organizadas reuniões para conhecer a história dos avós, criando lembranças que durarão toda uma vida. Além disso, esta atividade terá um valor agregado: a família conhecerá suas origens, sendo esta uma fonte de conhecimento para entender quem somos e porque reagimos de determinada maneira.

Avós


Os avós podem educar de muitas maneiras!
Ser avô é uma fase da vida que deve estar cheia de satisfações e diversão, especialmente quando não são os principais responsáveis pela educação das crianças.
Hoje em dia, existem cada vez mais casamentos nos quais ambos trabalham. Desta maneira, os avós voltam a ser os principais formadores de crianças, uma vez mais. Esta é uma tarefa importantíssima, no entanto, muito pesada, já que os avós não contam com a mesma energia dos tempos passados e, muitas vezes, a mesma autoridade.

Então, de acordo com o papel desempenhado na vida de seus netos, suas atividades e responsabilidades serão distintas. Se vêem os netos periodicamente, exclusivamente como visitas, o papel é claro: somos avós e, como tais, podemos dar caramelos e deixá-los dormir mais tempo do que o necessário. Mimá-los, em toda a extensão da palavra.
Porém se, diariamente, sua função é de criá-los enquanto seus filhos estão trabalhando, então os privilégios mudam. Os avós se tornam “pais secundários”, por este motivo a formação dos netos adquire um lugar prioritário em suas vidas e a disciplina e autoridade devem ser aplicadas, sendo mais esporádicos os “momentos divertidos”.
As complicações que esta responsabilidade traz consigo são muitas: o dilema de querer mimar o neto versus a necessidade de educá-lo adequadamente, o possível desacordo que possa existir entre a linha aplicada pelos pais do neto na educação do mesmo, o reconhecimento de que nossos projetos pessoais passam para um segundo plano.
Devemos lembrar que primeiro estão as crianças e não nosso gosto por fazer o que queremos. 

Conhecendo o papel que jogamos na vida de nossos netos, saberemos a função que temos que desempenhar. Se assumirmos a responsabilidade de ser formadores, o preço a pagar é o de ser avó de tempo integral.

Desta maneira, funcionar como avós ou como formadores deve ser uma decisão que somente nossos pais devem tomar. Nós, como seus filhos, devemos respeitar e aceitar seus limites e disposições com agradecimento, já que temos de reconhecer que eles já cumpriram com sua função de pais e, se aceitarem cuidar das crianças enquanto estamos trabalhando, estarão fazendo muito mais do que cumprir suas responsabilidades ou obrigações, pela simples generosidade de seu coração.


Autora: Mónica Bulnes de Lara



Meus avós paternos Ademar e Felisbina




O certo é que eles seduzem para o amor a vida.


FELIZ DIA DOS AVÓS A TODOS QUE FAZEM DESSA MARAVILHA DA VIDA UMA LIÇÃO DE AMOR, EXPERIÊNCIA E DOAÇÃO. 

Mirabel e Luzia meus pais são avós e vejo o quanto eles irradiam felicidade por viver essa relação de avós.




Fontes
Google Imagens
Arquivo pessoal de André Ribeiro

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A CRUELDADE HUMANA



Ser cruel...



A crueldade humana: uma primeira reflexão


Quando o escritor português José Saramago afirmou que os animais podem ser selvagens, mas que apenas o homem é cruel, ele estava chamando a atenção para um fato bastante inquietante, que subverte profundamente a imagem que temos de nós mesmos. Ele estava dizendo, da maneira mais clara e assustadora possível, que a crueldade é um fenômeno humano (e não animal). Uma afirmação que, sem dúvida alguma, põe em jogo duas certezas bastante arraigadas em nós: a de que o excesso de agressividade está relacionado à nossa herança selvagem e a de que a razão fez do homem um ser realmente superior.


De fato, do ponto de vista moral e ético, a ruptura que o homem fez com a vida natural não parece ter feito dele um ser melhor. É claro que se pode alegar que somos superiores exatamente porque somos os únicos animais capazes de desenvolver uma moral e uma ética, mas isto também não depõe muito em nosso favor, já que também somos os únicos a realmente precisar delas, já que os animais vivem integrados à natureza e nunca transgridem as suas leis. Sim, é exatamente isto: é porque os homens transgridem suas próprias leis e, sobretudo, é porque a nossa espécie é a única capaz de cometer atos bárbaros por prazer ou descaso com a dor alheia (como diz Saramago, um animal jamais tortura ou humilha o outro), que precisamos de leis que regulem a vida em sociedade. Sem dúvida, a justiça é uma necessidade, mas exatamente porque nós, os ditos “animais racionais”, ainda não aprendemos a respeitar a existência alheia.


Sem dúvida, vendo à distância o mundo humano, com tanta desigualdade, miséria, guerras, exploração e escravidão (humana e animal), é difícil acreditar que somos realmente seres racionais, compassivos e sensíveis. E, no entanto, apesar de tudo, é isto o que somos, pelo menos, potencialmente (eis porque, quando a razão e a sensibilidade se aliam no homem, ele é capaz de produzir uma existência verdadeiramente bela e ética). No entanto, o problema é que, na prática, o homem se comporta sempre aquém das suas potencialidades e aí, sim, cabe-nos perguntar por que o homem pode tanto e atinge tão pouco?

Decerto, alguns responderiam: “ele não pode: isto é uma falácia!” Outros, por sua vez, diriam: “ele pode, basta querer!” Pois tanto os primeiros quantos os segundos se equivocam: os primeiros estão mergulhados no pessimismo que, certamente, tem sua origem (até certo ponto justa) numa visão clara do que tem sido a vida humana; já os segundos são otimistas demais, acreditando que a vontade é livre o suficiente para escolher. Os dois erram, porque, de fato, o homem pode mais, mas seus valores o dirigem de tal maneira que é preciso, primeiramente, que ele se liberte de seus antigos grilhões, ou seja, que se liberte dos conceitos e das ideias que o tornam prisioneiro das circunstâncias, que o tornam passivo e resignado diante de um mundo que ele não acredita poder mudar.


Aqui entramos no cerne da questão: as sociedades se estruturaram, desde os seus primórdios, de modo a beneficiar alguns em prol de outros (eis porque, desde o início, os homens escravizam outros homens e também os animais). Esta é a origem da exploração e das desigualdades. É assim que nos acostumamos, desde cedo, a usufruir de outras vidas, aprendendo a fechar os olhos para a crueldade e para a tirania, como se elas fossem naturais em nós, quando, de fato, elas expressam o adoecimento da nossa espécie. Sim, a inversão do pensamento começa aqui: não somos primeiramente seres selvagens e maldosos que se aculturam e se tornam sublimes. Como um animal dentre outros, nós possuímos censores naturais que nos impedem de ultrapassar certos limites; mas, em sociedade, somos criados para obedecer regras inventadas pelos próprios homens e é aqui que tudo se complica e se confunde. Afinal, é a própria sociedade que nos ensina o descaso com a dor alheia, dos homens e dos animais. E, assim, como todos os demais, acabamos ou explorando os outros diretamente, e sem culpa, ou usufruindo, também sem culpa, dos benefícios da exploração. Afinal, temos o consentimento da própria sociedade para sermos pequenos tiranos.


Existe, de fato, uma razão perversa para que os homens sejam mantidos de olhos fechados. É que é preciso que eles continuem na escuridão e na servidão dos valores para que a desigualdade, a exploração, a escravidão, continuem existindo. Este é o maior de todos os atavismos humanos: aprendemos a nos beneficiar dos outros, aprendemos a ser, na verdade, imorais, antiéticos. É a nossa moral que tem sido, há milênios, uma falácia. Triste condição a nossa: somos vítimas de nossa própria inteligência superior. Na ânsia de fazermos parte do mundo, de nos integrarmos ao nosso meio social, apertamos ainda mais os nossos grilhões, tornamo-nos escravos e, ao mesmo tempo, agentes de nossa própria servidão. Servidão voluntária e até mesmo desejada, porque é mais fácil viver como todos os demais do que abrir os olhos e tomar nas mãos a própria vida.

De fato, é difícil mudar… mas andar também é e, no entanto, basta darmos os primeiros passos que os outros se seguem facilmente. Quase tudo no homem é hábito, é aprendizado. Por isto, a educação é tão fundamental e, mais ainda, uma educação que se volte para produzir um homem verdadeiramente superior, moral e eticamente falando. No fundo, por mais polêmica que pareça esta afirmação, o que resiste em nós de mais sublime é exatamente o nosso instinto mais elementar, que nos sopra aos “ouvidos” que agimos mal o tempo inteiro. É nossa saudável razão natural (como diria Nietzsche) que nos alerta, e não o que homem tem chamado de moral. Na verdade, não é nossa animalidade que precisa ser extirpada; é nossa falsa humanidade.


Sem dúvida, somos animais incríveis, somos os criadores dos mais belos conceitos e valores, mas também somos facilmente corrompidos pela ambição, pela ganância, pela vaidade e, para atingir nossas metas ilusórias de felicidade, usufruímos de outras vidas sem qualquer pudor. Com relação aos animais, esta realidade é ainda mais terrível, porque quase ninguém considera a sua dor, o seu sofrimento. É assim que milhões de vidas são brutalizadas, humilhadas, mortas todos os dias, sem qualquer piedade. É por isto que, mesmo quando somos vítimas, somos também responsáveis pela crueldade que nos atinge. Afinal, a crueldade, mais do que a racionalidade, tem sido o principal atributo do homem. Eis uma verdade dolorosa, mas que é preciso encarar se desejamos mudar o que precisa ser mudado. Na verdade, o homem não tem sido, nem de longe, o animal superior que julga ser.


Falando agora mais diretamente sobre a origem da crueldade humana, cito o grande historiador das religiões Mircea Eliade, que nos revelou algo de muito valioso em sua monumental obra “História das crenças e das ideias religiosas” (algo que endossa o que dizemos aqui a respeito do aspecto “contra-natura” da crueldade): o homem, inicialmente, não matava (nem mesmo para comer). Isto quer dizer que não somos originalmente nem carnívoros nem onívoros, e esta é uma informação que a ciência não deveria nos sonegar. Aliás, segundo as pesquisas de Eliade, toda a história posterior do homem é marcada exatamente por esta decisão que ele tomou no início dos tempos: a decisão de “matar para sobreviver”. Não vamos entrar na questão propriamente dita, falar da religião, que, segundo Eliade, está na base desta cruel decisão. Precisamos apenas entender que o homem tornou-se, de fato, o senhor da natureza, mas não por ser um animal divino ou por ser dotado de um espírito enquanto os outros seres vivos são corpos vazios; ele se tornou senhor da natureza porque tiranizou a vida, todas as vidas, inclusive a de sua própria espécie.


Sem dúvida, esta primeira violação da nossa natureza não poderia deixar de causar marcas indeléveis no homem e, assim, não parece nada equivocado concluir que este primeiro ato de barbárie deu origem a todos os demais. Afinal, o que poderia se esperar de um ser que age contra sua própria natureza? Ele só poderia adoecer, enlouquecer. Não é isto, afinal, que Nietzsche diz dos homens: que somos animais adoecidos, que perdemos nossa “saudável razão natural”? Nós nos perdemos de nós mesmos e nunca mais conseguimos nos encontrar. É isto que explica esta espera ensandecida por alguém que nos salve, que nos tire do fundo do abismo, quando, na verdade, bastaria apenas que olhássemos sem medo para dentro de nós mesmos. Sim, somos o que aprendemos, mas por baixo de todas as ideias, crenças, conceitos, existe um animal desesperado que clama por liberdade e por uma vida mais digna. A felicidade não está nos bens que se obtém no mundo, menos ainda nos que se obtém à custa da exploração e do sofrimento alheio; a felicidade está em ser pleno, forte e capaz de viver sem macular a si e aos outros. Isto, sim, chama-se respeito ao outro; não o que tem sido ensinado.


O homem inverteu a lógica da vida e assim produziu um mundo assentado na dor e no sofrimento. Sim, a vida tem dores e sofrimentos, já dizia Schopenhauer, mas o homem conseguiu multiplicá-las ao infinito. Não é a natureza que é cruel; somos nós: é isto que o homem se nega a ver. E ele vive tão imerso na dor e no sofrimento que chega mesmo a sentir-se atraído por eles; a se compor com eles, a lhes fazer elogios e a morbidamente saudá-los como inerentes à sua natureza. No entanto, a verdade é que, desde a infância, somos insensibilizados, adestrados para não reagir, para não sentir em demasia (nem amor, nem dor, nem compaixão, absolutamente nada… Descartes, de fato, confundiu as coisas: os homens é que se tornaram “máquinas sem alma”). Dito de outro modo: os sentimentos são em nós, desde cedo, aprisionados, dilacerados, considerados perigosos. Não se costuma dizer que a própria paixão é um perigo? Sim, o perigo da paixão é que ela pode nos desviar dos deveres que nos foram impostos pelo mundo; deveres aos quais aprendemos a obedecer como autômatos, mesmo quando eles nos rebaixam como seres humanos.


Dito de modo mais claro: somos escravos de um mundo que nós mesmos construímos (e cada um põe um tijolo nesta construção enquanto não desperta deste longo torpor, deste anestesiamento moral que subverte nossa natureza e nos rouba a liberdade de sermos aquilo que somos: seres verdadeiramente humanos). É assim que todo homem permanece preso num círculo vicioso, aparentemente insolúvel, até que comece a dizer “não” para a crueldade, seja ela dirigida aos outros homens ou aos outros animais (certamente, as maiores vítimas deste mundo). É um caminho árduo, sem dúvida, mas como poderia ser barato o preço da liberdade e da plenitude humana depois de tanta inversão de sentimentos e ideias?
Este é o verdadeiro começo: o primeiro “não” é sempre mais difícil, mas, depois do primeiro, outros se seguirão, e a cada “não” a nossa força aumenta, porque ela é proporcional ao nível da nossa libertação. Este é o maior legado que podemos deixar para as próximas gerações: libertar todas as vidas. Aliás, esta já é a condição para que as novas gerações sejam possíveis, porque a natureza não tolera mais a tirania humana. Ou fazemos algo agora ou é a natureza que seguirá sem nós: isto é um fato. Porque gostando ou não da ideia, não é a natureza que precisa do homem, somos nós que dependemos da natureza. Nós somos partes dela, e não o contrário. É por isto que libertar os animais é também libertar o animal humano da sua doença; é dar a ele uma nova possibilidade de existência que seja mais bela, mais ética, mais verdadeiramente racional.


Não é sem razão que Nietzsche dizia que era preciso inventar novos valores para um novo homem. Ele não chegou a pensar tão profundamente na questão dos animais; mas ele sabia que um novo homem seria aquele que recuperaria o sentido da terra e da vida. Se ele afirmou que fizemos da mentira uma verdade, isto não quer dizer que não existam verdades simplesmente, que tudo “tanto faz”. Esta interpretação já tem sua origem na nossa inversão das coisas e é bem-vinda num mundo que busca argumentos para manter-se como é. Mas nem o capitalismo, nem o comunismo, nem qualquer outro sistema será justo enquanto não formos seres verdadeiramente éticos. Nós criamos as verdades que nos interessam. São mentiras: Nietzsche tem razão. Está na hora de “inventarmos” a verdade, ou melhor, está na hora de deixarmos que ela se mostre sem mais véus e dissimulações. “Da verdade mesmo, ninguém nunca quis saber”, também estas são palavras de Nietzsche. Mas, disto, falamos depois…


Regina Schöpke



Fontes
Google Imagens